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quinta-feira, março 19, 2020

Vai um café, vizinha?


Eu e a vizinha de cima não tomamos café, mas, uma vez por dia, vamos à varanda dar dois dedos de conversa, depois de um toque para o telemóvel.
Hoje, esses dois dedos de conversa obrigaram-me a fazer uma pausa no teletrabalho, que excedeu o número de horas de um dia normal.
Enquanto não nos familiarizarmos com esta nova forma de estar e de trabalhar, tudo parece muito. Pior do que estar em isolamento e ter de trabalhar à distância é não conseguirmos convencermos os mais velhos da premência de se ficar em casa!
Fiquem bem... em casa, se possível!

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

domingo, junho 03, 2018

Don't bring me down


Sarah-Jane Szikora, "Don't bring me down"

Todos os dias digo, sussurrando,
mantém o equilíbrio. Tudo espreita,
tudo assusta, a vida inteira pende-te
de um frágil fio e de uma sorte injusta.
A tua vontade não pode muito.
Não percas pé. Mantém o equilíbrio.


Amalia Bautista

domingo, março 26, 2017

Sweet rides


Ingredients

1 deep blue sky
1 full heart of joy
Sweetness as desired
1 lemon zest

Wrap everything with sweet 
movements
Carefully, put in a glass bowl
and sprinkle with cinnamon

Handle with care
and ride

Procrastinação

Quando o trabalho se torna mais intenso, comete, invariavelmente, o "pecado" de se dedicar a devorar livros.

Imagem da net

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Pequenos desafios


(Sarah-Jane Szikora)

Executar tarefas que nos empurram para fora da zona de desconforto da rotina pode ser muito gratificante. Ainda que essas tarefas nos roubem horas ao sono e ao lazer . Ainda que significam responder mais cedo ao apelo do despertador e a conceder, sem qualquer tipo de gratificação. horas extraordinárias à entidade patronal.
Protesto, barafusto, discordo, mas, na hora H, quando me propõem um desafio, por pequeno que seja, não consigo dizer «Não». Sempre pelo desafio.

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Preguiça e poesia

«Quando era jovem, apaixonava-se todas as semanas, em geral às terças-feiras e desapaixonava-se às sextas, pois era um gato preguiçoso e tirava o sábado, o domingo e a segunda para descansar.»

«A poesia não está somente nos versos, por vezes ela está no coração, e é tamanha, a ponto de não caber nas palavras.» 


Jorge Amado, O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (com ilustrações de Carybé)

quarta-feira, outubro 05, 2016

Poema ilustrado


Uma ilustração da mana para o excerto de um poema de Pessoa-Caeiro.

Uma vez amei, julguei que me amariam, 
Mas não fui amado. 
Não fui amado pela única grande razão — 
Porque não tinha que ser. 

Consolei-me voltando ao sol e à chuva, 
E sentando-me outra vez à porta de casa. 
Os campos, afinal, não são tão verdes para os que são amados 
Como para os que o não são. 
Sentir é estar distraído. 

F. Pessoa-A. Caeiro, Poemas Inconjuntos



quarta-feira, junho 01, 2016

Rei, capitão

Rei, capitão,
soldado, ladrão,
menina bonita
do meu coração.
Não quero ter coroa,
nem arma na mão,
nem fazer assaltos
com um facalhão.
Quero ser criança,
quero ser feliz,
não quero nas lutas
partir o nariz.
Quero ter amigos
jogar futebol,
descobrir o mundo
debaixo do sol.
Rei, capitão,
soldado, ladrão,
não.
Mas quero a menina
do meu coração.

Luísa Ducla Soares, Poemas da Mentira e da Verdade

(Os desenhos são da mana. Já têm alguns anos.)

Com votos de um dia muito feliz para a criança que vive em cada um de vós!

domingo, maio 29, 2016

domingo, abril 10, 2016

Num deserto sem água

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de M. B. Andresen

Xuan loc Xuan, "City house"

quarta-feira, março 23, 2016

A prima Vera


Um "boneco" surripiado à mana. 

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Na falta de marcadores


Isabel, imagino que não tenhas problemas em marcar livros. Deixo-te, ainda assim, algumas ideias.  :D

sábado, fevereiro 13, 2016

Make a wish


Um "boneco" da mana

Felizmente, há quem tenha outros sonhos, que não passam necessariamente pelo casamento ou por uma vida de diversão. Não significa que uma coisa e outra sejam más, mas é bom que a felicidade não tenha de depender de uma dessas opções, nem o amor de datas para ser vivido ou confessado.

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

É tão difícil

Essa folha, aí. Tão branca que nem a neve é assim tão fria. Aproximo os dedos numa espécie de carícia, tentando atenuar, diluir tanta hostilidade, mas logo recuam tocados pelo medo. É tão difícil. Porque essa brancura queima, arde silenciosa num fogo que ninguém vê. Durante muito tempo só os olhos a procuram, a contemplam. Imóveis, sem afrouxarem de intensidade. Ouvem-se quase os latidos do pulso. De súbito, os dedos distendem-se, saltam; no seu movimento de falcão já não acariciam, antes rasgam, dilaceram, perseguem a presa numa luta onde não há tréguas, vão deixando na neve sinais da sua presença, ora triunfante, ora aflita, por vezes quase morta.
Eugénio de Andrade, Vertentes do Olhar

Imagem de Soizick Meister

Tem sido um braço de ferro. A folha branca tem vencido. Não tem sido fácil.

sábado, fevereiro 06, 2016

Recíproco


(Da revista Obvious)

Ora aqui está um bom motivo para lermos mais e para não faltarmos às aulas de Português...

Um bom fim-de-semana para quem passa. 



sábado, janeiro 23, 2016

Contra a chuva


Mais um "boneco" da mana

sábado, janeiro 09, 2016

Cidades cúmplices


(Imagem daqui)

As cidades são a minha fuga, o meu refúgio,
o meu lugar de não ter nome, de não ter casa.
Fujo para as cidades para me perder de mim,
para só me encontrar nos livros que trago
dos esconderijos mais secretos das cidades.
As cidades são as minhas cúmplices. Elas sabem-no.
Tal como acontece com os livros,
sei que nem dez vidas me chegariam para as ler,
para as aprender, para me apaixonar por elas.
São amores fugazes, apressados, indolores.
Não deixam cicatrizes nem remorsos. Apagam-se devagar,
como os círculos ou as estrelas desenhadas a giz
no quadro mais negro do negrume da tristeza.
As cidades são o cálice minguado
em que entorno a luz em vez de vinho,
em que derramo a espuma em vez do néctar.
Retrato-as, retrato-me nelas vorazmente,
sempre a cores, junto das fontes, à porta das catedrais,
sobre as pontes, encostado às estátuas
que dão sombra à sonolência alada dos pombos doentes.
Eu nunca trago as cidades comigo.
Deixo nelas, como penhor da alma, o fio de uma saudade
que o tempo se encarrega de cortar

no ponto em que a ausência sabe a mágoa.

José Jorge Letria, Produto Interno Lírico

segunda-feira, dezembro 21, 2015

Espera


Miguelanxo Prado, "O último café de Fernando Pessoa no Martinho da Arcada, enquanto espera pelo Almada Negreiros"

quinta-feira, dezembro 17, 2015

Nocturno


Murat Turan

[...]

Tentamos regular
com açudes de orações
o curso da tristeza
mudamos de cadeira
e levamos a noite
a dizer oxalá
como se a palavra
praticasse anestesia.



José Miguel Silva, Ulisses já não mora aqui