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segunda-feira, março 02, 2026

Ausência


São nossos desde que nascemos, por isso, acreditamos, de uma crença irracional, que são eternos. Mesmo volvido um ano, continuamos a não acreditar, ou a preferir não acreditar, que já não estão connosco, que já não podemos ouvir-lhes a voz, confrontar-nos com as suas teimosias ou abrigarmo-nos na sua preocupação ou nos seus conselhos.

A ausência está na porta da casa que se fecha e onde temos renitência em voltar, no telefonema que falta e que confirmava preocupação e afeto e em tantas outras coisas.

A presença está nas memórias, nas aprendizagens e nos gestos que, consciente ou inconscientemente, imito, nos sons, nos aromas, em incontáveis registos, que os mais de 50 anos de convívio me proporcionaram.

segunda-feira, janeiro 05, 2026

Aceitar o dia. O que vier.


(Imagem captada na Serra de Bornes, em dezembro de 2025)

 2025 não foi um ano bom. Houve demasiadas perdas e mudanças.

Não traço projetos para este ano recém nascido. Só quero que seja mais sereno que o anterior e que eu seja suficientemente forte para aguentar o que vier.

Ocorre-me um poema de Rosa Alice Branco:

Aceitar o dia. O que vier.
Atravessar mais ruas do que casas,
mais gente do que ruas. Atravessar 
a pele até ao outro lado. Enquanto
faço e desfaço o dia. O teu coração
dorme comigo. Agasalha-me as noites
e as manhãs são frias quando me levanto.
E pergunto sempre onde estás e porque
as ruas deixaram de ser rios. Às vezes
uma gota de água cai ao chão
como se fosse uma lágrima. Às vezes
não há chão que baste para a enxugar.


sexta-feira, dezembro 05, 2025

É quase Natal

 Porque o Natal está quase aí e também se faz de boas memórias... 



Tu ignoras esse Natal
que persiste na minha memória
e me aconchega.
Falo desse Natal que é ainda o meu avô
a abrir a porta que dava para o cortinheiro
às manhãs frias.
Ou um santo António
a assomar numa nota de vinte escudos,
a cor e o aroma das tangerinas
e das laranjas, que se ofertavam ao menino.
O Natal em que a roupa dormia, gelada,
no estendal da varanda,
a chama e o calor da fogueira que procurávamos
depois da missa do galo, quando as luzes da aldeia
se apagavam.
Os almanaques do tio, o arroz doce da tia,
que repousava na sala que só se abria
para as visitas em dias de festa.
Foi num desses natais
que recebi o meu primeiro relógio.
A partir de então,
aprendi a voracidade das horas,
o efeito corruptor do tempo.

deep, dezembro de 2013

Este ano, infelizmente, é menos uma pessoa querida à mesa. Restam as boas memórias e a saudade.

domingo, setembro 28, 2025

Cores de outono

Ontem, foi dia de vindima e de convívio em família. À socapa, procurando não descurar o trabalho, fui captando alguns pormenores outonais.


    





 

Vale mais tarde...

 Parabéns, ana e CC!

Votos de dias muito felizes.

Hoje só tenho para oferecer uma paisagem do meu paraíso e um poema do transmontano (e muito premiado) A. M. Pires Cabral.



Não me mostres nenhum norte
nem estradas para lá:
são tudo embustes.

Mostra-me antes pedras, folhas mortas
de Outono atapetando o chão das matas,
voos de libelinha rasando o sol poente,
cândidas risadas infantis.

Quero eu dizer: mostra-me coisas
daquelas que se corrompem sem pressa.


segunda-feira, março 10, 2025

A Natureza não faz pausas...

 Alheia ao que sentimos, às cores lúgubres que se instalam dentro de nós, a Primavera chega, para tingir de cor os campos.



domingo, dezembro 29, 2024

Boas Festas e votos de um 2025 feliz...

 ... para quem (ainda) passa.



INVERNO

Velho, velho, velho
Chegou o Inverno.

Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,
O chão onde passa
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas
Perto do fogão:
Quando as procurou,
Roubara-as um cão.

Com medo do frio
Encosta-se a nós:
Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.

Eugénio de Andrade, Aquela nuvem e outras 

Ver menos


domingo, agosto 18, 2024

Parabéns!

 Votos de muitos dias felizes, com saúde e boa disposição, Isabel! :)



(Conheci a Isabel na blogosfera, mas que tive o prazer de a conhecer pessoalmente, há alguns anos.)

Para ti, uma imagem de Trás-os-Montes, que captei há dois dias. 

terça-feira, julho 30, 2024

De regresso ao planalto

No domingo, regressei a Mogadouro, a terra que me acolheu desde os 4 anos até à minha saída para a faculdade e onde regressei sempre nas férias, enquanto os meus pais ali moraram.
Desta vez, dei um salto ao Festival Terra Transmontana, que já conta com algumas edições.
Ficam alguns registos fotográficos.










 

sexta-feira, junho 09, 2023

A idade do cacifo


 "A idade do cacifo", que estreou no dia 25 de maio, no Teatro de Vila Real, é a mais recente produção da companhia Peripécia.
Os primeiros protagonistas da peça são três cacifos, que se impõem, em cena, cinzentos, metálicos e mudos. Só depois o palco acolhe os corpos e vozes humanos: três atores e um músico, que não deixa, a seu tempo, de ser ator. Todos versáteis na forma como se movem em palco e como encarnam diferentes personagens.  
A peça é um mergulho no mundo dos adolescentes, que vivem murados pelas regras impostas pelos adultos - pais e professores -, pelos estereótipos, pela escola ou pelos seus próprios conflitos interiores, por medos e anseios. Durante 70 minutos, seguimos, ora em apneia, ora num respirar de riso.
Em cena, desfilam medos, anseios, dilemas e conflitos, que são interiores ou com os outros. A música, não raramente agressiva, e o canto ditam a tensão emocional, o conflito interior ou exprimem a rebeldia, a necessidade de provocar, de se exprimir e de se afirmar.
Em "A idade do cacifo" há, numa aliança entre o cómico e o sério (muito sério!), essa vontade de deixar pouco por dizer, de, ao mesmo tempo, apontar o dedo e de cauterizar feridas. Há os pais que não querem ver e os que, obstinados, impõem regras, há os agressores e as vítimas, há os que sobrevivem e os que sucumbem. Há, inevitavelmente, os que saem do armário, perdão, do cacifo e aqueles que, por medo, inércia ou preconceito - próprio ou alheio -, se deixam ficar.
"A idade do cacifo" resulta nesse espelho em que nos vemos refletidos, jovens e adultos. Há esse efeito catártico, que se faz pela gargalhada e pelo confronto.

terça-feira, maio 09, 2023

quinta-feira, maio 05, 2022

T-o-M





Chaves: castelo, rio Tâmega, Termas Romanas e ponte de Trajano

 

segunda-feira, abril 11, 2022

segunda-feira, novembro 15, 2021

O meu Outono







Não é lazer... é trabalho de fim-de-semana.

 

quarta-feira, setembro 22, 2021

Felicidades, muitas...

Um nascer do Sol em Trás-os-Montes e um poema para a ana e para a CC, que hoje estão de Parabéns.



Indago a forma definitiva do outono.
Um diálogo pode mudar a paisagem.
Fazer nascer um poema.
Criar obsessões.
Destruir emboscadas.
Cada instante é a metamorfose
de uma asfixia interior.
Confundo os caracteres e um imaginário
se revela numa iconografia fantástica.
Nas entrelinhas, um espectáculo de ironias
reitera entregas e recusas
como um dever por cumprir.
Graça Pires, Outono: lugar frágil, 1994

 

sexta-feira, maio 21, 2021

Fim da tarde


Do meu passeio do fim da tarde.

 

domingo, abril 04, 2021