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sexta-feira, junho 09, 2023

A idade do cacifo


 "A idade do cacifo", que estreou no dia 25 de maio, no Teatro de Vila Real, é a mais recente produção da companhia Peripécia.
Os primeiros protagonistas da peça são três cacifos, que se impõem, em cena, cinzentos, metálicos e mudos. Só depois o palco acolhe os corpos e vozes humanos: três atores e um músico, que não deixa, a seu tempo, de ser ator. Todos versáteis na forma como se movem em palco e como encarnam diferentes personagens.  
A peça é um mergulho no mundo dos adolescentes, que vivem murados pelas regras impostas pelos adultos - pais e professores -, pelos estereótipos, pela escola ou pelos seus próprios conflitos interiores, por medos e anseios. Durante 70 minutos, seguimos, ora em apneia, ora num respirar de riso.
Em cena, desfilam medos, anseios, dilemas e conflitos, que são interiores ou com os outros. A música, não raramente agressiva, e o canto ditam a tensão emocional, o conflito interior ou exprimem a rebeldia, a necessidade de provocar, de se exprimir e de se afirmar.
Em "A idade do cacifo" há, numa aliança entre o cómico e o sério (muito sério!), essa vontade de deixar pouco por dizer, de, ao mesmo tempo, apontar o dedo e de cauterizar feridas. Há os pais que não querem ver e os que, obstinados, impõem regras, há os agressores e as vítimas, há os que sobrevivem e os que sucumbem. Há, inevitavelmente, os que saem do armário, perdão, do cacifo e aqueles que, por medo, inércia ou preconceito - próprio ou alheio -, se deixam ficar.
"A idade do cacifo" resulta nesse espelho em que nos vemos refletidos, jovens e adultos. Há esse efeito catártico, que se faz pela gargalhada e pelo confronto.

quinta-feira, maio 05, 2022

A Peça (Em 4 Turnos)


... é o novo trabalho da Peripécia Teatro. Estreia hoje, às 21h30, no Teatro de Vila Real. 

Como sou uma privilegiada, pude assistir ao ensaio geral, de que me ficaram algumas impressões:

    O teatro tem o dom, que partilha com outras formas de arte, de nos fazer rir, de nos comover, de nos obrigar a ver a realidade com outros olhos. Assim acontece com “A Peça (em 4 Turnos)”, o novo trabalho da Peripécia Teatro, que alia, como a companhia nos tem habituado, ao talento e à versatilidade, a reflexão sobre o que não convém esquecer e algumas notas de cómico.

                Em palco, quatro atores e um músico, que é também, a seu tempo, interveniente na ação como personagem. A música, ora melódica, ora agressiva, marca a dramaticidade ou a conflituosidade, interior ou exterior, da ação. São também protagonistas algumas bicicletas, polivalentes nas suas funções. O movimento das rodas traduz a monotonia dos dias e do trabalho árduo e mecânico, a vigilância e a opressão das forças visíveis e ocultas do poder, ininterruptas - como as máquinas e como os turnos - e opressivas.

                “A Peça (em 4 Turnos)” é uma peça sobre opressores e oprimidos, sobre patrões e operários, sobre o medo e a delação, a luta e a resistência, mas também sobre a liberdade (e a libertação), o amor, a amizade e o companheirismo.

                Quatro são os turnos das grandes fábricas, mas quatro são também as vidas reais trazidas a cena pelos atores.

                “A Peça (em 4 Turnos)” revela-se uma reflexão sobre o compromisso que a arte, em particular o teatro, deve ter com as pessoas, a lembrar Brecht ou Sttau Monteiro. Por isso, em cena, há operários que, nas (escassas) horas livres, são atores – ou pretendem sê-lo. Para driblar a opressão. Para enfrentar a vigilância do Estado e da Igreja. Para contrariar a monotonia. Para se fazerem ouvir. Para poderem ser o que quiserem, tendo a ilusão de que, sendo outros, o mundo é mais justo e os dias menos penosos. Para acordarem e agitarem consciências. Para que as pessoas abram as cabeças. São operários de punho erguido, com “consciência operária”, como alguém refere na própria peça.

                Neste novo trabalho da Peripécia Teatro, entretecem-se fios de diferentes épocas e diferentes vozes. Nele, evocam-se as ditaduras de Salazar, de Franco e de Pinochet e os poetas, de cá e de além-mar, que os ditadores torturaram e mataram, mas não silenciaram, porque vivem na memória das gerações seguintes. “A Peça (em 4 Turnos)” é (ainda) sobre o nosso tempo, pois enquanto houver opressores e oprimidos não podemos deixar que a cortina se feche.


 

quarta-feira, maio 23, 2018

Uma conversa informal,

gravada com telemóvel, em que eu fui "atropelando" os atores. 

Aqui.

sábado, maio 05, 2018

La tortilla de mi madre


... assim se intitula o último trabalho da Peripécia Teatro, uma companhia com sede em Vila Real ( de Trás-os-Montes, pois claro!), e que estreou na passada quinta-feira.
É uma peça sobre a influência que os livros podem ter na formação da nossa personalidade ou sobre como podem pôr-nos a salvo da solidão ou da loucura. Aliás, os livros, que foram gentilmente oferecidos por familiares, por amigos ou por anónimos, ocupam uma grande parte do cenário, empilhados, espalhados pelo chão, a simular móveis ou escadas.
"La tortilla de mi madre" revela-se também uma reflexão sobre a solidão, forçada ou voluntária, sobre o processo de escrita, tantas vezes conflituoso e, muito, sobre afectos, que procuramos, quase sempre, na comida da mãe ou nas memórias da infância.

Não tive oportunidade de assistir à estreia, mas foi-me concedido o privilégio de assistir a um dos últimos ensaios e de conversar com atores e encenador. Por este motivo e por todas as peças da companhia a que já assisti, posso garantir-vos que vale muito a pena!

Mais informação aqui.

segunda-feira, março 27, 2017

Vinte e sete

Tradicionalmente com início a 27 de Março e estendendo-se até 27 de Abril, daí a designação, Vinte e Sete, o festival de teatro que une, através de um conjunto de espectáculos teatrais, algumas localidades (cada vez menos) do Nordeste Transmontano, tem este ano início a 30 do corrente. Celebra-se, assim, por cá o Dia Mundial do Teatro que hoje se assinala.




quinta-feira, março 27, 2014

Vinte e sete


Hoje, Dia Mundial do Teatro, tem início a 10.ª edição do "Vinte e Sete - Festival Internacional de Teatro", promovido pelos teatros de Vila Real e de Bragança. Durante um mês, serão apresentadas 18 peças.

quinta-feira, outubro 17, 2013

sexta-feira, outubro 26, 2012

1325


Hoje e amanhã, às 22 horas, no Teatro de Vila Real.

Eu já vi e vou repetir. Por que será?

terça-feira, março 27, 2012

Dia Mundial do Teatro


Mais informações aqui.

sábado, abril 02, 2011

Antes solo que mal acompanhado


é o mais recente trabalho da companhia Peripécia Teatro. Estreia hoje, às 22 horas, no Teatro de Vila Real. A avaliar pelas peças anteriores, garanto que vale muito a pena ir.

terça-feira, abril 20, 2010

Remédios Santos - sem princípios activos

é a última produção da Peripécia Teatro, a que tive o prazer de assistir no segundo dia de apresentação, ou seja, na passada sexta-feira, dia 16.
Alternando entre o cómico e o trágico, sucedem-se pequenas histórias e personagens, através das quais se entra no mundo dos medicamentos. Pretende-se, provocando o riso e incitando à reflexão, denunciar os lucros escandalosos dos grandes grupos farmacêuticos, os jogos de bastidores e a corrupção de que alguns profissionais de saúde são presas fáceis. Ao mesmo tempo, satiriza-se sobre a nossa dependência relativamente aos medicamentos, que vão fazendo cair no esquecimento as velhas mezinhas.
Em palco, um número reduzido de adereços vai assumindo inesperadas e inusitadas funções, emprestando energia ao espectáculo e revelando um trabalho, ainda que esperado para quem conhece a companhia, surpreendente.

No dia 22, será a vez de Chaves poder usufruir de um bom momento de teatro (Cine Teatro Bento Martins, 21h30). Se estiverem por lá ou por perto, não deixem de ir.

A imagem foi "roubada" aqui.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Vincent Van e Gogh...

´... é o título de uma peça da Peripécia Teatro a que podemos assistir hoje à noite no Teatro de Vila Real. Porque já vi, posso afiançar-vos que vale muito a pena. Eu vou rever... Outras informações aqui e aqui.

sábado, junho 06, 2009

logo

vou ao teatro, ver esta peça pela segunda vez. Para quem estiver por perto e quiser passar um bom bocado, hoje é no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros.

terça-feira, janeiro 20, 2009

falar de teatro

(Mamã?!, Peripécia Teatro)
Para quem gosta de teatro e está pelo Minho, pode, no dia 24, pelas 22h, assistir, em Arcos de Valdevez, à peça Mamã?!, a última produção da Peripécia Teatro, uma companhia sedeada em Vila Real e um exemplo do bom teatro que por cá se faz.
À semelhança do que acontece noutros trabalhos da companhia, em Mamã?! o trágico e o cómico dão as mãos, alternando, no mesmo trabalho de palco, cenas de arrebatadora emotividade e momentos verdadeiramente hilariantes.
O argumento é aparentemente simples: uma bailarina de cabaré de grande sucesso vê de súbito a sua carreira comprometida quando engravida acidentalmente de um homem que acaba por abandoná-la.
A partir daí, tudo concorre para uma existência de miséria e de solidão. Num cenário minimalista, uma actriz, que enverga as vestes e assume as atitudes desajeitadas de um clown, contracena com um clarinetista, cuja música marca o ritmo trágico e emotivo da personagem central.
A tragicidade do assunto vê-se suplantada por surpreendentes cenas de cómico, enfatizadas pela multiplicidade de funções que os objectos e o guarda-roupa vão assumindo ao longo da peça.
Rir até às lágrimas é inevitável e obrigatório!

domingo, novembro 09, 2008

Mamã?!

(Imagem de rosto do desdobrável do espectáculo)
Porque me faltam as palavras, deixo as da actriz que é protagonista da peça e que, há meses, protagonizou a experiência de ser mãe:
"Ser futura mamã não é tarefa fácil!
Ao contrário do que acontece com grande parte das grávidas, o meu estômago não me fez devolver a comida. No entanto, a minha cabeça fez sair cá para fora algumas ideias que inspiraram esta criação e que foram desenvolvidas colectivamente com todos os criadores do espectáculo.
Quisemos partir das situações vividas por mim e pela maioria das mamãs de todo o mundo, para depois as elevar a um universo cómico e cómico, capaz de transmitir aspectos genuínos da natureza humana.
Com esta peça, queremos fazer a nossa pequena homenagem a todas as mamãs - e papás também, já agora - que têm confiança e força para trazer vida a este planeta (...).
Mamã"
Para terminar, só posso dizer-vos que não dareis por perdidos os 70 minutos que a peça dura.
Bom humor, um trabalho de clown excepcional e boa música - descobri que gosto muito do som do clarinete! - são a garantia de riso do princípio ao fim. E como nós estamos a precisar de rir... oh se estamos!

quinta-feira, novembro 06, 2008

estreia hoje...

mas só amanhã ou depois poderei contar-vos como é...

Mais informação aqui.

sexta-feira, setembro 12, 2008

momentos de boa disposição

Fui ver e garanto-vos: não parei de rir durante aproximadamente 1h30! Mais logo, pelas 22h, há mais...

domingo, abril 13, 2008

Vinte e sete


Para quem estiver por perto:



Aconselho vivamente: "Ibéria" e "Novecentos, o Pianista do Oceano" (a que já assisti) da Peripécia Teatro... mas eu sou suspeita!

sexta-feira, outubro 12, 2007

para o fim-de-semana



No Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, o Espaço t apresenta: "Do Porto para o Mundo: Pedaços de um Manifesto."

No dia 13 de Outubro (Sábado), venha à Estação de Metro da Casa da Música das 14:30h às 18:30h, ajudar a pintar uma "Tela para Mudar o Mundo", que será posteriormente dividida e enviada aos 300 dirigentes máximos do mundo.

Venha descobrir as diferenças que nos podem complementar, através da música, dança, teatro, cores, aromas …

(Mensagem recebida por email)

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NOVECENTOS

O Pianista do Oceano

pela

Peripécia Teatro


Baseado no Texto Novecentos de

Alessandro Baricco

Criação, Adaptação e Dramaturgia

Peripécia Teatro e José Carlos Garcia.



13 de Outubro

21h30

Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros