(Imagem captada na Serra de Bornes, em dezembro de 2025)
2025 não foi um ano bom. Houve demasiadas perdas e mudanças.Não traço projetos para este ano recém nascido. Só quero que seja mais sereno que o anterior e que eu seja suficientemente forte para aguentar o que vier.
Ocorre-me um poema de Rosa Alice Branco:
Aceitar o dia. O que vier.
Atravessar mais ruas do que casas,
mais gente do que ruas. Atravessar
a pele até ao outro lado. Enquanto
faço e desfaço o dia. O teu coração
dorme comigo. Agasalha-me as noites
e as manhãs são frias quando me levanto.
E pergunto sempre onde estás e porque
as ruas deixaram de ser rios. Às vezes
uma gota de água cai ao chão
como se fosse uma lágrima. Às vezes
não há chão que baste para a enxugar.