Pensava, há dias, quando me cruzei com alguém que deixou as boas maneiras e a simpatia em casa, que instrução não é sinónimo de educação. A instrução, frequentemente, em vez de limar arestas, espalha uma camada de verniz que estala à menor contrariedade.
Há pessoas a quem a instrução apura a arrogância, em vez de lhes aguçar a inteligência emocional, que poderia aproximá-las dos outros pela empatia. A arrogância, por seu turno, torna-as incapazes de distinguir humildade de humilhação, inflando-lhes o ego e convencendo-as de uma superioridade em que só as próprias acreditam.
Serve tudo isto para dizer que me incomoda que algumas pessoas, alçadas nos seus tamancos (ou será andas?), se privem de cumprimentar, de esboçar um sorriso ou de segurar numa porta – ou, pior, de agradecer quando outra pessoa lhes segura na porta -, quando se cruzam com alguém. Chega a chocar-me se o mesmo se passa no local de trabalho.
Há dias, em que encaro esses incidentes com alguma ligeireza, mas há outros em que me dá vontade de perguntar, como quem se dirige a um miúdo malcriado, se não beberam chazinho na infância e que valores pensam transmitir às crianças e aos jovens dos quais são pais e educadores.
Acabo por conter o mau feitio, deixo-as com a arrogância delas e sigo o meu caminho.