Perguntaste, em grupo, se alguém queria ir ver um concerto de Miles Davis. Tinhas ganhado dois bilhetes num concurso da Rádio Nova. Eu até não me importava, mesmo nada. Não tanto pelo Miles Davis, que conhecia mal então, mas por ti, pela tua companhia. Não tive coragem, não fui suficientemente rápida e ousada, como gostarias (soube-o depois). Alguém que não eu - não recordo quem - foi contigo assistir a um concerto deste monstro do jazz, que desapareceria para sempre algum - pouco - tempo depois.
Hoje celebra-se o Dia Internacional do Jazz. Deu-me vontade de ouvir Miles Davis (e John Coltrane, que conheci depois). Por este e por outro motivo, lembrei-me de ti e ocorreu-me que, apesar das divergências e da distância de tantos anos, deve haver muitas coisas que possamos partilhar um com o outro.