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terça-feira, março 21, 2017

Celebrar a árvore e a poesia


Mogadouro

Sou como folhas de árvore — reparo.
Numerosas, presas ao ramo por pecíolos tenazes,
contudo complacentes com o ar que passa, 
e por isso frívolas, mostrando
alternadamente as duas faces.

Assim múltiplo e trémulo sou eu. 
Apenas um pouco menos perecível,
julgo. E a figueira a que pertenço
talvez um pouco mais durável
que as de verdade.
Mas isso pode ser impressão minha.

A.M. Pires Cabral

domingo, dezembro 29, 2013

Demónios e quimeras

Noites preenchidas de demónios
e quimeras.

Depois, pela manhã,
lambo as feridas,
penteio-me como se
tivesse dormido, como se
não fosse nada.

A. M. Pires Cabral

sábado, dezembro 07, 2013

Arte de gritar


A. M. Pires Cabral, A gaveta do fundo

Lançamento do último livro de A. M. Pires Cabral, hoje, às 15h30, na Fnac de Santa Catarina. A apresentação será da responsabilidade de Pedro Mexia.

terça-feira, maio 08, 2012

Sou como folhas de árvore

Sou como folhas de árvore — reparo. 
Numerosas, presas ao ramo por pecíolos tenazes, 
contudo complacentes com o ar que passa, 
e por isso frívolas, mostrando
 alternadamente as duas faces. 


 Assim múltiplo e trémulo sou eu. 
Apenas um pouco menos perecível, 
julgo. E a figueira a que pertenço 
talvez um pouco mais durável 
que as de verdade. 
Mas isso pode ser impressão minha. 


 A.M. Pires Cabral

terça-feira, maio 17, 2011

Grande Prémio do Conto "Camilo Castelo Branco"

(Imagem "desviada" daqui.)

O Grande Prémio do Conto "Camilo Castelo Branco" foi atribuído ao escritor (n. Chacim, Macedo de Cavaleiros,1941) A. M. Pires Cabral, pela sua obra O Porco de Erimanto.

Parabéns, transmontano!

domingo, janeiro 10, 2010

quase um balanço

Natais distantes Pergunto-me o que ficou desses Natais distantes que eram vagarosos e tingiam da cor e do sabor de frutos estivais os frios dias de então. De cada um desses Natais que aboliam a noite, instituíam a luz - o que ficou? Pouca coisa: incertos farrapos de memórias que nada resgatam e nada ressuscitam - apenas doem. Talvez uma abelha na janela, perdida do seu tempo, sofrendo a chuva, violentando a vidraça - e o meu irmão a rir-se disso. Talvez a descoberta de um frasco esquecido com doce de ginja no armário do canto, e a boca e os dedos sujos de doce e um caroço engolido sem querer e a vigilância das fezes. Talvez o eco das vozes dos que ceavam lá em baixo desatentos do braço que parti na neve - e eu sem encontrar posição para dormir. Talvez uma gota de champanhe no fundo da taça - a mais doce porque era a do fundo e na garrafa não havia mais e foi a minha Mãe que ma trouxe à cama. Talvez o borralho, as faúlhas, depois apenas cinza. Talvez sal. A.M. Pires Cabral, Têmporas da CInza, 2008 Nota: A. M. Pires Cabral nasceu, em 1941, em Chacim, Macedo de Cavaleiros, residindo actualmente em Vila Real. Ao autor foi atribuído, em Dezembro último, o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2009.