terça-feira, março 21, 2017

Celebrar a árvore e a poesia


Mogadouro

Sou como folhas de árvore — reparo.
Numerosas, presas ao ramo por pecíolos tenazes,
contudo complacentes com o ar que passa, 
e por isso frívolas, mostrando
alternadamente as duas faces.

Assim múltiplo e trémulo sou eu. 
Apenas um pouco menos perecível,
julgo. E a figueira a que pertenço
talvez um pouco mais durável
que as de verdade.
Mas isso pode ser impressão minha.

A.M. Pires Cabral

4 comentários:

  1. É, não é, Laura?

    Feliz Dia da Poesia. Bj

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  2. Mas somos bem mais perecíveis do que as árvores.
    :)

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  3. Somo-lo fisicamente. luisa, mas persistimos na memória... digo eu. :)

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