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segunda-feira, junho 16, 2014

É sempre bom regressar


É sempre com gosto e com uma pontinha de emoção que regresso a Mogadouro que, não sendo a terra que me viu nascer, foi aquela que me viu crescer e onde ainda tenho bons amigos. Costumo dizer que Mogadouro tem uma luz diferente.Talvez tenha que ver com o desenho das ruas. Talvez resulte da cor dos edifícios. Ou, quem sabe, seja só uma impressão que decorre do amor que tenho à vila. Certo é que, quando por lá passo, ultimamente menos, sinto-me outra.
No sábado passado, aproveitando as II Jornadas Culturais, dedicadas ao ilustre contista e magistrado, filho da terra,Trindade Coelho, regressei a Mogadouro. 
Desde cedo, o nome de Trindade Coelho tornou-se familiar para mim, não só por viver numa casa muito próxima daquela onde ele nasceu ou por passar diariamente junto à estátua que o representa, mas também porque, quando ainda mal sabia juntar as letras, a irmã da amiga que me acompanhou no sábado, que é alguns anos mais velha, nos leu excertos ou toda a nota autobiográfica apensa a uma edição de Os Meus Amores, da Portugália e que ele dedica a Louise Ey, uma filóloga e tradutora alemã, com quem se correspondeu durante algum tempo . Só mais tarde, talvez com treze anos, li todo o volume da obra citada. Do autor, lembro-me de ter lido também Outros Amores e O Senhor Sete, que há muito não é reeditado, pelo que é dificílimo encontrá-lo.
As intervenções dos oradores, que decorreram durante parte da manhã e toda a tarde de sábado, revelaram-se pertinentes e diversificadas no seu conteúdo, contribuindo, assim, para enriquecer o meu parco conhecimento sobre a vida e a obra do grande transmontano e para despertar em mim a vontade de saber mais.
Pelo meio, houve tempo para estar com amigos e para revisitar, de passagem, alguns espaços.
Ainda que o dia tenha sido cansativo, cheguei a casa de alma lavada e com o coração mais aconchegado, como quando regressamos do colo da mãe - esse tive-o no domingo!

terça-feira, junho 03, 2014

Sobre os livros e a leitura


(Quint Buchholz, "A saudação")

Escrevo este post inspirada nas palavras que a Maria do Rosário Pedreira escreveu aqui a propósito da leitura.
Também eu oiço dizer ou surpreendo-me a dizê-lo que hoje se lê menos. Contudo, não estou muito certa disso. 
Durante a adolescência e o tempo da faculdade, eu própria lia mais do que hoje, ainda que dispusesse de menos meios para comprar livros. Nesse tempo, frequentava a biblioteca da Gulbenkian, que ficava a uns passos da minha casa, no antigo convento de S. Francisco, mesmo ao lado da casa onde nasceu o ilustre transmontano Trindade Coelho, ou aproveitava os empréstimos de amigos. Em casa, não faltavam os livros exigidos pela escola - esses nunca se pediam emprestados, ainda que se emprestassem e se perdessem alguns pelo caminho.
Para quem, como eu, vivia numa vila de província, que oferecia poucas alternativas de entretenimento, ler, havendo apetência para tal, podia ser uma boa maneira de fugir à canícula ou de conhecer outros mundos sem sair do quarto. Eu, como alguns amigos e conhecidos, lia bastante - ainda que as escolhas, por falta de orientação, nem sempre fossem as melhores -, mas, reconheço, a maior parte dos jovens daquele tempo não o fazia. Aliás, estou convencida de que, se a leitura fosse um hábito adquirido na infância e na juventude, algumas pessoas que hoje têm a minha idade leriam ou leriam mais e teriam mais preocupação em incutir esse hábitos nos filhos.
Hoje, eu própria leio muito menos do que gostaria e do que seria desejável, apesar de ter um acesso mais fácil aos livros. Os apelos são muitos mais e o tempo que as obrigações nos tomam impedem-nos de usufruir desses companheiros, que vão esperando pacientes nas prateleiras ou na mesa de cabeceira.
Acredito, apesar de tudo, que o número de leitores seja actualmente maior. Os ofertas são diversificadas, há mais preocupação em divulgar o livro e a leitura, pelo que algumas pessoas se sentem quase coagidas a ser leitores, sob pena de serem consideradas incultas. Se aquilo que lemos tem mais ou menos qualidade, isso é outro assunto. 

sábado, novembro 24, 2012

Falta-me tempo


Biblioteca Municipal Trindade Coelho, Mogadouro

para ler tanto quanto gostaria... e para outros pequenos-grandes prazeres.

terça-feira, março 31, 2009

Trindade Coelho

(Estátua do autor, em Mogadouro - fotografia da net)
Trindade Coelho, escritor transmontano, nascido em Mogadouro (1861), será o rosto do próximo bilhete de lotaria.
Porque vivi muito tempo a dois passos da casa onde ele nasceu e porque da minha janela, como da dele, se via a torre da igreja do Convento de S. Francisco, cedo despertou em mim o gosto pelo autor.
O primeiro contacto com as palavras do autor veio-me pela boca de uma amiga mais velha, que nos lia, aos que ainda não sabíamos ler, excertos da autobiografia do autor, inserta no volume de contos Os Meus Amores. Só na adolescência, li esse e outros títulos. Deliciei-me com O Senhor Sete, que constitui uma recolha de exemplares da cultura popular (adivinhas, provérbios, lengalengas, superstições), alguns dos quais relacionados com a simbologia do número sete.
Trindade Coelho foi considerado, por alguns homens de letras do seu tempo (e por alguns actuais), um escritor menor, sobretudo pela ruralidade que perpassa nas suas obras (temas, personagens e linguagem), talvez por isso as comemorações dos cem anos da sua morte, em 2008, não tenham tido o eco merecido.

terça-feira, agosto 19, 2008

adivinha

O Senhor 7 é uma obra de Trindade Coelho, um autor natural de Mogadouro e cujo centenário da morte se comemorou ontem. A referida obra, que li, como Os Meus Amores, quando era miúda, constitui uma recolha de textos da sabedoria popular em que o número sete é rei e senhor.
Frequentemente, vem-me à memória a seguinte adivinha, que também tem características de lengalenga e de trava-línguas:
Estava para passar, não passou, porque passou quem passou. Se não tivesse passado quem passou, tinha passado. Passou quem passou, não passa.
O que é?