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quinta-feira, dezembro 04, 2014

A poesia que vem ter comigo

e fiquei sozinha, lentamente,
como só lentamente se deve
morrer de amor


valter hugo mãe, o resto da minha alegria


Há minutos, quando procurava, nas minhas pastas, um determinado documento, veio ter comigo este poema, que tem tanto de triste, como de belo. Achei que seria uma pena não o partilhar.

domingo, fevereiro 16, 2014

A desumanização


(Eu, a trocar umas palavras com o Valter Hugo Mãe, enquanto ele autografava o seu último livro. Desviei, sorrateiramente, a imagem do álbum da livraria Poética. Espero que não me batam por isso.)


«Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.
Quando empedernir, esquecido de toda a humidade da vida, ficará entre as loiças, como inútil souvenir ou peça de uma mesa para uma festa que nunca acontecerá. (…)
Gostarei sempre dele, como se gosta do que está extinto, sejam os dragões, os anjos ou as distâncias. Histórias de coisas que não voltam.
O meu coração sem visitas perderá a memória e, quando nos separarmos de vez, certamente será mais feliz.»

Valter Hugo Mãe, A desumanização, Porto Editora

quarta-feira, maio 09, 2012

As pessoas normais


"As meninas" de Velasquez

“Que ridícula soava a ideia de uma triste anã querer amar se o amor era um sentimento raro já para as pessoas normais. Para as pessoas. (...)     
Calada, a anã nunca confessaria às vizinhas que as achava um pouco invejosas. Generosas nas couves e nas batatas, mas invejosas na expectativa das alegrias. Qualquer coisa boa que tivesse para contar fazia nascer um sorriso amarelo na cara das outras. Como se as outras ali fossem carpir a vida e não estivessem nada interessadas em que afinal pudesse ser melhor, ao menos às vezes, para uma anã. (...) E assim continuavam a conversa como se a anã tivesse à viva força de ser coitadinha, como a viam e como a queriam ver, como se a anã fosse digna apenas enquanto permanecesse cabisbaixa e gemendo, subserviente perante a generosidade social, sem amor, apenas piedade.”

Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens


Assim somos e pensamos muitas vezes: os outros são "anões" a quem não concedemos o direito de serem felizes ou de serem bons em alguma coisa, menos ainda se suspeitarmos que são mais felizes ou melhores do que nós.
Este é um livro sobre a inveja, a mesquinhez, o preconceito, os rótulos e os estereótipos, mas também sobre o amor.