«Porque a poesia, verdadeiramente, tem esta tarefa sublime: pegar na dor que espuma e ronca na nossa alma e sossegá-la, transfigurá-la na calma suprema da arte, como fazem os rios ao desaguar na vastidão celeste do mar.»
Antonia Pozzi
A poesia, como a escrita, tem esse poder de exorcizar alguns fantasmas, de cauterizar feridas. Tê-lo-á de facto ou tudo não passa de ilusão?
A poesia tem, pelo menos, essa capacidade de ser espelho, onde nos vemos refectidos, o que somos e o que sentimos, mas ela é, sobretudo, a forma incisiva que encontramos para nos exprimirmos, para nos dizermos com palavras alheias que não soubemos encontrar nem ordenar como gostaríamos.

