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sexta-feira, julho 20, 2018

O tempo voa


Há cinco anos, apanhada a fotografar pormenores no castelo de Bragança.

domingo, março 04, 2018

Esconde-esconde


Quando jogava ao esconde-esconde na minha rua - tinha 12 ou 13 anos - fui surprendida pela máquina de um vizinho, que acabou por se tornar jornalista.

sábado, novembro 25, 2017

domingo, outubro 08, 2017

Retrato

A foto do cartão da escola do 9.º ano

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


Cecília Meireles, Antologia Poética

quinta-feira, julho 27, 2017

Não podemos


querer ser quem não somos...

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Adolescência




Até aos doze anos, fui gordinha, embora nunca tivesse sido verdadeiramente comilona, como hoje também não sou e, para mal da minha bolsa, continuo com peso a mais. Um dia, depois de muito invejar as amigas magras e de sofrer com os "ataques" de um colega de turma, em particular, que me perseguia no caminho para casa, com palavras menos simpáticas sobre o meu aspecto, determinei passar fome. Ainda hoje recordo a sensação de estômago vazio e da capacidade de aguentar essa sensação. Em pouco tempo, deixei de conseguir comer. Uma batata,por pequena que fosse parecia ocupar todo o estômago. Em poucos meses, emagreci a olhos vistos. Na história não entraram psicólogos, nutricionistas, nem pedopsiquiatras, só médicos de clínica geral, que prescreveram vitaminas, como recordo. Algum tempo depois, sem saber como nem porquê, recuperei o apetite e o peso suficiente para parecer (e ser) uma adolescente saudável.
Ontem, ocorreram-me este episódio do início da minha adolescência e esta foto, quando a minha sobrinha mais velha, que tem a idade que eu tinha quando a foto foi tirada, ou seja, treze anos, se lamentava por ser magra demais. 


quarta-feira, junho 29, 2016

Em repetição

Segue os trilhos da infância.
Não os percas de vista.

Neles, encontrarás um som.
Talvez o chiar dos carros de bois 
de regresso à aldeia,
no fim de uma tarde de Verão,
talvez o canto das cigarras.

Segue-os...
Neles, encontrarás aquele raio de luz
que, intrometendo-se pelas frinchas do telhado,
ilumina os objetos quotidianos que repousam
sobre a mesa e sobre o velho escano.

Segue esses trilhos primeiros...
Neles, habitam ainda o aroma amargo
das giestas e o toque resinoso das estevas.

Encontrarás pedras, é certo.
Cobrir-te-ás de pó... não duvides.

Mas deles emergirão as vozes
que te seguram e que te guiam

no regresso a ti.

deep, 8 e 9 de Fevereiro de 2016


Para ouvir aqui. (A gravação é uma experiência, apenas.)

domingo, junho 26, 2016

Pois podiam

Estas palavras podiam ser minhas tantas vezes. 

sexta-feira, junho 24, 2016

Talvez seja...

Sem criatividade, sem tempo, sem vontade... 

Há trabalhos que, ao fim de algum tempo, nos "matam"... 

Só me ocorre Campos:


Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.


Bom fim-de-semana para quem (ainda) passa. :)

sábado, dezembro 12, 2015

Pequenos prazeres


Fotografia, a serra, o sol, a companhia da mana...

Hoje, só a fotografia está ao meu alcance.

Bom Sábado para quem passa.

sexta-feira, novembro 20, 2015

No meio dos livros




Eu, na livraria Lello, no Porto, há uns anos. A foto é da autoria da mana.

terça-feira, junho 17, 2014

Luz


A pessoa que se vê na imagem sou eu, na tentativa de captar uma boa imagem daquela que é uma das minhas árvores de estimação e que se encontra em frente ao que sobra do castelo de Mogadouro. É uma árvore solitária, mas muito estimada e, por isso, sobejamente fotografada.
No dia em que a foto foi tirada, segunda-feira de Carnaval, tinha chovido e estava bastante frio, mais do que prevíramos, mas tal não nos impediu de fazer uma breve incursão pela zona do castelo.
A autora da foto, que tem dez anos e é filha da minha amiga mais antiga, editou-a e enviou-ma hoje por email.

quarta-feira, maio 07, 2014

Lugares

A pessoa que se vê na imagem sou eu, a caminhar nos jardins da Gulbenkian. No regresso à capital, senti vontade de revisitar este espaço e de o apresentar à minha afilhada mais velha (é ela a autora da foto). 



Ainda na adolescência e mais tarde, sobretudo no tempo da faculdade, sempre que ia a Lisboa, passar pela Gulbenkian era quase obrigatório. Foi aqui, no grande auditório, que assisti a um bailado da Pina Bausch. É também daqui que vem a primeira memória de uma exposição de impressionistas ou do primeiro contacto com a pintura de Amadeo de Souza Cardozo, de Almada e de outros modernistas portugueses. Lembro-me que visitei a exposição sobre os impressionistas, por altura do Dia Mundial da Música, entre dois concertos, um de piano e de violino, no pequeno auditório, e outro de orgão de tubos, no grande auditório.
Desta vez, a passagem por este mini paraíso ficou restrita à hora de almoço, pelo que nos limitamos a passear pelos jardins, com uma pausa muito breve para um café. Ainda assim, e apesar de continuar a preferir Serralves (os lisboetas que me desculpem), o regresso foi agradável.

segunda-feira, maio 27, 2013

Portas


Eu, apanhada em flagrante




sábado, março 16, 2013

Memórias da neve


(Esta foi a paisagem que, durante anos, pude avistar do meu quarto)

«(...) tenho saudades da neve, tudo branco, limpo, frio, silencioso, uma pureza quase virginal que tudo cobre, que tudo envolve, que tudo cinge. Uma pureza líquida que torna terra dócil e macia a cada passo que damos, uma pureza que nos transforma em manchas, borrões, sussurros, burburinhos, sombras num cenário quase transparente, quase silencioso. Um silêncio estranho, um silêncio em que conseguimos ouvir bater o coração da terra.
Lembro-me que abria a janela, e ali ficava, tempos sem fim, a olhar para as marcas que as pessoas deixavam na rua, a olhar para as árvores, despidas e vestidas de branco (...). Nada era triste, talvez tudo um nada melancólico (...).
Fazia frio, um frio sólido e silencioso, mas todos estavam na rua e toda a gente brincava. Estávamos isolados do mundo, mas tão próximos uns dos outros.»

Raquel Serejo Martins, A Solidão dos Inconstantes

Durante muitos anos, vivi no planalto. Dos quartos da casa avistávamos campos de cultivo quase planos e, a maior distância, a serra. Quando nevava, os campos cobriam-se de um branco imaculado que só perdia a sua pureza quando a neve derretia e tudo o que antes estivera coberto dessa brancura se mostrava então um tanto lúgubre. Recordo (talvez tenha sido apenas uma vez) que, quando ficava tudo branquinho, a minha mãe ia ao quarto acordar-me, pedia-me para olhar pela janela, que ficava quase por cima da cabeceira da cama, para que visse - e me maravilhasse - com aquela visão branca. Como a Raquel Serejo Martins, uma transmontana como eu, ficava à janela «tempos sem fim» e, também como ela, sentia esse «silêncio estranho», mas apaziguador, e que «Nada era triste, talvez tudo um nada melancólico».

domingo, março 10, 2013

Coisas pequenas



Alguém, por acaso, partilha uma música. De súbito, dás contigo a ouvi-la, em modo "repeat", à 1h da manhã. E, à medida que escutas música e palavras, há um sentimento que é um misto de saudade e tristeza que se acrescenta, até se tornar quase insuportável. Não consegues evitar lembrar-te de momentos de um passado longínquo e de pessoas que não regressam e que, por isso, não poderás mais abraçar. Apesar de tudo, num acto de masoquismo, continuas a ouvir a música, como se acreditasses que chorar na proporção da abundância da chuva deste dia possa apaziguar a tua dor, cuja origem, em parte, desconheces.

segunda-feira, março 04, 2013

Há dias assim

Esforço-me por buscar um lugar de conforto que me resgate deste sentimento em que me afundo e a que chamo tristeza, porque não encontro outro nome para lhe dar. Procuro antes de tudo, e em vão, a causa. Insisto, depois, em afastá-lo. Convoco, por isso, o sol de uma tarde de praia, uma conversa amena, um sorriso aberto, um qualquer momento em que fui feliz. Mas os fragmentos de passado que me assaltam não são felizes, não me trazem o calor e a luz de uma fogueira, a suavidade de uma brisa de um fim e tarde ou o doce perfume de uma madressilva. Talvez por isso esta sombra, que julgo ser um sentimento, teime em ficar como a chuva que, invasora, toma a noite como se fosse algo de definitivo, como se não houvesse, subitamente, outras cores além do cinzento e do negro.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Este país (também) não é para doentes

Até ficar doente, nos tempos que correm, é diferente. Antes, quando adoecias e, por força da doença, tinhas de faltar ao trabalho, ficavas de cama, se fosse preciso o dia inteiro, sem pesos de consciência.
Hoje, quando ficas doente e não tens outro remédio senão ficar em casa, pesa-te o trabalho que não consegues fazer em casa, aquele que fica por fazer no teu local de trabalho e pesa-te ainda - e chega a ofender-te - que te descontem um dia de ordenado, quando o estado em que te encontras não depende da tua vontade.

sábado, janeiro 12, 2013

Republicando-me


Não me reconheço como poeta, nem acredito que aquilo que escrevo tenha algum valor literário, ainda assim, por vezes, gosto de alguns devaneios meus. Hoje republico alguns.

I

Nessa tarde em que as aves

adivinhavam tempestades
recolhi as velas
e fiz-me barco ancorado.

Nessa tarde de sal e maresia
lancei os sonhos ao mar
e deixei que, num vaivém de espuma,
se fizessem ondas.

De olhos postos no horizonte em brasa,
fui concha e alga na orla do mar, fui farol...
E, no entanto, um maremoto me nascia no peito.

Outubro de 2012

II

Que deste outono,
Que se verte pelo chão
Em oiro e sangue,
Saiba colher o doce fruto
E agradecer o amor da terra
Que a meus pés se prostra.

Que nestes dias de sol morno
E luz macia
Não perca o trilho
Que há-de levar-me ao sul,
Ao mais íntimo de mim.

Que saiba perdoar o vento
Que, de mansinho, me despenteia
Os sonhos...


Setembro de 2012

III

Fecho os olhos
para que a noite
não perturbe
a memória da luz,
para que a brisa
seja só a leveza
de uma libélula
a roçar-me o rosto.

Caminho, tacteando,
e, sob os meus pés nus,
o chão de cascalho
é promessa do abismo.

Como os teus olhos...

Abril de 2012

IV

Pairo na espuma dos dias.
Vislumbro o azul,
fugaz e distante azul
que eu beberia
em sorvos lentos
se pudesse...

Da sombra das árvores,
do pó dos caminhos,
do amargo aroma das giestas
guardo a doce memória
num sonho que, a pouco e pouco
se esvai...

Novembro de 2012

V

Fito estes montes,
onde o crepúsculo
é um laivo de sangue,
um eco de xisto...

Procuro, na luz rubra,
um grito de ave,
um corpo em chama
que me restituam a voz
e me devolvam à vida.

Outubro de 2012

VI

Secaram-me os versos
quando o coração
no rigor dos dias se fez pedra.

Secou em mim o amor,
quando me recusaste a ternura líquida
dos teus olhos e o alimento
que ofertavas com as tuas mãos,
com o teu corpo em febre.

Tornaram-se secas as palavras,
até, noite após noite,
se perderem na negritude fria
das esperas.

Um grito de ave
corta o silêncio, fere a noite em cinza.
Afiada faca que dilacera,
que faz em pedaços o que era ainda
promessa em mim.

Junho de 2011

VII

Oiço a tua voz - reconhecê-la-ia
ainda que, subitamente, falasses
outra língua...

Oiço a tua voz, dizia, e, dentro de mim,
um vulcão ameaça entrar em erupção
para, de seguida, se desfazer num rio de lava.
Oiço-a e, por instantes, sou pássaro
em sinuoso voo,
sou margem venturosa de um rio que,
por descuido, extravasa o leito.

Sonho-a e, nos meus sonhos, a tua voz,
desconhecida, outra,
perde-se dos meus dedos e da possibilidade
de a recolher límpida e inocente no meu colo.

Março de 2011

VII

Nesse mar de hortênsias e de agapantos,
em que fitas a rubra linha do horizonte,
ecoa um mar de terra, bordado de
urzes, giestas e saudades.

Nas duras noite de basalto,
traças, com dedos que são de xisto
e são de lava,
outros reinos maravilhosos
onde a limpidez do azul
assoma e a inocência se reflecte.

Fevereiro de 2011

IX

Estão saradas todas as feridas:
as dos amores que partiram;
as dos amores que não chegaram a sê-lo;
as feridas das amizades
que se revelaram traições.Estão apaziguados os remorsos
das palavras ditas;
das palavras caladas;
dos passos em falso.
Outros virão, com ou sem aviso...Por ora, bastam-me estes olhos
para ver os crepúsculos,
bastam-me estas mãos com que cruzo os fios
que tecem os dias que reclamo meus
e só a mim pertencem...

Setembro de 2010

X

(Quase) um conselho

Sê ave graciosa e insatisfeita
em inquieto voo.
Sê orvalho e sê brisa... 
Sê a respiração da terra...

Nunca a sombra 
de corpos alheios,
nunca o vulto ancorado 
em noites sem dono,
nunca barco naufragado
em investidas de mágoa.

Sê sobre tudo,
sobretudo vive.

Junho de 2010

XI

Quase um poema

Quero falar-te do silêncio
e de como, nas horas de degredo,
amor e ódio se confundem.

Quero contar-te como, nas esperas,
a alma se perde em devaneios,
como as mãos se afundam, esquecidas,
no regaço, sem vida que as eleve.

Quero ouvir-te clamar,
aos quatro ventos e aos deuses todos,
que o amor é só um jogo que eles
inventaram para iludir a solidão.

Fevereiro de 2010


XII

Há um rumor

Há um rumor de folhagem

nas tardes lentas da infância, 
e há vozes longínquas 
que o calor estrangula. 

Sentada no silêncio, 
entregue à penumbra 
estendo as mãos, 
mas da limpidez 
e da frescura das fontes
os dedos tocam só a memória. 

De quando em quando, 
há ainda uma rã que me ensina
o desgaste das pedras,
a verdura dos limos,
há ainda o odor dos pomos 
que, debruçados,
trocam serenas palavras com a água.

Junho de 2009

XIII

Nem sempre no teu rosto
o silêncio é um plácido regato
onde me encontro e me espelho.

Nem sempre as aves
vêm saciar a sede
nas tuas mãos.

Nem sempre o teu peito
é porto de abrigo
onde amarro os meus sonhos
e aguardo o fim das tormentas.


Outubro de 2008

quarta-feira, novembro 14, 2012

Para agradar a uma sombra




Agora que já chorei o meu papel de solitário
posso virar a folha e declarar que, na verdade,
eu nunca estive sozinho. Tive sempre a boa companhia
da minha sombra. E não posso dizer
que nos déssemos mal: uns dias pior, outros pior.
Como todos os casais. Tínhamos (e temos)
a mesma idade, os mesmos gostos musicais,
um amor paralelo por fogo de lenha,
líamos os livros a meias, quase não gastávamos
nenhum oxigénio.

Dos dois era ela quem insistia, às vezes,
para irmos dançar. Mas eu, é claro, detestava
o tremedal das discotecas; amava mais depressa
o movimento descritivo dos romances
do que a Iuz hipotecada de um corpo distante.
Com o tempo, no entanto, foi crescendo esse litígio.
As nossas relações foram perdendo vulto
à medida que ela convidava mais gente
para a nossa cama. Até que um dia chegou a casa
e apresentou-me “o amor da nossa vida; agora
somos três”. E assim a minha sombra,
a minha ingrata começou a dizer coisas Iacerantes.
Por exemplo: “Vai tu ao cinema. Nós ficamos.”
Ou então: “Bem podemos, de vez em quando,
caminhar separados, ou não achas?” E fecha-se
no quarto com a outra, em colóquios ofegantes.
Altura em que, de raiva, saio porta fora.

Uma vida a três é talvez menos longa do que uma vida
a dois. Há um milímetro agora de distância entre mim
e a sombra. O espaço bastante para um raio de luz.
Não ficamos, realmente, pior do que estávamos.
Mas chega a ser enjoativo ver o trevo cor-de-rosa
que semeiam no quintal, felizes como duas estrelinhas
de cinema. Nem sei o que diga. Parecem crianças.


José Miguel Silva