Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Assis Pacheco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Assis Pacheco. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, março 20, 2017

Com um pé na Primavera


Um homem tem que viver.
E tu vê lá não te fiques
– um homem tem que viver
com um pé na Primavera.

[...]

Fernando Assis Pacheco (excerto de poema)

domingo, março 20, 2016

Com um pé na primavera

Um homem tem que viver.
E tu vê lá não te fiques
– um homem tem que viver
com um pé na Primavera.
Tem que viver
cheio de luz. Saber
um dia com uma saudade burra
dizer adeus a tudo isto.
Um homem (um barco) até ao fim da noite
cantará coisas, irá nadando
por dentro da sua alegria.
Cheio de luz – como um sol.
Beberá na boca da amada.
Fará um filho.
Versos.
Será assaltado pelo mundo.
Caminhará no meio dos desastres,
no meio dos mistérios e imprecisões.
Engolirá fogo.
Palavra, um homem tem que ser
prodigioso.
Porque é arriscado ser-se um homem.
É tão difícil, é
(com a precariedade de todos os nomes)
o começo apenas.
Fernando Assis Pacheco

sábado, agosto 22, 2015

Que me importa...?


Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?
Fernando Assis Pacheco, "Seria o amor português" (excerto)

domingo, setembro 08, 2013

(im)porta


«Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?»

Fernando Assis Pacheco, excerto do poema "Seria o amor português (variações sobre um fado)" (aqui)

quinta-feira, junho 02, 2011

Seria o Amor Português (variações sobre um fado)



Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
- tanto pó sobre os móveis tua ausência.


Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.


Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.


Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
"Que me importa que batam à porta..."
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.


Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.


Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta.


Fernando Assis Pacheco