Vento que passas, leva-me contigo Sou poeira também, folha de outono. Rês tresmalhada que não quer abrigo No calor do redil de nenhum dono.
Leva-me, e livre deixa-me cair No deserto de todas as lembranças, Onde eu possa dormir Como no limbo dormem as crianças. Miguel Torga, Diário, vol. V, 1949