Mostrar mensagens com a etiqueta Duy Huynh. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Duy Huynh. Mostrar todas as mensagens

domingo, outubro 14, 2018

Tragam-me




(Duy Huynh)

Tragam-me um homem que me levante 
com os olhos 
que em mim deposite o fim da tragédia 
com a graça de um balão acabado de encher 
tragam-me um homem que venha em baldes, 
solto e líquido para se misturar em mim 
com a fé nupcial de rapaz prometido a despir-se 
leve, leve, um principiante de pássaro 
tragam-me um homem que me ame em círculos 
que me ame em medos, que me ame em risos 
que me ame em autocarros de roda no precipício 
e me devolva as olheiras em gratidão de 
estarmos vivos 
um homem homem, um homem criança 
um homem mulher 
um homem florido de noites nos cabelos 
um homem aquático em lume e inteiro 
um homem casa, um homem inverno 
um homem com boca de crepúsculo inclinado 
de coração prefácio à espera de ser escrito 
tragam-me um homem que me queira em mim 
que eu erga em hemisférios e espalhe e cante 
um homem mundo onde me possa perder 
e que dedo a dedo me tire as farpas dos olhos 
atirando-me à ilusão de sermos duas 
novíssimas nuvens em pé. 

Cláudia R. SampaioVer no Escuro


Poema surripiado do mural do Facebook de uma amiga.

sexta-feira, junho 15, 2018

Waiting for the time to fly


Duy Huynh, "Waitting for the time to fly"

Espero pelo tempo
em que possa voar.

Espero pelo tempo
em que a cinza 
dê, de novo, lugar à chama.

Aguardo, de olhos fixos
no relógio inerte,
o momento em que 
nos meus braços
se desenhem asas.

Pouco sei do Sul
e do voo das aves,
da dureza das rochas.
Sonho-me, porém, águia
a medir distâncias.

Deep, 27 de Abril de 2015

segunda-feira, abril 30, 2018

Como as árvores


(Duy Huynh)
Inclino-me, como as árvores,
à passagem do vento,
rendo-me aos seus doces sussurros,
sedutor incorrigível, quando a tarde declina...

Inclino-me, quando impetuoso,
rompe pelos caminhos e sibila
nas folhas.

Inclino-me, mas não parto...

Como as árvores, tenho raízes
que me prendem ao chão
e ramos no lugar dos braços.

Como elas, acolho, sem os abraçar,
os pássaros que buscam agasalho

Oiço-os cantar – e quero ser ave.
Vejo-os voar – e quero, no lugar dos ramos,
no lugar dos braços, ter asas.

deep, abril de 2015

Em repetição por aqui.

sábado, setembro 24, 2016

Do baú

... para assinalar a despedida do Verão.


(Imagem de Duy Huynh)


Despede-se o Verão
com os seus dias de ócio e de calor.

Despede-se da cepa que lhe deu vida
e acolheu o cacho farto de uva.

Despedem-se de ti o meu olhar,
as minhas mãos, todo o meu corpo
e, com pontual solidariedade, a alma.

Recolho as mãos, dispensadas do ofício
da ternura.
Cubro, de novo, o coração
para os dias frios que o esperam.

Instituo, por decreto íntimo,
Setembro como o mês das despedidas.

deep, 23 de Setembro de 2015

segunda-feira, abril 25, 2016

Na copa das árvores


Duy Huynh
Tenho o coração preso às árvores.
Elevo-o ao lugar das copas.
Para que possa receber, como uma bênção,
as primeiras gotas de chuva.

É lá, no lugar das copas, que o poiso,
para que acolha os voos cansados dos pássaros,
o despontar das flores.

Agarrado ao tronco das árvores,
o meu coração sabe onde estão as raízes,
como pressente, avisado, as intempéries.


Deep, 24 de Abril de 2016

Tosco devaneio, rabiscado de um fôlego, sob inspiração da imagem que o ilustra.

segunda-feira, abril 18, 2016

Corações grandes


Duy Huynh, "Big Heart"

Começo este dia com a presença de duas amigas, uma das quais tem por hábito aparecer, nesta data, pouco antes da meia-noite.

Trazem um bolo e uma garrafa de licor. Apesar de todas termos de trabalhar cedo, ficam algum tempo, porque ambas sabem que o mais importante é estar, fazer companhia. Agradeço-lhes com um abraço sentido, na despedida, de coração quente (e não foi do licor ou do calor da salamandra!).

terça-feira, março 01, 2016

Põe-na lá

«Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela? Põe-na lá.»

Do Vergílio Ferreira, que partiu num dia 1 de Março (1996)


(Duy Huynh, "Blue moon expedition")



A propósito, João de Melo recebe hoje, na Universidade de Évora, o Prémio Vergílio Ferreira 2016.

segunda-feira, dezembro 21, 2015

Às vezes

Duy Huynh, "Bee the change"

Às vezes é um insecto que faz disparar o alarme
um zumbido que detona o coração.
Às vezes é uma vírgula que tomba na frase
uma cabeça que desaba num ombro qualquer.
Às vezes é um fósforo
que resplandece venturosas entradas
no dicionário dos dias.
Às vezes nem isso.
Às vezes é um sopro que revira o mundo
no ventre do tempo
como quem se prepara para uma nova vida.

Nuno Costa Santos 

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Devaneios


Duy Huynh, "Freeform"
Oiço a tua voz - reconhecê-la-ia
ainda que, subitamente, falasses
outra língua...

Oiço a tua voz, dizia, e, dentro de mim,
um vulcão ameaça entrar em erupção
para, de seguida, se desfazer num rio de lava.
Oiço-a e, por instantes, sou pássaro
em sinuoso voo,
sou margem venturosa de um rio que,
por descuido, extravasa o leito.

Sonho-a e, nos meus sonhos, a tua voz,
desconhecida, outra,
perde-se dos meus dedos e da possibilidade
de a recolher límpida e inocente no meu colo.

deep, Março de 2011

Em repetição por aqui...

segunda-feira, novembro 23, 2015

Em repetição


(Duy Huynh, "Blue moon expedition")

Waiting for the time to fly

Espero pelo tempo
em que possa voar.

Espero pelo tempo
em que a cinza
dê, de novo, lugar à chama.

Aguardo, de olhos fixos
no relógio inerte,
o momento em que
nos meus braços
se desenhem asas.

Pouco sei do Sul
e do voo das aves,
da dureza das rochas.
Sonho-me, porém, águia
a medir distâncias.


deep, 27 de Abril de 2015

... porque o tempo não tem sobrado para escrever.

O título do texto foi roubado a outra imagem de Duy Huynh.

segunda-feira, abril 27, 2015

Como as árvores


Duy Huynh
Inclino-me, como as árvores,
à passagem do vento,
rendo-me aos seus doces sussurros,
sedutor incorrigível, quando a tarde declina...

Inclino-me, quando impetuoso,
rompe pelos caminhos e sibila
nas folhas.

Inclino-me, mas não parto...

Como as árvores, tenho raízes
que me prendem ao chão
e ramos no lugar dos braços.

Como elas, acolho, sem os abraçar,
os pássaros que buscam agasalho

Oiço-os cantar – e quero ser ave.
Vejo-os voar – e quero, no lugar dos ramos,
no lugar dos braços, ter asas.

Deep, 27 de Abril de 2015

Waiting for the time to fly



Duy Huynh, "Waiting for the time to fly"


Espero pelo tempo
em que possa voar.

Espero pelo tempo
em que a cinza 
dê, de novo, lugar à chama.

Aguardo, de olhos fixos
no relógio inerte,
o momento em que 
nos meus braços
se desenhem asas.

Pouco sei do Sul
e do voo das aves,
da dureza das rochas.
Sonho-me, porém, águia
a medir distâncias.

Deep, 27 de Abril de 2015


sábado, fevereiro 14, 2015

Sobretudo, sejam felizes...


Duy Huynh, "Big heart"
... todos os dias!

A felicidade nasce de corações bem tratados - o nosso e o daqueles que amamos. Para isso, é fundamental termos com o coração os cuidados de um jardineiro zeloso, que sabe quando deve regar, adubar, podar as plantas que tem a seu cargo e que dedica algum do seu tempo a conversar com elas.

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Ser SER


Duy Huynh, "Freeform"

seja ruído

seja beijo
seja voo
seja andorinha
seja lago
seja pacatez de árvore
seja aterrizagem de borboleta
seja mármore de elefante
seja alma de gaivota
seja luz num olhar
seja um cardume de tardes
e grite: JÁ SOU

Ondjaki, Há Prendisajens com o Xão