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terça-feira, maio 10, 2011

terça-feira, novembro 23, 2010

Mudemos de assunto


(Sérgio Godinho e Jorge Palma)

Andas aí a partir corações
como quem parte um baralho de cartas
cartas de amor
escrevi-te eu tantas
às tantas, aos poucos
às tantas, aos poucos
eu fui percebendo
às tantas eu lá fui tacteando
às cegas eu lá fui conseguindo
às cegas eu lá fui abrindo os olhos

E nos teus olhos como espelhos partidos
quis inventar uma outra narrativa
até que um ai me chegou aos ouvidos
e era só eu a vogar à deriva
e um animal sempre foge do fogo
e eu mal gritei: fogo!
mal eu gritei: água!
que morro de sede
achei-me encostado à parede
gritando: Livrai-me da sede!
e o mar inteiro entrou na minha casa

E nos teus olhos inundados do mar
eu naveguei contra minha vontade
mas deixa lá, que este barco a viajar
há-de chegar à gare da sua cidade
e ao desembarque a terra será mais firme
há quem afirme
há quem assegure
que é depois da vida
que a gente encontra a paz prometida
por mim marquei-lhe encontro na vida
marquei-lhe encontro ao fim da tempestade

Da tempestade, o que se teve em comum
é aquilo que nos separa depois
e os barcos passam a ser um e um
onde uma vez quiseram quase ser dois
e a tempestade deixa o mar encrespado
por isso cuidado
mesmo muito cuidado
que é frágil o pano
que veste as velas do desengano
que nos empurra em novo oceano
frágil e resistente ao mesmo tempo

Mas isto é um canto
e não um lamento
já disse o que sinto
agora façamos o ponto
e mudemos de assunto
sim?

domingo, outubro 17, 2010

A gente vai continuar



Nunca mais aprendo que há memórias e pessoas que pertencem ao passado e que convocá-las para o presente é um esforço (unilateral) inútil.

segunda-feira, setembro 13, 2010

Cara de anjo mau



Aos velhos tempos...

sexta-feira, junho 11, 2010

quinta-feira, maio 20, 2010

domingo, fevereiro 07, 2010

optimista-céptico (a)



Algumas coisas más só acontecem aos outros e tudo tem uma solução; certas coisas boas também só acontecem aos outros.

domingo, março 01, 2009

o meu amor existe

O meu amor tem lábios de silêncio E mãos de bailarina E voa como o vento E abraça-me onde a solidão termina O meu amor tem trinta mil cavalos A galopar no peito E um sorriso só dele Que nasce quando a seu lado eu me deito O meu amor ensinou-me a chegar Sedento de ternura Sarou as minhas feridas E pôs-me a salvo para além da loucura. O meu amor ensinou-me a partir Nalguma noite triste Mas antes, ensinou-me A não esquecer que o meu amor existe