(Imagem surripiada do mural da minha irmã que, por sua vez, o surripiou de outro mural)
Não veríamos, é certo, todos os nossos problemas resolvidos, como por decreto, se nos abraçássemos mais, mas esses problemas parecer-nos-iam mais pequenos e sentir-nos-íamos mais amados, certamente.
Lembro-me que, quando éramos crianças, logo que ouvíamos o meu pai chegar, eu e os meus irmãos corríamos para as escadas, que eram interiores, na tentativa de cada um ser o primeiro a beijá-lo. Tenho memória de o meu pai brincar connosco, de nos fazer cócegas para nos ver rir às gargalhadas, ou de a minha mãe desenhar, de forma rudimentar, flores e pássaros, quando lho solicitávamos. Não tenho, contudo, memória de abraços. Hoje, há, sem dúvida, entre nós, outras formas de manifestarmos o carinho que nos une, mas não os abraços.
Recordo, com saudade, como tudo era tão mais fácil quando frequentava a faculdade. Havia então uma cumplicidade grande entre alguns de nós, que levava a que , não só os abraços, como as lágrimas, as confidências e também muito as alegrias emergissem sem pudor.
Pelo contrário, actualmente abraçar é quase um gesto em vias de extinção. São muito poucas as pessoas que abraçam e que o fazem de coração e que percebem como tomar o outro nos braços e apertá-lo contra si pode ser um gesto regenerador.

