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quinta-feira, novembro 16, 2017

Não é mais nem menos forte conforme as idades

Palavras de José Saramago, que nasceu num dia 16 de Novembro (1922):
«Aprendi que o sentimento do amor não é mais nem menos forte conforme as idades, o amor é uma possibilidade de uma vida inteira, e se acontece, há que recebê-lo. Normalmente, quem tem ideias que não vão neste sentido, e que tendem a menosprezar o amor como factor de realização total e pessoal, são aqueles que não tiveram o privilégio de vivê-lo, aqueles a quem não aconteceu esse mistério.»

domingo, abril 02, 2017

A maior flor do mundo




O Conselho Internacional sobre Literatura para os Jovens (IBBY), que em Portugal é representada pela Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil (APPLIJ), instituiu, em 1967, 2 de Abril como o Dia Internacional do LIvro Infantil, em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.

quarta-feira, novembro 16, 2016

No coração talvez


Um desenho da mana

Uma ferida rasgada de navalha, 
Por onde vai a vida, tão mal gasta. 
Na total consciência nos retalha. 
O desejar, o querer, o não bastar, 
Enganada procura da razão 
Que o acaso de sermos justifique, 
Eis o que dói, talvez no coração. 

José Saramago,que nasceu num dia 16 de Novembro (1922)

quarta-feira, novembro 16, 2011

Aprendamos, amor


Aprendamos, amor, com estes montes
Que, tão longe do mar, sabem o jeito
De banhar no azul dos horizontes.


Façamos o que é certo e de direito:
Dos desejos ocultos outras fontes
E desçamos ao mar do nosso leito.


José Saramago, que nasceu num dia 16 de Novembro (1922)

domingo, maio 15, 2011

Na ilha por vezes habitada

Na ilha por vezes habitada do que somos,
há noites, manhãs e madrugadas
em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente
e entra em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra
e apertamo-la nas mãos. Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável:
o contorno, vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece
e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra
onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.


José Saramago, in Provavelmente Alegria

quarta-feira, maio 11, 2011

A ficção suplanta sempre a realidade...


Baltasar Mateus, o Sete-Sóis está calado, apenas olha fixamente Blimunda, e de cada vez que ela o olha a ele sente um aperto na boca do estômago, porque olhos como estes nunca se viram, claros de cinzento, ou verde, ou azul, que com a luz de fora variam ou o pensamento de dentro, e às vezes tornam-se negros nocturnos ou brancos brilhantes como lascado carvão de pedra. Veio a esta casa não porque lhe dissessem que viesse, mas Blimunda perguntara-lhe que nome tinha e ele respondera, não era necessária melhor razão.

Terminado o auto-de-fé, varridos os restos, Blimunda da retirou-se, o padre foi com ela, e quando Blimunda chegou a casa deixou a porta aberta para que Baltasar entrasse. Ele entrou e sentou-se, o padre fechou a porta e acendeu uma candeia à última luz duma frincha, vermelha luz do poente que chega a este alto quando já a parte baixa da cidade escurece, ouvem-se gritar soldados nas muralhas do castelo fosse a ocasião outra, havia Sete-Sóis de lembrar-se da guerra, mas agora só tem olhos para os olhos de Blimunda, ou para o corpo dela, que é alto e delgado como a inglesa que acordado sonhou no preciso dia em que desembarcou em Lisboa.

sexta-feira, junho 18, 2010

Melhor do que falar do autor

é "ouvir" a sua voz:

(Marc Chagall)

"Durante nove anos, Blimunda procurou Baltasar. Conheceu todos os caminhos do pó e da lama, a branda areia, a pedra aguda, tantas vezes a geada rangente e assassina, dois nevões de que só saiu viva porque ainda não queria morrer. Tisnou-se de sol como um ramo de árvore retirado do lume antes de lhe chegar a hora das cinzas (...). Onde chegava, perguntava se tinham visto por ali um homem com estes e aqueles sinais, a mão esquerda de menos, e alto como um soldado da guarda real, barba toda grisalha, mas se entretanto a rapou, é uma cara que não se esquece, pelo menos não a esqueci eu (...). Julgavam-na doida, mas, se ela se deixava ficar por ali uns tempos, viam-na tão sensata em todas as mais palavras e acções que duvidavam da primeira suspeita de pouco siso. Por fim já era conhecida de terra em terra, a pontos de não raro a preceder o nome de Voadora."

José Saramago, Memorial do Convento

Até sempre.