sexta-feira, julho 10, 2020

Quando falta a destreza


(Imagem da net)

Ainda que tenha aprendido uns rudimentos de certas manualidades, falta-me destreza para este tipo de trabalhos, sobretudo para a bricolage. Ainda assim, há dias, entrei, decidida, numa loja de materiais de construção e apetrechei-me de tudo o que julguei necessário para pintar alguns compartimentos da casa: escadote, balde de tinta, massa de gesso, primário, espátula, trincha, rolos, cabo extensível para os rolos, fita de pintor e balde. Cheguei tão entusiasmada a casa que, apesar de ser quase noite, dei início à tarefa, começando por isolar todos os interruptores e portas dos compartimentos que dão para o hall e por colocar o primário numa das paredes que, há anos, tive a ideia peregrina de pintar de vermelho escuro. O desalento tomou o lugar do entusiasmo, quando percebi que teria de pintar todas as paredes mais do que uma vez. Dois dias depois, findo o trabalho, tenho de render-me ao óbvio: não tenho talento para pintora, ainda que seja de paredes, porque também para pintar paredes é preciso ter jeito e gosto.
Parece que vou ter de voltar ao plano A: contratar alguém para fazer aquilo que eu, definitivamente, não sei fazer.

quinta-feira, julho 09, 2020

Caim


Caim, de José Saramago, foi a minha última leitura. Na obra, em que o narrador vai solicitando a atenção e a cumplicidade do leitor, Caim é o protagonista que, depois de matar o irmão, vê a sua vida poupada por Deus, mas condenado a errar pelo mundo e por diferentes épocas, sem uma ordem cronológica. É pelos olhos de Caim, que se rebela contra a divindade, que Saramago desconstrói alguns episódios do Antigo Testamento, sempre no tom irónico e crítico que o caracteriza.

sábado, julho 04, 2020

Lavar e reutilizar

Lembro-me de que, quando era criança, as pessoas, em particular as que viviam na aldeia, davam-se ao trabalho de lavar os sacos de plástico, por estes não serem de uso comum.  Quando iam ao soto (a mercearia onde se encontrava um pouco de tudo) comprar qualquer coisa, levavam-na, por norma, nas mãos ou no avental.Tenho até memória de ver, numa corda, a secar, um saco de uma qualquer marca de pronto a vestir, de um plástico mais resistente, que tinha sido costurado, para poder ser utilizado por mais tempo. A minha mãe ainda hoje lava e põe a secar alguns sacos, por considerar que é um desperdício deitar fora aquilo que ainda pode ser útil.
Durante quase toda a minha vida, guardei apenas os sacos limpos de supermercado (que fui, gradualmente, substituindo por outros mais resistentes, reutilizáveis) e da fruta e legumes, se inequivocamente limpos, deitando fora os sacos sujos. Nos últimos tempos, em tempos de pandemia, tenho dado comigo a lavar e a pôr ao sol tudo o que é saco, depois de limpas e arrumadas as compras.

quarta-feira, julho 01, 2020

domingo, junho 28, 2020

Luz e sombra


Manuel Amado, Estrada da Comenda (1993)

Soy pan, soy paz, soy más

segunda-feira, junho 22, 2020

sábado, junho 20, 2020

Sentaram-se na areia e descalçaram os sapatos


Sentaram-se na areia e descalçaram os sapatos.
Puseram-se a contar pelos dedos os barcos
que faltariam para chegar o verão.

Maria do Rosário Pedreira

sexta-feira, junho 19, 2020

Léxico da luz e da escuridão


Terminei hoje a leitura de Léxico da luz e da escuridão, que me foi oferecido há dias. Já li muitos livros sobre o Holocausto, mas nenhum cuja ação tenha como palco a Noruega.
Para escrever a obra, o autor, Simon Stranger, inspirou-se em relatos de familiares da sua esposa e em pesquisas que desenvolveu e através das quais procurou conhecer melhor a vida e os motivos de Henry Oliver Rinnan, considerado o maior criminoso norueguês de todos os tempos. Rinnan, que se revelou, durante a infância e a juventude, uma pessoa reservada, cordial e pacífica, acabou por aceitar ser informador dos alemães, aquando da ocupação da Noruega, tendo, ao longo de alguns anos, como líder de um grupo, denunciado e executado impiedosamente um grande número de noruegueses.
Apesar da crueza do tema e da narrativa, o autor construiu a sua obra de uma forma habilidosa e cativante.

RIP, CRZ


Barcelona, 2017

«O destino costuma estar ao virar da esquina. Como se fosse um gatuno, uma rameira ou um vendedor de lotaria: as suas três encarnações mais batidas. Mas o que não faz é visitas ao domicílio. É preciso ir atrás dele.»
Carlos Ruiz Zafón, A Sombra do Vento, Dom Quixote

Além de A sombra do vento, li vários livros do autor  incluindo a sequela, O jogo do anjo, que ofereci a mim própria num aniversário, na versão em castelhano. Depois de ler A sombra do vento, e posteriormente A catedral do mar, de Ildefonso Falcones, que a minha vontade de conhecer Barcelona se tornou uma urgência. Zafón só tinha 55 anos, um jovem nos padrões actuais. Quanto não teria ainda para escrever?