A Raquel Serejo Martins, de quem já tive a honra de apresentar Pretérito Perfeito, tem um novo livro, desta vez de poesia. A autora e a editora, Virgínia do Carmo, da Poética Edições, dirigiram-me um convite que muito me honra: apresentar Aves de Incêndio em Trás-os-Montes. A apresentação terá lugar amanhã, na Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé, e integra o "VI Encontro de Escritores Transmontanos".
Se estiverem por perto, não deixem de aparecer!
Deixo-vos o programa e o primeiro de muitos poemas.
1. Poema Verde
Não me peças para amadurecer
que não sou peça de fruta,
sou peça de outra engrenagem,
e a vida não é árvore nem fruteira.
Depois ninguém sabe o que é a vida,
a vida vai-se fazendo,
ou vai-se sem mais,
sem chegar a ser inteira.
E eu quero continuar verde
como o mar,
verde como um poema de Lorca,
verde como o verde dos meus olhos,
verde apesar do comprimento dos dias, verde
às vezes de raiva, que com duas patas
também se pode ser cão, verde
por saber o que é a tristeza
e a inutilidade da alegria ao ponto de cortar os pulsos,
mesmo quando temos vários corações a bater fora do
[corpo.
Raquel Serejo Martins, Aves de Incêndio, Poética Edições
