A minha vida teria tido menos momentos de doçura, se não tivesse tido a sorte de te conhecer e de privar contigo, para não falar de todas as coisas a que tive acesso - os autores, os livros, um bailado da Pina Bausch, os passeios na Gulbenkian, as músicas dos Pink Floyd, as longas conversas debaixo da sombra dos castanheiros, nas tardes de verão, ou, durante muitas madrugadas, na cozinha da tua casa, com vista para o parque de Monsanto - e que me tornaram, em parte, a pessoa que sou.
Esta noite, sonhei contigo (algo raro) e nesse lugar, a que ascendi pelo sonho, também chegara a pandemia, a querer privar-nos desse abraço que eu queria muito que fosse real.
Talvez os sonhos sirvam também para isto, para nos reencontrarmos com aqueles que perdemos.