segunda-feira, março 02, 2026

Ausência


São nossos desde que nascemos, por isso, acreditamos, de uma crença irracional, que são eternos. Mesmo volvido um ano, continuamos a não acreditar, ou a preferir não acreditar, que já não estão connosco, que já não podemos ouvir-lhes a voz, confrontar-nos com as suas teimosias ou abrigarmo-nos na sua preocupação ou nos seus conselhos.

A ausência está na porta da casa que se fecha e onde temos renitência em voltar, no telefonema que falta e que confirmava preocupação e afeto e em tantas outras coisas.

A presença está nas memórias, nas aprendizagens e nos gestos que, consciente ou inconscientemente, imito, nos sons, nos aromas, em incontáveis registos, que os mais de 50 anos de convívio me proporcionaram.

4 comentários:

  1. Compreendo-te perfeitamente. A vida nunca mais é igual. Há sempre lugares vazios, nas reuniões, que nunca mais serão ocupados. Mas é a vida.
    O meu pai faleceu vai fazer 20 anos em Setembro e não houve um único dia que não me lembrasse dele. Assim como a minha mãe, já lá vão quase 3 anos. Tenho-os sempre comigo.
    Beijinhos. Boa semana😊

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    1. Ainda estou a aprender, Isabel. Espero alcançar alguma serenidade, com o tempo. Bom resto de semana. :) Beijinhos

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  2. Aprendi a não temer o que não volta, apenas a acolher o que permanece. Porque os meus mortos não partiram: transformaram-se em voz, em gesto, em brisa. E sei que a eternidade possível passa por um pequeno exercício que, cada um de nós, pode fazer à sua maneira: lembrando.

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    1. Estou a tentar focar-me nas memórias boas, para as manter vivas, para me alimentarem e serenarem, Hipatia. Bom resto de semana. Abraço. :)

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