sábado, outubro 19, 2019

14 anos

Há 14 anos, nascia este blogue. É estranho como parece longínquo e, ao mesmo tempo, tão próximo esse início. Desde então, conheci muitas pessoas, algumas das quais fora do espaço virtual. Todas, de uma ou de outra forma, contribuíram para que me tornasse uma pessoa mais rica.
Nos últimos tempos, a prosa dos dias tem-me roubado a disposição e o tempo para pôr esta "casa" em ordem e para ler assiduamente os blogues que costumava frequentar. Ainda assim, não penso desistir. 
Obrigada a todos quantos têm contribuído para que ainda haja, por aqui, paredes e tecto!

Junto à água

Os homens temem as longas viagens
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.

Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa, às vontades da infância,
ao velho portão em ruínas, à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas.

Quantas vezes em
desolados quartos de hotel
esperei em vão que me batesses à porta,
voz da infância, que o teu silêncio me chamasse!

E perdi-vos para sempre entre prédios altos,
sonhos de beleza, e em ruas intermináveis,
e no meio das multidões dos aeroportos.
Agora só quero dormir um sono sem olhos

e sem escuridão, sob um telhado por fim.
À minha volta estilhaça-se
o meu rosto em infinitos espelhos
e desmoronam-se os meus retratos na moldura.

Só quero um sítio onde pousar a cabeça.
Anoitece em todas as cidades do mundo,
acenderam-se as luzes de corredores sonâmbulos
onde o meu coração, falando, vagueia.

Manuel António Pina, Um sítio onde pousar a cabeça

terça-feira, outubro 01, 2019

domingo, setembro 22, 2019

Parabéns, parabéns!

Votos de muitos dias felizes para a ana e para a CC!
Abraços


(Um desenho da mana)

Para ser grande, sê inteiro: nada
        Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
        No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
        Brilha, porque alta vive.
14-2-1933
Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa.

Why do we dream?

segunda-feira, setembro 16, 2019

faz-se tarde

faz-se tarde
e eu deixei de esperar-te


todos os portos se fecham sobre mim
e a floresta adensa-se

nenhuma clareira se abre à passagem dos
animais e do homem antigo

são 4 horas na manhã de todos os relógios

José Agostinho Baptista, Deste lado onde

sábado, setembro 14, 2019

Num sítio perto do pensamento

«Inventar poemas. (...) Tens razão. Tinha as palavras todas num sítio perto do pensamento. Quase lá. Mas o circuito é infindável e as palavras são matreiras. Gostam de se esconder e, quando vamos dar com elas, estão nos textos dos outros. [...] 
Inútil ir à procura das palavras. [...] Mesmo que vá dar com as malvadas, com as palavras verdadeiras, com as palavras minhas, nos textos dos outros.»

Julieta Monginho, A Terceira Mãe

segunda-feira, setembro 09, 2019

Outras leituras deste verão




De paso

No es el tiempo
el que pasa.
Eres tú
que te alejas
apresuradamente
hacia la sombra,
y vas dejando caer,
como el que se despoja
de sus bienes,
todo aquello que amaste,
las horas
que te hicieron la dicha,
amigos
en quienes hubo un día
refugio tu tristeza,
sueños
inacabados.
Al final, casi
vacías las manos,
te preguntas
en qué momento
se te fue la vida,
se te sigue yendo,
como u hilo de agua
entre los dedos.
Meira Delmar (poetisa colombiana)

sábado, agosto 17, 2019

Viagens na minha terra


Mogadouro



Freixo de Espada-à.Cinta



O Douro, visto do Penedo Durão (Freixo)


Museu do Douro (Régua)


Vinhas do Douro


O Pinhão, visto do comboio (viagem de regresso ao Pocinho)




Estação do Pinhão


Estação do Tua



Rio Tua




Praia fluvial da Congida (Freixo)


Bragança em festa