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domingo, outubro 09, 2016

Fica ao menos o tempo de um cigarro

Fica ao menos o tempo de um cigarro, evita
comigo que este tempo ande. Lá fora estão as 
casas, vive gente perto do candeeiro, o som
que nos chega apagado pela distância só
denuncia o nosso silêncio interrompido.
Ajuda-me, faremos o inventário das coisas
que quisemos fazer e não fizemos, mágoas
que deixámos esquecidas entre o ruído das
cidades. Fica, não te aproximes, nenhum 
dia é menos sombrio, quando anoitecer vamos
ver as árvores caminhando cercando a casa.


Hélder Moura Pereira
Ted Blackall, "Study break"

quarta-feira, abril 20, 2016

Faltas-me

Faltas-me. Se aqui estivesses isto não seriam
palavras. Um trinco por dentro, essa ilusão
de voltar a ti olhando os papéis, desconheço
o que de mim resta quando as horas quase trazem
o silêncio e a boca se abre, faz a passagem
do teu corpo a um corpo que aproveita
a substituição que não sabe. Mudaremos o tempo
para nenhuma exigência, faltas-me quando estás
a caminho, já oiço os teus passos subindo
no fundo da escada. Amanhece. Nos sonhos
que não sou capaz de lembrar vens tocar-me
nos ombros e dizer ainda não são horas, ainda
não é alba. As palavras faltam-me, vou
calar-me nas duas voltas da chave, este papel
apagado, sujo da ausência dos teus gestos.

Hélder Moura Pereira

sábado, outubro 13, 2012

Fica


Fica ao menos o tempo de um cigarro, evita
comigo que este tempo ande. Lá fora estão as 
casas, vive gente perto do candeeiro, o som
que nos chega apagado pela distância só
denuncia o nosso silêncio interrompido.
Ajuda-me, faremos o inventário das coisas
que quisemos fazer e não fizemos, mágoas
que deixámos esquecidas entre o ruído das
cidades. Fica, não te aproximes, nenhum 
dia é menos sombrio, quando anoitecer vamos
ver as árvores caminhando cercando a casa.


Hélder Moura Pereira