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segunda-feira, julho 23, 2018

Cumplicidades


Um dia, deu-se conta de que é um espírito rebelde. Não conseguindo libertar-se de regras, convenções e obrigações, sejam legais, sociais ou sentimentais, fá-lo através da leitura. Talvez não seja coincidência o facto de se ter apaixonado, primeira na adolescência, e depois na transição desta para a a idade adulta, por personagens que procuram, pela aventura ou pela errância, ir contra as convenções. Quem sabe se Holden, de The Catcher in the Rye, ou Larry, de O Fio da Navalha, e outras personagens das quais se foi, ao longo de décadas,  tornando cúmplice, não são o seu alter-ego, que não sabe outra forma de se exprimir?

sexta-feira, janeiro 29, 2010

J. D. Salinger (R.I.P.)

(Imagem da net)
Conheço pouco de J. D. Salinger, mas é dele uma das personagens que mais me apaixonou e que mais me fez companhia desde os meus dezassete anos. O autor partiu na 4.ª-feira, mas deixa comigo Holden Caulfield, o protagonista rebelde de The Catcher in the Rye (em português Uma Agulha no Palheiro ou À Espera no Centeio), que de leitura obrigatória de Inglês passou a livro de culto, não só para mim, mas para algumas pessoas que conheço e, ao que parece, para muitos leitores do mundo inteiro.
Além disso, a obra é referida em filmes (Teoria da Conspiração, com Mel Gibson, por exemplo) e ficou associada à trágica morte de Jonh Lennon, uma vez que o homem que o matou transportava consigo um exemplar.

sexta-feira, junho 05, 2009

reciprocidade

Uma amiga, para me desejar bom fim-de-semana, enviou-me (e relembrou-me) esta passagem de um dos livros que li repetidamente - a primeira quando estava a fazer 18 anos. Partilho-a convosco.
Descobrirás que não és a primeira pessoa a quem o comportamento humano alguma vez perturbou, assustou ou mesmo enojou. Não estás de modo nenhum sozinho nesse ponto, e isso deve servir-te de incitamento e de estímulo. Muitos, muitos homens se sentiram tão perturbados, moralmente e espiritualmente, como tu estás agora. Felizmente, alguns deles deixaram memórias dessa perturbação. Hás-de aprender com eles... se quiseres aprender. Tal como um dia, se tiveres alguma coisa para dar, alguém há-de aprender contigo. É um belo tratado de reciprocidade. E isto não é instrução. É história. É poesia.(...) Não estou a tentar dizer-te que só os homens instruídos e com estudos estão preparados para dar alguma coisa ao mundo. Não é verdade. Mas afirmo que os homens instruídos e com estudos, se, para começar, forem inteligentes e criativos, o que, infelizmente, raramente acontece, tendem a deixar atrás deles memórias mais valiosas do que os homens simplesmente brilhantes e criativos. Tendem a exprimir-se mais claramente, e normalmente têm a paixão de seguir os seus próprios pensamentos até ao fim. E, o que é mais importante, nove em cada dez vezes são mais humildes do que os pensadores sem estudos.
Salinger, À Espera no Centeio

sexta-feira, maio 02, 2008

complexo de avestruz?

Garanto-vos: nunca desejei ser mais velha, nem ter dezoito anos - para poder sair à noite, para ser independente, para ter a carta de condução... Só me lembro de invejar os mais novos. Talvez por isso me tenha identificado tanto com Holden (a ponto de ficar de certa forma angustiada por não poder conhecê-lo), o protagonista de The Catcher in the Rye, de J. D. Salinger, que li, pela primeira vez, numas férias da Páscoa, quando estava quase a fazer dezoito anos. Holden fascinou-me provavelmente por ser rebelde, frágil e inconformado e por se recusar veementemente a crescer, a ponto de adoecer.
Há dias em que sentimos vontade de sermos mais novos. Para não termos responsabilidades. Para não sermos confrontados com os nossos erros. Para não respondermos pelos erros dos outros. Para não termos que dar a mão à palmatória.
Há dias em que sentimos uma irresístível vontade de tirarmos umas férias antes de tempo, de ficarmos doentes, de enlouquecermos... Os sábios não nos perdoariam a imaturidade, a inconsequência, a irresponsabilidade, menos ainda a insanidade - esta implica sempre a complacência que dá trabalho e um sábio não se dá a esse trabalho. For God's sake!

quarta-feira, novembro 22, 2006

há dias...

... em que é tão difícil ser crescida!
"Anyway, I keep picturing all these little kids playing some game in this big field of rye and all. Thousands of little kids, and nobody's around—nobody big, I mean—except me. And I'm standing on the edge of some crazy cliff. What I have to do, I have to catch everybody if they start to go over the cliff—I mean if they're running and they don't look where they're going I have to come out from somewhere and catch them. That's all I'd do all day. I'd just be the catcher in the rye and all. I know it's crazy, but that's the only thing I'd really like to be. I know it's crazy."
J. D. Salinger, in The Catcher in the Rye

quinta-feira, outubro 27, 2005

The catcher in the rye

 
Há momentos, encontrei, por mero acaso, um blog em que se falava de The Catcher in the Rye (À Espera do Centeio, na tradução mais actual), de J. D. Salinger.
Subitamente, senti saudades de Holden, o protagonista, como de um amigo especial que não vejo há anos.
Quando li a obra pela primeira vez (depois disso devo tê-lo feito mais três ou quatro), apaixonei-me de tal forma por Holden que não queria de modo nenhum, se tivesse essa possibilidade, conhecê-lo para não quebrar o encanto.
De vez em quando, para matar saudades, pego no livro e releio umas passagens.