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domingo, setembro 28, 2025

Vale mais tarde...

 Parabéns, ana e CC!

Votos de dias muito felizes.

Hoje só tenho para oferecer uma paisagem do meu paraíso e um poema do transmontano (e muito premiado) A. M. Pires Cabral.



Não me mostres nenhum norte
nem estradas para lá:
são tudo embustes.

Mostra-me antes pedras, folhas mortas
de Outono atapetando o chão das matas,
voos de libelinha rasando o sol poente,
cândidas risadas infantis.

Quero eu dizer: mostra-me coisas
daquelas que se corrompem sem pressa.


quinta-feira, outubro 20, 2022

17 anos e 1 dia


Parece que foi ontem, mas já passaram 17 anos. Poderia ter sido mãe e, neste momento, poderia ter um adolescente a dar-me preocupações e/ou alegria. Não fui mãe. Porém essa circunstância não me privou de preocupações nem de muitas alegrias.

Por vezes, tenho a impressão de que se passou quase nada nestes anos. Outras, sinto que vivi várias vidas.

Não criei um filho, mas fui criando um blogue (que não é, obviamente, a mesma coisa!)  e, com ele, alguns laços e empatias. 

Obrigada a todos quantos, ao longo destes anos, me têm feito companhia. Brindemos!



quarta-feira, setembro 22, 2021

Felicidades, muitas...

Um nascer do Sol em Trás-os-Montes e um poema para a ana e para a CC, que hoje estão de Parabéns.



Indago a forma definitiva do outono.
Um diálogo pode mudar a paisagem.
Fazer nascer um poema.
Criar obsessões.
Destruir emboscadas.
Cada instante é a metamorfose
de uma asfixia interior.
Confundo os caracteres e um imaginário
se revela numa iconografia fantástica.
Nas entrelinhas, um espectáculo de ironias
reitera entregas e recusas
como um dever por cumprir.
Graça Pires, Outono: lugar frágil, 1994

 

segunda-feira, abril 20, 2020

O mais importante é


(A rosa foi uma oferta gentil de uma amiga, que a deixou no lado de fora da minha porta; o bolo foi a minha tentativa de fazer um bolo de aniversário bonito.)

Era suposto ser um dia entre amigos e família, mas não foi assim. O "bicho" trocou-me as voltas e trocou-me os planos modestos. Sábado acabou por ser a versão "sozinha em casa", com uma versão caseira e infeliz de um bolo de aniversário e brindes (muitos) virtuais e outros por vídeo chamada. Os telefonemas e as mensagens foram em tão grande número que não me sobrou tempo para fazer um almoço ou um jantar mais requintados, como o dia e eu merecíamos. Não posso queixar-me. Só agradecer. Apesar do isolamento, não tive oportunidade de me sentir só. Neste tempo que vivemos, o importante (desculpem o cliché) mesmo é termos saúde, não é?

sábado, dezembro 07, 2019

Ecce homo

Desbaratamos deuses, procurando
Um que nos satisfaça ou justifique.
Desbaratamos esperança, imaginando
Uma causa maior que nos explique.

Pensando nos secamos e perdemos
Esta força selvagem e secreta,
Esta semente agreste que trazemos
E gera heróis e homens e poetas.

Pois Deuses somos nós. Deuses do fogo
Malhando-nos a carne, até que em brasa
Nossos sexos furiosos se confundam,

Nossos corpos pensantes se entrelacem
E sangue, raiva, desespero ou asa,
Os filhos que tivermos forem nossos.


Do poeta José Carlos Ary dos Santos, que nasceu num dia 7 de Dezembro (1937)

sábado, outubro 19, 2019

14 anos

Há 14 anos, nascia este blogue. É estranho como parece longínquo e, ao mesmo tempo, tão próximo esse início. Desde então, conheci muitas pessoas, algumas das quais fora do espaço virtual. Todas, de uma ou de outra forma, contribuíram para que me tornasse uma pessoa mais rica.
Nos últimos tempos, a prosa dos dias tem-me roubado a disposição e o tempo para pôr esta "casa" em ordem e para ler assiduamente os blogues que costumava frequentar. Ainda assim, não penso desistir. 
Obrigada a todos quantos têm contribuído para que ainda haja, por aqui, paredes e tecto!

domingo, setembro 22, 2019

Parabéns, parabéns!

Votos de muitos dias felizes para a ana e para a CC!
Abraços


(Um desenho da mana)

Para ser grande, sê inteiro: nada
        Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
        No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
        Brilha, porque alta vive.
14-2-1933
Odes de Ricardo Reis . Fernando Pessoa.

sábado, setembro 22, 2018

Com votos de um dia muito feliz

para a ana e para a CC!

Desiderata




Vai serenamente por entre a agitação e a pressa e lembra-te da paz que pode haver no silêncio. Sem seres subserviente, mantém-te tanto quanto possível, em boas relações com todos.
Diz a tua verdade calma e claramente e escuta com atenção os outros mesmo que menos dotados e ignorantes; também eles têm a sua história.
Evita as pessoas barulhentas e agressivas; são mortificações para o espírito.
Se te comparas com os outros, podes tornar-te presunçoso ou melancólico, porque haverá sempre pessoas superiores e inferiores a ti.
 Apraz-te com as tuas realizações tanto como com os teus planos.
Põe todo o interesse na tua carreira ainda que ela seja humilde; é um bem real nos destinos mutáveis do tempo.
Usa de prudência nos teus negócios porque o mundo está cheio de astúcia; mas que isto não te cegue a ponto de não veres virtude onde ela existe; muitas pessoas lutam por altos ideais e em todo o lado a vida está cheia de heroísmo.
Sê fiel a ti mesmo. Sobretudo não simules afeição nem sejas cínico em relação ao amor porque, em face da aridez e do desencanto, ele é perene como a relva.
Toma amavelmente o conselho dos mais idosos, renunciando com graciosidade às ideias da juventude.
Educa a fortaleza de espírito para que te salvaguarde numa inesperada desdita. Mas não te atormentes com fantasias. Muitos receios surgem da fadiga e da solidão.
Para além de uma disciplina salutar, sê gentil contigo mesmo.
Tu és filho do universo e, tal como as árvores e as estrelas, tens direito de o habitar. E quer isto seja ou não claro para ti, sem dúvida que o universo é – te disto revelador.
Portanto vive em paz com Deus seja qual for a ideia que d´Ele tiveres. E quaisquer que sejam as tuas lutas e aspirações, na ruidosa confusão da vida, conserva-te em paz com a tua alma.
Com toda a sua falsidade, escravidão e sonhos desfeitos o mundo é ainda maravilhoso.
Sê cauteloso. Luta para seres feliz.


Max Ehrmann, com tradução de M. L. Peixoto

domingo, dezembro 10, 2017

Não mata

Da Clarice Lispector, que nasceu num dia 10 de Dezembro (1920):
Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.

sexta-feira, setembro 22, 2017

Parece que hoje há duas festas!


Para a Ana, com votos de Feliz Aniversário.

Abraço apertado!

Feliz aniversário, CC!


Uma foto com o mar ao fundo para desejar um aniversário muito feliz à CC.

Com um abraço apertado.

segunda-feira, julho 17, 2017

(Quase) um conselho

Um "devaneio" escrito há sete anos, para uma amiga.

Sê ave graciosa e insatisfeita
em inquieto voo.
Sê orvalho e sê brisa...
Sê a respiração da terra...

Nunca a sombra
de corpos alheios,
nunca o vulto ancorado
em noites sem dono,
nunca barco naufragado
em investidas de mágoa.

Sê sobre tudo,
sobretudo vive.

deep, Junho de 2010

terça-feira, junho 13, 2017

É brando o dia, brando o vento


Imagem de Cristo Salgado

O poeta Pessoa nasceu há 129, por isso se chamou, como o santo, Fernando António.

É brando o dia, brando o vento 
É brando o sol e brando o céu. 
Assim fosse meu pensamento! 

Assim fosse eu, assim fosse eu!

Mas entre mim e as brandas glórias
Deste céu limpo e este ar sem mim
Intervêm sonhos e memórias...
Ser eu assim ser eu assim!

Ah, o mundo é quanto nós trazemos.
Existe tudo porque existo.
Há porque vemos.
E tudo é isto, tudo é isto! 


Fernando Pessoa 

domingo, abril 23, 2017

Uns dias depois

... e com velas a mais. Só com muito esforço, se conseguiu manter uma acesa até ao momento do sopro.
Um momento simples, mas gratificante entre amigos.

Um obrigada à Isabel pelo Parabéns na sua casa blogosférica.


segunda-feira, abril 03, 2017

Traz-me uma casa do horizonte deserto


Edward Hopper, "Lighthouse hill"

Traz-me uma casa do horizonte deserto
lá onde o mar começa
e os meus olhos se fecham
trá-la pela carne da vaga
pedra a pedra conseguida
trá-la vaga, descoberta
de franquia, porta aberta
trá-la de coral e de limos
há-de reluzir nas colinas
há-de crescer de guarida
para quem nela entre e habite
trá-la hoje a hora que o sol posponte
e se veja já no horizonte
janelas, portadas abertas
gente a entrar, a sair delas
encontrando tesouros
fazendo descobertas.

Há séculos que não há caravelas
mas ainda se queimam círios
em muitas casas por dentro
sem rosto sem remetente
sem que um pássaro
possa desabrochar numa flor.

José Ribeiro Marto, Pastoreio

Com votos de feliz aniversário ao autor!

segunda-feira, março 20, 2017

Sobre nuvens e sonhos

Imagem de Fernanda Furtado

Vejo que cresceste.
Percebo que são, agora,
maiores os teus braços,
as tuas pernas, todo o teu corpo.

Mas, nos teus olhos,
vivos na sua timidez,
assoma ainda a candura
da menina que foste.

Dizes-me que estás a caminho
de seres mulher…
E eu adivinho cavalos no teu peito,
ora dóceis, ora indómitos,
inquietos na ânsia

de conquistar nuvens e sonhos.

Tosco devaneio, escrito para celebrar os 18 anos de uma amiga que vi nascer

domingo, março 12, 2017

Parabéns, Mãe!



Hoje a minha mãe celebra 77 primaveras. A minha inspiração para a homenagear não foi além de um bolo, uma sobremesa e um presente. Em contrapartida, a minha irmã expressou o amor que sente por ela, grande como o meu e o do meu irmão, na ilustração e nas palavras que agora publico.

terça-feira, fevereiro 21, 2017

My way



Interpretada pela Nina Simone (Eunice Kathleen Waymon) que nasceu num dia 21 de Fevereiro (1933)

domingo, novembro 20, 2016

Das manifestações de ternura

Ontem, quando, no início da manhã, cheguei a casa dos meus pais para um dia de apanha de castanhas, a minha mãe mostrou-me o presente que a minha irmã enviou ao meu pai, que faz hoje 77 anos. No pacote, chegou também um desenho da sua autoria, acompanhado de algumas palavras sentidas, dispostas em verso.
O meu pai leu as palavras e ficou em silêncio. Eu e a minha mãe lêmo-las de seguida, com a autorização dele. A minha mãe, talvez incomodada com o silêncio do meu pai, perguntou-lhe se, de facto, as tinha lido. Eu fiquei tão emocionada que não consegui evitar que os olhos ficassem marejados de lágrimas. 
Fiquei, sobretudo, emocionada com a coragem da minha irmã, com o carinho que demonstra e com uma "frontalidade" na expressão de sentimentos que nunca acontece entre nós. Há, na nossa família, várias formas de mostrar ternura, de mostrar que se gosta, mas evitam-se as palavras "lamechas", carregadas de sentimento, assim como os abraços. Essa frontalidade têmo-la todos apenas com as duas mais novas. 

quarta-feira, outubro 05, 2016