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terça-feira, março 31, 2020

Rodopiando ao vento


Hoje a neve resolver dar um ar da sua graça. Durante mais de uma hora, os flocos, em rodopio, caíram abundantemente. Assomei à janela para saudar o meu medronheiro, que começava a pintar-se de branco, assim como os telhados das garagens vizinhas. E, por momentos, esta ocorrência mágica veio distrair-nos do pesadelo e das obrigações do teletrabalho.


(Estou em falta nos comentário. Mil perdões!)

terça-feira, fevereiro 27, 2018

Já tinha saudades


Começou a cair pouco depois das 14h. Ainda não parou, apesar de ser agora menos intensa.

Trouxe-me à memória as palavras da Raquel:

«(...) tenho saudades da neve, tudo branco, limpo, frio, silencioso, uma pureza quase virginal que tudo cobre, que tudo envolve, que tudo cinge. Uma pureza líquida que torna terra dócil e macia a cada passo que damos, uma pureza que nos transforma em manchas, borrões, sussurros, burburinhos, sombras num cenário quase transparente, quase silencioso. Um silêncio estranho, um silêncio em que conseguimos ouvir bater o coração da terra.
Lembro-me que abria a janela, e ali ficava, tempos sem fim, a olhar para as marcas que as pessoas deixavam na rua, a olhar para as árvores, despidas e vestidas de branco (...). Nada era triste, talvez tudo um nada melancólico (...).
Fazia frio, um frio sólido e silencioso, mas todos estavam na rua e toda a gente brincava. Estávamos isolados do mundo, mas tão próximos uns dos outros.»

Raquel Serejo Martins, A Solidão dos Inconstantes

domingo, dezembro 03, 2017

Memórias do frio

Em repetição por aqui, porque Dezembro não é apenas o Natal e todo o consumismo inerente. Dezembro é, mais do que isso, as memórias do frio, dos gestos pequenos que enchiam o coração e das pessoas cuja presença serena nos abraçava.



Tu ignoras esse Natal
que persiste na minha memória
e me aconchega.

Falo desse Natal que é ainda o meu avô
a abriràs manhãs frias, a porta
que dava para o cortinheiro*.

Ou um santo António
a assomar numa nota de vinte escudos,
a cor e o aroma das tangerinas
e das laranjas, que se ofertavam ao menino.

O Natal em que a roupa dormia, gelada, 
no estendal da varanda,
a chama e o calor da fogueira que procurávamos
depois da missa do galo, quando as luzes da aldeia
se apagavam.

Os almanaques do tio, o arroz doce da tia,
que repousava na sala que só se abria
para as visitas em dias de festa.

Foi num desses natais
que recebi o meu primeiro relógio.

A partir de então,
aprendi a voracidade das horas, 
o efeito corruptor do tempo.

deep, Dezembro de 2013

*quintal

domingo, janeiro 18, 2015

Notícias do frio



Trás-os-Montes, 18 de Janeiro de 2015

sábado, março 16, 2013

Memórias da neve


(Esta foi a paisagem que, durante anos, pude avistar do meu quarto)

«(...) tenho saudades da neve, tudo branco, limpo, frio, silencioso, uma pureza quase virginal que tudo cobre, que tudo envolve, que tudo cinge. Uma pureza líquida que torna terra dócil e macia a cada passo que damos, uma pureza que nos transforma em manchas, borrões, sussurros, burburinhos, sombras num cenário quase transparente, quase silencioso. Um silêncio estranho, um silêncio em que conseguimos ouvir bater o coração da terra.
Lembro-me que abria a janela, e ali ficava, tempos sem fim, a olhar para as marcas que as pessoas deixavam na rua, a olhar para as árvores, despidas e vestidas de branco (...). Nada era triste, talvez tudo um nada melancólico (...).
Fazia frio, um frio sólido e silencioso, mas todos estavam na rua e toda a gente brincava. Estávamos isolados do mundo, mas tão próximos uns dos outros.»

Raquel Serejo Martins, A Solidão dos Inconstantes

Durante muitos anos, vivi no planalto. Dos quartos da casa avistávamos campos de cultivo quase planos e, a maior distância, a serra. Quando nevava, os campos cobriam-se de um branco imaculado que só perdia a sua pureza quando a neve derretia e tudo o que antes estivera coberto dessa brancura se mostrava então um tanto lúgubre. Recordo (talvez tenha sido apenas uma vez) que, quando ficava tudo branquinho, a minha mãe ia ao quarto acordar-me, pedia-me para olhar pela janela, que ficava quase por cima da cabeceira da cama, para que visse - e me maravilhasse - com aquela visão branca. Como a Raquel Serejo Martins, uma transmontana como eu, ficava à janela «tempos sem fim» e, também como ela, sentia esse «silêncio estranho», mas apaziguador, e que «Nada era triste, talvez tudo um nada melancólico».

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Nevou... É quase dia de Natal...

(Pegadas de gato, fotografadas há minutos pela Ana)

Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.


E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.


Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.


Deixo sentir a quem a quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.


F. Pessoa


Não chove. Neste momento, derrete a neve que foi caindo durante a madrugada.

Para todos quantos passam por cá, votos de um Natal muito feliz, em que não faltem, sobretudo, serenidade, saúde e boa vontade.

sexta-feira, dezembro 25, 2009

saldo positivo

(Trás-os-Montes, 23 de Dezembro de 2009)
Findo o sereno convívio deste grupo restrito que, em conjunto, confeccionou e saboreou as iguarias da quadra, concedo-me, apesar do adiantado da hora, uns minutos - longos minutos - a sós comigo. Por nenhum motivo especial. Talvez seja só um hábito aprendido ou herdado da minha mãe e das irmãs que são sempre as últimas a deitar-se nos respectivos lares. Nestes minutos em que na lareira não restam mais do que umas brasas mortiças, faço o balanço do dia, indiscutivelmente positivo, apesar da ausência de alguns elementos da família, que hão-de vir amanhã, se a meteorologia for favorável.
Terminadas algumas tarefas culinárias que eu assumo naturalmente, não faltaram as visitas a e de familiares, telefonemas de e para os que estão longe e, antes do fim do dia, a surpresa de encontrar pessoas que não via há muito tempo e com as quais tive o privilégio de conversar um pouco.
Os pequenos-grandes momentos do dia tornaram menor o frio que tem caracterizado estes dias e que é mais intenso aqui na encosta da serra.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

mais neve

Por cá, choveu toda a noite, mas na serra nevou. A Ana teve a gentileza de me enviar há minutos as imagens desse frio com rosto branco. Hoje, confesso, a neve não é muito bem vinda, pois pode significar ter que passar o Natal "longe" de casa e da família, uma vez que o limpa-neves não chega às estradas secundárias. A minha esperança é que por lá a neve dê lugar à chuva...

sábado, dezembro 19, 2009

Estas são mesmo para causar inveja...

(Macedo de Cavaleiros, 16 de Dez. de 2009)
As fotos são do meu irmão, o "roubo" é meu...
P.S. - São 00h08 do dia 21. Se continuar a nevar com a intensidade de há cinco minutos, daqui a pouco estará tudo novamente coberto de um manto branco, desta vez mais espesso...

terça-feira, janeiro 13, 2009

e cai, cai, cai...

(De olho no jardim dos vizinhos...)
Passa já das 2h30. Acabei de ir à janela. Como se previra, a neve voltou. Cai em flocos grandes e abundantes.
Embora para mim não seja novidade, e apesar do adiantado da hora, sinto vontade de ser cúmplice desta beleza branca e de todo este silêncio.

domingo, dezembro 28, 2008

depois do Natal...

(27 de Dezembro/ 2008)

... a neve! Continuação de Boas Festas!

domingo, dezembro 14, 2008

de novo a neve

(Tirada há quinze dias)
Se assomar à janela, vejo o topo da serra e parte da encosta com neve, como se alguém tivesse peneirado alguma farinha sobre as árvores e os campos.
Aqui só choveu, mas o frio não deixa de ser bastante - adivinho-o apenas, pois falta-me a coragem para sair à rua. O corpo, tomado de assalto pela gripe, pede-me sofá...
Um óptimo domingo para todos!

segunda-feira, dezembro 01, 2008