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quinta-feira, fevereiro 11, 2016

A poesia

«Porque a poesia, verdadeiramente, tem esta tarefa sublime: pegar na dor que espuma e ronca na nossa alma e sossegá-la, transfigurá-la na calma suprema da arte, como fazem os rios ao desaguar na vastidão celeste do mar.»
Antonia Pozzi

                                                              (Numa parede em Tomar)

A poesia, como a escrita, tem esse poder de exorcizar alguns fantasmas, de cauterizar feridas. Tê-lo-á de facto ou tudo não passa de ilusão?
A poesia tem, pelo menos, essa capacidade de ser espelho, onde nos vemos refectidos, o que somos e o que sentimos, mas ela é, sobretudo, a forma incisiva que encontramos para nos exprimirmos, para nos dizermos com palavras alheias que não soubemos encontrar nem ordenar como gostaríamos.

domingo, agosto 23, 2015

A poesia está na rua?


(Numa parede, em Tomar)

Sim. Está nos traços que compõem os edifícios, nos pormenores de portas e janelas. Está nos olhares, nas vozes ou nos gestos das pessoas que se cruzam connosco. Na sombra e nas bebidas frescas que, nas esplanadas das cidades em que somos forasteiros, nos resgatam da impiedade da canícula. No dolce far niente dos gatos nas soleiras das portas. Na cor viva das buganvílias, que assomam de alguns muros. Nos castelos que olham sobranceiros as cidades que se tornaram excessivas para o espaço acanhado do interior das muralhas.