Mostrar mensagens com a etiqueta telhados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta telhados. Mostrar todas as mensagens

sábado, maio 13, 2017

Cai, chuva, cai


Cai, chuva, cai.
Derruba tua impiedade
sobre os homens,

Cai, chuva, cai.
Atira a tua fúria contra o asfalto,
faz ganir de dor o metal
de varandas e caleiras.

Cai, chuva, cai.
Concede aos campos
e às culturas a tua misericórdia.

Cai, chuva, cai...
Devolve-me as horas da infância,
o odor do musgo e da terra molhada,
a solidão das ruas da aldeia,
em melancólica comunhão
com o fumo das lareiras.

Cai, chuva, cai,
agora mansa,

e embala o meu sono.

deep, há minutos

sábado, outubro 17, 2015

Cada coisa a seu tempo


Telhados da Mouraria

Pois é, Lisboa,eu queria muito reconciliar-me contigo, mas, convenhamos, ultimamente arranjaste motivos, para somar aos que já tinha, para me afastar de ti. Sei bem que a culpa não é só tua. Na verdade, tu até te esforças por seres simpática: exibes sempre esse sorriso franco de cidade luminosa voltada para o rio, expias as tuas dores em fados que cantam dores alheias, insinuas-te em sete colinas. Ainda que reconheça e aprecie tudo isso, não estou preparada para um encontro - nem a promessa de que será na companhia do Pessoa me convence! Por enquanto, além dos quinhentos quilómetros que nunca superaremos, há um mar de mágoas a separar-nos.
Sabes bem que nem sempre me foste adversa, ainda que nunca tenha conseguido sentir-me completamente à vontade na tua presença. (Não te ofendas, mas continuo a preferir o Douro e a cidade cinzenta que o abraça.) Sabes bem que aprendi muito contigo, que me proporcionaste muitos momentos felizes. Não quero parecer ingrata. Só preciso de tempo. Sim, é só uma questão de tempo. Uma cidade antiga como tu está habituada a esperar. Sei, por isso, que esperarás por mim. Há que saber esperar, pois, como escreveu o poeta Pessoa, «Cada coisa a seu tempo tem seu tempo».

terça-feira, maio 13, 2014

Sob o céu de Lisboa


Não é uma boa foto, mas eu gosto dela...