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sexta-feira, novembro 20, 2015

Eu te liberto

Eu te liberto
Em nome da bondade que não sei.
Dou-te a um mundo
Onde todas as coisas detêm o poder
De serem dignas.
Devolvo-te o perdão do céu
Quando rasgas o vento
Ao jeito da tua pressa.
E amanhã, a minha cela,
De asas fechadas e culpas ressentidas,
Não poderás impedir-me de seres
O bem que eu nunca fui...


Virgínia do Carmo, Tempos Cruzados

Também em repetição...

segunda-feira, setembro 08, 2014

Asas

Na tarde deste domingo, a Virgínia do Carmo deu a conhecer a sua mais recente obra de poesia, Relevos, cuja apresentação esteve a cargo de Hercília Agarez. Trago-vos aqui um dos muitos poemas de que gostei.


Não adianta fazeres de conta que tens asas. Por mais
que acredites nelas, voarão sem ti. Porque tu és do
chão. Devias saber.

Trazes restos de chumbo na alma e um caos de
grainhas no corpo que ninguém quer.

E se olhares para os teus pés verás que não caminhas
descalça. Trazes-te neles, chumbo e grainhas. Como
esperas levantá-los do fundo de tudo?

E há fragas de pó no teu peito sem janelas. E o único
ar que respiras é  o que sorves dos espaços entre as
pedras.

Por que havias tu de querer um céu inteiro?

Tu pertences ao chão. Devias saber.


Virgínia do Carmo, Relevos


sexta-feira, maio 25, 2012

Eu te liberto

Eu te liberto
Em nome da bondade que não sei.
Dou-te a um mundo
Onde todas as coisas detêm o poder
De serem dignas.
Devolvo-te o perdão do céu
Quando rasgas o vento
Ao jeito da tua pressa.
E amanhã, a minha cela,
De asas fechadas e culpas ressentidas,
Não poderás impedir-me de seres
O bem que eu nunca fui...


Virgínia do Carmo, Tempos Cruzados

sábado, fevereiro 12, 2011

Pouso os olhos no teu nome (poesia)

Pouso os olhos
- Sedentos - 
No teu nome
E contemplo-lhe 
As linhas
Costuradas
A negro
De asas presas
Nos remoinhos
Do teu começo


Divido-me,
- Gasta - 
Pelos arcos
Grávidos
De saudade


Passeio-me
-Embriagada - 
Pelas colinas 
Íngremes
Do teu mar


E por fim
Caio, do topo
Do teu acento
No abismo da vida


Virgínia do Carmo, Sou e Sinto