domingo, março 10, 2019

Tradições, família, amigos, o planalto e o rio




Caminhada com passagem por uma aldeia abandonada. Na última imagem, as ruínas de um moinho.



Passagem por Podence, terras dos enigmáticos e carismáticos caretos.





Portas de Picote e o Douro visto do miradouro Fraga do Puio



 Miranda do Douro


Mogadouro - a árvore em frente ao que resta do castelo



sábado, março 09, 2019

Notícias do planalto

Aqui.

Aqui, o homem

Nem Baco nem meio Baco!:

Aqui é o homem,
desde as mãos ossudas e calosas,
desde o suor
ao sonho que transpõe as nebulosas.
Montes de pedra dura,
gólgotas
onde os geios são escadas!
Venham ver como sobe o desespero
e a esperança, de mãos dadas.

É o homem.
Isso é o homem.
– Nem sátiro nem fauno –
Uma vontade erguida em rubro gládio
que ganha a terra, palmo a palmo.

Vinhas que são o inferno,
o único
em que o fogo é a taça da alegria!
Venham ver um senhor
grandioso como o sol ao meio-dia.

Nem Baco nem meio Baco!:
Aqui é o homem
que nada há que não suporte
mas suporta e persiste.
Aqui é o homem até à morte.

António Cabral, Poemas Durienses

sábado, fevereiro 23, 2019

Yo, señor, no soy malo

«Yo, señor, no soy malo, aunque no me faltarían motivos para serlo.» - assim começa a autobiografia fictícia de Pascual Duarte, figura central da novela de Camilo José Cela, A Família de Pascual Duarte, publicada pela primeira vez em 1942.
                Com o intuito de conferir verosimilhança ao relato de Pascual Duarte, o autor apresenta-o como um manuscrito que o protagonista teria escrito enquanto esteve preso em Badajoz e que teria enviado, em 1937, a um conhecido seu, para que fosse publicado, tornando, assim, públicos os motivos dos vários crimes que cometera. Cela, em notas anteriores e posteriores ao discurso do protagonista, faz-nos acreditar que o manuscrito teria sido encontrado no balcão de uma farmácia na localidade de Almendralejo, pelo próprio transcritor. Entre essas notas, encontra-se a carta em que o prisioneiro recomendava a publicação do seu manuscrito.
                Pascual Duarte, habitante numa pequena aldeia do interior de Espanha, dá-nos conta, no seu relato, de que a vida lhe trouxe mais dissabores do que alegrias. Testemunha de um mundo em que prevalece o trágico, torna-se numa pessoa amarga e intempestiva, na vítima de um destino inexorável, que o conduz à perdição. É, aliás, ao destino que ele atribui a responsabilidade pela sequência de assassinatos que comete, que tem início com a morte da cadela, a Chispa, e que termina com a morte da própria mãe.
                Pela violência das descrições e pela crueza de linguagem que perpassam nas suas páginas, a primeira obra de Cela viu-se, em pleno franquismo, entre os livros proibidos e rotulada como precursora de um estilo literário que, em Espanha, ficou conhecido como “Tremendismo”.
                Camilo José Cela, que nasceu em Iria Flávia (Corunha), em 1916, e faleceu em Madrid, em 2002, foi galardoado, em Espanha, com o Prémio Nacional de Literatura e com o Prémio Príncipe das Astúrias. Em 1989, a academia sueca atribuiu-lhe o Prémio Nobel, pelo conjunto da sua obra.

                Da sua vasta obra, destacam-se, além de A Família de Pascual Duarte, A Colmeia (1951), São Camilo (1969) e Mazurca para Dois Mortos (1983).

[Texto escrito para a rubrica "Os livros que nos devoram" (título inspirado em Os livros que devoraram o meu pai, do Afonso Cruz), do Pomar de Letras]

domingo, fevereiro 17, 2019

Vá, diz

Vá, diz que nunca pisaste uma formiga
sem logo sentir o luto dos remorsos subterrâneos
das cidades em crepes.

Diz que só foste infame em becos pessoais
e nunca manchaste os dedos
na recusa de desfraldar bandeiras.

Vá, convence as pedras, os bichos e as cores
de que sempre emprestaste os olhos
ao incêndio do nascer do dia
-meu triste herói-de-merda mentiroso,
tão feliz de trazer no coração a dor do mundo
(do tamanho do peso de uma flor)


José Gomes Ferreira

Metáforas


Erika Khun

sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Sobre amizade e afectos

Ontem, não foi só um dia para os namorados. Também foi o dia, como devem sê-lo todos, de celebrar os amigos e os afetos.

Para todos quantos são amigos, virtuais ou reais, um "devaneio" sobre o valor da amizade, aqui em repetição.



Os amigos estendem a toalha
sobre a mesa e, sobre esta,
pousam, no lugar dos copos,
no lugar do pão e do vinho, o coração.
Para que te sirvas de afectos.

São ancoradouro para barcos cansados,
os amigos.
Depósitos de mágoas  - os amigos.
São eternos adolescentes rebeldes – os amigos -,
que ouvem, nostálgicos, os álbuns dos Pink Floyd
e cantam repetidamente Wish you were here,


esquecidos da passagem do tempo e das modas.

deep, Julho de 2017

segunda-feira, fevereiro 11, 2019

Mulheres

Fica a dica.


domingo, fevereiro 10, 2019

Outro nome


Cláudia R. Sampaio, Outro nome para a solidão

Da tão primeira nuvem que avistares


Imagem surripiada de uma página de Facebook

Daniel Faria, Poesia