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segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Do baú...


Soizick Meister
Magros de sentimentos
Arrastamo-nos por dias
De modorra e de silêncio.

Buscamos, na luz opaca,
Agasalho para um coração
exilado de abraços e de ternura.

Procuramos, na monótona cor,
a flor rubra, o sopro
que nos falha, a voz
que em nós finda.

Deslizamos, sonâmbulos,
pela berma do que fomos,
onde não restam seiva ou sangue,
onde já não pousam cantos
nem voos de aves.

Ali, onde as sementes
se esqueceram
de amadurecer flores.
Ali, onde nos sobram horas
e braços
para tão pouca vida.

deep, Abril de 2013

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

É tão difícil

Essa folha, aí. Tão branca que nem a neve é assim tão fria. Aproximo os dedos numa espécie de carícia, tentando atenuar, diluir tanta hostilidade, mas logo recuam tocados pelo medo. É tão difícil. Porque essa brancura queima, arde silenciosa num fogo que ninguém vê. Durante muito tempo só os olhos a procuram, a contemplam. Imóveis, sem afrouxarem de intensidade. Ouvem-se quase os latidos do pulso. De súbito, os dedos distendem-se, saltam; no seu movimento de falcão já não acariciam, antes rasgam, dilaceram, perseguem a presa numa luta onde não há tréguas, vão deixando na neve sinais da sua presença, ora triunfante, ora aflita, por vezes quase morta.
Eugénio de Andrade, Vertentes do Olhar

Imagem de Soizick Meister

Tem sido um braço de ferro. A folha branca tem vencido. Não tem sido fácil.

quinta-feira, abril 23, 2015

Dia Mundial do Livro

e dos Direitos de Autor


Soizick Meister, "Buraco da fechadura"

sexta-feira, junho 06, 2014

Chuva


Longe do mar, mas com chuva...

Imagem de Soizick Meister

sexta-feira, abril 12, 2013

...


                                                           
                                                            (Imagem de Soizick Meister)

Magros de sentimentos
Arrastamo-nos por dias
De modorra e de silêncio.

Buscamos, na luz opaca,
Agasalho para um coração
exilado de abraços e de ternura.

Procuramos, na monótona cor,
a flor rubra, o sopro
que nos falha, a voz
que em nós finda.

Deslizamos, sonâmbulos,
pela berma do que fomos,
onde não restam seiva ou sangue,
onde já não pousam cantos
nem voos de aves.

Ali, onde as sementes
se esqueceram
de amadurecer flores.
Ali, onde nos sobram horas
e braços
para tão pouca vida.

deep/ Abril de 2013

quarta-feira, novembro 07, 2012

O lado B



(Imagem de Soizick Meister)


Apesar das cores inigualáveis, dos frutos que oferece, do intimismo que se associa a esta estação, há um lado obscuro no outono, um lado B que preferia saber viver de outra forma. 
A diminuição da intensidade e das horas de luz, os dias húmidos e cinzentos, o frio que chega sem aviso deprimem-me, entram-me no corpo, tomam-me os ossos e a alma que, como o céu, por vezes, se pinta de um cinzento opaco e por ele se deixa oprimir, como se não houvesse outra saída, uma possibilidade de luz.
É certo que vou encontrando subterfúgios para que a tristeza e o vazio não vençam e, assim, passo a passo, me vou adaptando ao convívio com estes dias tristonhos, mas, nesse entretanto, as minhas maiores vontades são dormir e fugir para onde haja sol.