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sábado, setembro 28, 2024

Rimas prontas para pessoas tontas

 

Era uma vez um gato espanhol
que passava os dias a tostar ao sol.
Quando tinha fome, comia um rissol
e, se bem calhava, bebia um Sumol.

                      *

Era um pato peripato
que dormia num sapato
e um gato pigmeu
que nada tinha de seu
e um cão mandrião
que não aprendia a lição.

Veio o vento barulhento,
levou tudo pelo ar.
Foi-se o pato, foi-se o gato
e até o meu sapato.
Foi-se o cão mandrião.
Só ficou esta canção.

                  *

Havia um pintor
que pintava com amor.
Usava trincha e pincel
e chamava-se Manuel.

Estas e outras rimas surgiram de improviso, no contacto diário com a minha mãe. As rimas, quanto mais disparatadas ou algo maliciosas, assim como algumas canções infantis ou populares (a "Laurindinha" é uma das preferidas) fazem-na rir ou despertam nela memórias antigas. Inventar rimas ou pequenas narrativas para justificar o lugar onde está ou a ausência de alguém é um desafio constante. Sobra-me pouco tempo para outras "criações". 

domingo, outubro 01, 2017

Gato


Em Barcelona, neste dia (um qualquer de Agosto de 2017) mais calma

Gato
Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?
Alexandre O'Neill