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sábado, julho 12, 2014

Os poemas não se medem aos palmos

Amo-te como buganvílias caídas ao redor
das casas ou o luar branco dos caminhos,
ou a substância audível da tua respiração.


José Rui Teixeira

(... como as pessoas, que são do tamanho do que vêem e não do tamanho da sua altura. Adoro buganvílias...)

sábado, março 22, 2014

Cada instante é um lugar perdido

Cada instante é um lugar perdido em que te entregas
à passagem do tempo. A juventude é um vício
que perdemos inevitavelmente. Dizes: é breve o amor,
efémera a vida.

Somos uma estância museológica,
algo anacrónico que aprende a perdurar por medo
de morrer. Toca-me, conjuga um verbo que conheças
no presente do indicativo, soletra-o na segunda pessoa
do singular ao meu ouvido, dá-me qualquer coisa
que me pareça eterno.

Basta-me que o teu olhar me encontre.

José Rui Teixeira, Para morrer

segunda-feira, junho 03, 2013

Dá-me um lugar

dá-me um lugar onde possa reclinar a cabeça
um colo onde possa adormecer
e te saiba por perto

dá-me mãos inteiras de chuva
os lírios que a manhã me trouxe aos olhos
uma única razão para o dilúvio

e eu dar-te-ei um verso
do tamanho de uma casa

José Rui Teixeira