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sexta-feira, junho 10, 2022

O tempo acaba o ano, o mês e a hora

(Desconheço a autoria da imagem)

O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora.

O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

Luís de Camões

quinta-feira, setembro 29, 2016

Das nuvens pelo ar a branda guerra*


* Um verso do soneto "A fermosura desta fresca serra", de Camões

segunda-feira, junho 10, 2013

Camões


(Um marcador de uma colecção sobre autores portugueses)

«Ó Ninfa, a mais fermosa do Oceano,
   Já que minha presença não te agrada,
Que te custava ter-me neste engano,
      Ou fosse monte, nuvem, sonho ou nada?»

in Os Lusíadas, Canto V, est. 57

quarta-feira, agosto 01, 2012

Busque Amor novas artes

Busque Amor novas artes, novo engenho 
Para matar-me, e novas esquivanças; 
Que não pode tirar-me as esperanças, 
Que mal me tirará o que eu não tenho. 

Olhai de que esperanças me mantenho! 
Vede que perigosas seguranças! 
Pois não temo contrastes nem mudanças, 
Andando em bravo mar, perdido o lenho. 

Mas conquanto não pode haver desgosto 
Onde esperança falta, lá me esconde 
Amor um mal, que mata e não se vê. 

Que dias há que na alma me tem posto 
Um não sei quê, que nasce não sei onde; 
Vem não sei como; e dói não sei porquê. 

Luís Vaz de Camões

quinta-feira, junho 10, 2010

Lembrar o poeta

Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.

Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.


Quis voar a uma alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.

Luís de Camões

quarta-feira, junho 10, 2009

luís o poeta salva a nado o poema

Era uma vez um português de Portugal. O nome Luís há-de bastar o mundo inteiro ouviu falar. Estala a guerra e Portugal chama Luís para embarcar. Na guerra andou a guerrear e perde um olho por Portugal. Livre da morte pôs-se a contar o que sabia de Portugal. Dias e dias grande pensar juntou Luís a recordar. Ficou um livro ao terminar. muito importante para estudar. Ia num barco ia no mar e a tormenta vá d'estalar. Mais do que a vida há-de guardar o barco a pique Luís a nadar. Fora da água um braço no ar na mão o livro há-de salvar. (...) Sou português de Portugal depois de morto não vou mudar. Sou português de Portugal acaba a vida e sigo igual. (...) É fado nosso é nacional não há portugueses há Portugal. (...) Almada Negreiros (texto com supressões)