Levanto-me do sofá, onde, sucumbindo a espaços ao sono, assisti a uma mais-do-que-repetida série na tv. Antes de desligar a luz para dormir, pego num livro. Algumas – duas? três? – páginas depois, o sono arremessa o livro contra o meu rosto. Não desisto. Contudo, o meu esforço não vai além de uma página. Rendo-me e decido, finalmente, abandonar o livro e desligar a luz. Ironicamente, sinto-me desperta. Ligo de novo a luz e levanto-me.
Nada me ocorre que possa pesar-me na consciência. Pesam-me as pálpebras, isso sim, de sono. Nada que me faça doer a alma. Antes o corpo e, ligeiramente, a cabeça, de cansaço.
Tudo à minha volta parece imerso num silêncio pesado. No exterior, apenas o ladrar abafado de alguns cães.
Depois destas linhas, o sono e o contrário dele ainda se degladiam e o meu nariz, resistente ao soro fisiológico e à água do mar, teima em dificultar-me a respiração.
De súbito, há um sinal do início do dia – ou será do fim da noite? - : o som de uma porta a abrir, passos na escada.
Gosto dos sons e da luz que anunciam o dia, mas não menos de poder dormir e descansar. Será que é desta?
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Aqui estou eu, de novo, sem ter pregado olho - nem um só minuto!
Há muito que não testemunhava o acordar e espreguiçar dos dias e que não surpreendia, em diferentes recantos da minha casa, uma luz diferente - por isto, e só por isto, valeu a pena não ter dormido.