Um dia, deu-se conta de que é um espírito
rebelde. Não conseguindo libertar-se de regras, convenções e obrigações, sejam
legais, sociais ou sentimentais, fá-lo através da leitura. Talvez não seja
coincidência o facto de se ter apaixonado, primeira na adolescência, e depois
na transição desta para a a idade adulta, por personagens que procuram, pela
aventura ou pela errância, ir contra as convenções. Quem sabe se Holden,
de The Catcher in the Rye, ou Larry, de O Fio da Navalha,
e outras personagens das quais se foi, ao longo de décadas, tornando
cúmplice, não são o seu alter-ego, que não sabe outra forma de se
exprimir?
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segunda-feira, julho 23, 2018
domingo, março 06, 2016
Cumplicidade
Acordo enroscada em mantas, no sofá do escritório. A televisão debita vozes que nem ouso interpretar. Desligo-a e dirijo-me à cozinha, em busca de algo que apazigue uma ligeira sensação de fome. Uma ténue claridade transparece pela cortina. Olho o relógio, suspenso na parede oposta à porta. Marca as 6h15. Desvio a cortina e o meu olhar dirige-se de imediato para uma unha de luz que paira acima do telhado da casa em frente. Só eu e a Lua somos cúmplices nesta hora em que tudo e todos parecem repousar ainda no abraço terno de Morfeu.
terça-feira, maio 12, 2009
num "mar de terra"
(Serra de Bornes, Abril de 2009) Quando chegamos aos outros apenas pela escrita, tendemos a construir uma imagem de quem escreve. Há formas de escrever que transportam semblantes - serenos, sisudos ou divertidos -, a cor, o tamanho ou o desenho do cabelo, vozes - graves, agudas, pausadas, ansiosas. Até mãos - magras e de dedos finos e longos ou pequenas, robustas. Com o tempo, tecem-se, por vezes, entre quem escreve e quem lê, empatias e cumplicidades.
Quando se passa do mundo virtual para o real, a surpresa resulta sobretudo da diferença entre a imagem que construímos e a que os nossos olhos constatam, já que a cumplicidade e as palavras nos parecem aquelas que ficaram suspensas numa conversa do dia anterior. Há dias, quando conheci a menina que inscreve emoções numa ardósia, experimentei esta mesma sensação. Foi um encontro fácil e muito agradável também (como o foram outros encontros e reencontros que este mundo blogosférico me proporcionou e de que ainda vos hei-de dar conta). Para tal contribuíram, em parte, o clima primaveril, a magnifíca paisagem transmontana e as "dicas" de um amigo comum. Mas mais do que isso, foi a confirmação de uma empatia que já antes se revelara, foi permitir que as palavras se soltassem das letras, que deixassem a ardósia, transportando-as para um "mar de terra".
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