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segunda-feira, abril 20, 2020

O mais importante é


(A rosa foi uma oferta gentil de uma amiga, que a deixou no lado de fora da minha porta; o bolo foi a minha tentativa de fazer um bolo de aniversário bonito.)

Era suposto ser um dia entre amigos e família, mas não foi assim. O "bicho" trocou-me as voltas e trocou-me os planos modestos. Sábado acabou por ser a versão "sozinha em casa", com uma versão caseira e infeliz de um bolo de aniversário e brindes (muitos) virtuais e outros por vídeo chamada. Os telefonemas e as mensagens foram em tão grande número que não me sobrou tempo para fazer um almoço ou um jantar mais requintados, como o dia e eu merecíamos. Não posso queixar-me. Só agradecer. Apesar do isolamento, não tive oportunidade de me sentir só. Neste tempo que vivemos, o importante (desculpem o cliché) mesmo é termos saúde, não é?

domingo, março 10, 2019

Tradições, família, amigos, o planalto e o rio




Caminhada com passagem por uma aldeia abandonada. Na última imagem, as ruínas de um moinho.



Passagem por Podence, terras dos enigmáticos e carismáticos caretos.





Portas de Picote e o Douro visto do miradouro Fraga do Puio



 Miranda do Douro


Mogadouro - a árvore em frente ao que resta do castelo



sexta-feira, fevereiro 15, 2019

Sobre amizade e afectos

Ontem, não foi só um dia para os namorados. Também foi o dia, como devem sê-lo todos, de celebrar os amigos e os afetos.

Para todos quantos são amigos, virtuais ou reais, um "devaneio" sobre o valor da amizade, aqui em repetição.



Os amigos estendem a toalha
sobre a mesa e, sobre esta,
pousam, no lugar dos copos,
no lugar do pão e do vinho, o coração.
Para que te sirvas de afectos.

São ancoradouro para barcos cansados,
os amigos.
Depósitos de mágoas  - os amigos.
São eternos adolescentes rebeldes – os amigos -,
que ouvem, nostálgicos, os álbuns dos Pink Floyd
e cantam repetidamente Wish you were here,


esquecidos da passagem do tempo e das modas.

deep, Julho de 2017

sexta-feira, julho 20, 2018

Amizade

Só os amigos conservam no olhar o nosso nome.
Só eles nos devolvem o movimento
das mãos para que os gestos nos comovam.
Só com eles partilhamos a casa e o silêncio.
Sem urgência.

Graça Pires, Caderno de significados, 2013

quinta-feira, julho 05, 2018

Fresca, doce e saborosa

Mudando de registo...




Para os interessados:

2 copos de 1/2 kg de iogurte grego;
1 lata de leite condensado (dispensável, se o iogurte for açucarado)
1 pão-de-ló (de compra)
frutos do bosque congelados

Começa-se por cobrir o fundo de uma taça transparente com pão-de-ló esfarelado; cobre-se o bolo com o iogurte, que antes se misturou com o leite condensado e, depois, junta-se os frutos vermelhos. Repete-se o procedimento duas vezes. Guarda-se a sobremesa no frigorífico, até servir.

sexta-feira, novembro 24, 2017

Fui despedir-me


Fui despedir-me de ti. Não de ti, na verdade. Fui despedir-me da tua forma física.
Vesti uma túnica azul céu e pus sobre ela um lenço com pequenas flores a lembrar o campo.
Comprei-te um ramo de margaridas, uma das tuas flores preferidas. Por ser feriado, havia menos lojas de flores abertas, por isso não encontrei as amarelas, só brancas. Um ramo simples, sem enfeites nem etiquetas. Que importa que os outros saibam que tas ofereci? Isto fica entre nós, como as longas conversas que tivemos durante anos e que, muitas vezes, à distância, apaziguaram a tua e a minha solidão.
Acautelei, no bolso, não fosse alguém lembrar-se de programar uma tertúlia para a despedida, um estreito volume com a poesia de Caeiro. Sei que o teu eleito era o Campos, mas que também nutrias pelo Mestre alguma simpatia.

Fui despedir-me de ti no outono, quando era suposto haver folhas secas no chão.

Um devaneio escrito, no dia 5 de Outubro, em homenagem a um amigo, e que hoje dedico também ao Pedro Rolo Duarte, que, não sendo um amigo, era alguém que respeitava e cujas crónicas costumava ler também aqui.

domingo, novembro 12, 2017

Produção caseira

Sós, eternamente

Estamos sós.
Não o negues.
Os amigos chegam,
ruidosos e afáveis,
com risos e migalhas de tempo.
Partilham memórias de infância,
alegrias e angústias presentes.
Ofertam fruta e compotas.
Sentam-se à nossa mesa
para brindar ao amor ou à vida.
A felicidade em fatias.
Chegada a noite, recolhem escombros
e partem.
Sós. Eternamente.

Como nós.

deep, (talvez) Setembro de 2017

segunda-feira, outubro 30, 2017


Samuel, o narrador-protagonista de "A invenção do amor", de José Ovejero, refere-se aos amigos:

«Adoro as nossas discussões inúteis, o gozo da repetição, que nos recorda quem somos. Não conversamos para chegar a uma conclusão, mas para ouvir os outros a rebater qualquer argumento nosso, saber que podemos contar com eles, que não nos vão deixar sozinhos com as nossas contradições.»

«Dá vontade de os abraçar a todos, de os consolar, de os amar por se encontrarem tão perdidos.»

domingo, outubro 29, 2017

Entre nós e as palavras



Cesariny na voz de um amigo, que é também o autor das imagens e de toda a composição.

quarta-feira, outubro 04, 2017

Quando as palavras não chegam

A mim faltam-me as palavras (e as lágrimas). A Marta escreveu as palavras que podiam ser, se não todas, em grande parte, minhas.

Um dia, talvez consiga escrever tudo o que me vai na alma e no coração, amigo, confidente e companheiro de muitas horas.

terça-feira, agosto 01, 2017

Devanear

Os amigos

Os amigos estendem a toalha
sobre a mesa e, sobre esta,
pousam, no lugar dos copos,
no lugar do pão e do vinho, o coração.
Para que te sirvas, de afectos.
(Há vezes em que, incautos,
deixam que o pises debaixo dos pés.)

São ancoradouro para barcos cansados,
os amigos.
Depósitos de mágoas  - os amigos.
São eternos adolescentes rebeldes – os amigos -,
que ouvem, nostálgicos, os álbuns dos Pink Floyd
e cantam repetidamente Wish you were here,

esquecidos da passagem do tempo e das modas.

deep, Julho de 2017

segunda-feira, julho 17, 2017

(Quase) um conselho

Um "devaneio" escrito há sete anos, para uma amiga.

Sê ave graciosa e insatisfeita
em inquieto voo.
Sê orvalho e sê brisa...
Sê a respiração da terra...

Nunca a sombra
de corpos alheios,
nunca o vulto ancorado
em noites sem dono,
nunca barco naufragado
em investidas de mágoa.

Sê sobre tudo,
sobretudo vive.

deep, Junho de 2010

domingo, abril 23, 2017

Uns dias depois

... e com velas a mais. Só com muito esforço, se conseguiu manter uma acesa até ao momento do sopro.
Um momento simples, mas gratificante entre amigos.

Um obrigada à Isabel pelo Parabéns na sua casa blogosférica.


segunda-feira, março 20, 2017

Sobre nuvens e sonhos

Imagem de Fernanda Furtado

Vejo que cresceste.
Percebo que são, agora,
maiores os teus braços,
as tuas pernas, todo o teu corpo.

Mas, nos teus olhos,
vivos na sua timidez,
assoma ainda a candura
da menina que foste.

Dizes-me que estás a caminho
de seres mulher…
E eu adivinho cavalos no teu peito,
ora dóceis, ora indómitos,
inquietos na ânsia

de conquistar nuvens e sonhos.

Tosco devaneio, escrito para celebrar os 18 anos de uma amiga que vi nascer

segunda-feira, março 06, 2017

Para os amigos

De entre todos, apenas vós 
tendes direito a ver-me
fracassar. Onde caio 
entre a vossa irónica
doçura implacável, convosco
partilho o pão e o espaço
e a rapidez dos olhos
sobre o que fica (sempre)
para dar ou dizer.
E de vós me levanto
e vos levo pesando
e ardendo até onde
me ajudais a ser
melhor ou talvez
menos só.

Vítor Matos e Sá, Companhia Violenta

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Dizem que é o dia dos amigos


Imagem da série televisiva "Friends"

Esses estranhos que nós amamos
e nos amam
olhamos para eles e são sempre
adolescentes, assustados e sós
sem nenhum sentido prático
sem grande noção da ameaça ou da renúncia
que sobre a luz incide
descuidados e intensos no seu exagero
de temporalidade pura

Um dia acordamos tristes da sua tristeza
pois o fortuito significado dos campos
explica por outras palavras
aquilo que tornava os olhos incomparáveis

Mas a impressão maior é a da alegria
de uma maneira que nem se consegue
e por isso ténue, misteriosa:
talvez seja assim todo o amor

                        José Tolentino de Mendonça

Ainda que seja todos os dias...

terça-feira, janeiro 31, 2017

Cadernos



Não colecciono apenas cacos e marcadores de livros, também tenho um certo fascínio por cadernos, por isso, de vez em quando, lá vem mais um ter comigo. Os dois representados nas fotos, de má qualidade (as fotos, não os cadernos!), são as últimas ofertas. Um bem haja a quem mos ofereceu!
O primeiro, adquirido no Louvre Michaelense, exibe, na capa, um desenho da minha irmã, através do qual se publicita uma das especialidades da casa, "O segredo", um bolo de chocolate. O segundo, que, na verdade, é o primeiro, porque está comigo há mais tempo, começa hoje a fazer-me companhia assídua, no registo dos meus "devaneios". Espero poder enchê-lo de sabedoria!

segunda-feira, janeiro 02, 2017

domingo, outubro 09, 2016

Qualidade de vida

Perguntava-me ontem um amigo que encontrei, por acaso, no café e com quem fiquei a conversar algum tempo «Se, a esta altura, ocupas os fins de semana com trabalho, como fazes quando o trabalho aumenta inevitavelmente? Não dormes?» e acrescentava «Temos de guardar os fins de semana para nós, é um direito nosso. Isso é qualidade de vida.»
Dei-lhe razão. 
Qualidade de vida é saber dar importância às coisas pequenas, aos gestos aparentemente pequenos daqueles que nos rodeiam, como o facto de haver amigos que nos convidam para almoçar e que à nossa recusa respondem com uma caixinha de comida ainda quente. A lasanha de peixe e legumes que foi o meu almoço está óptima!

quinta-feira, agosto 25, 2016

Hoje soube-me a pouco

Conheci a S. quando ela, os pais e o irmão chegaram de Angola, em 75, e se instalaram numa pensão ao pé da casa onde eu morava. Não recordo o nosso primeiro encontro, mas lembro-me que ficámos amigas e cúmplices em pouco tempo. Ainda que por vezes entrássemos em choque, por ambas sermos teimosas, sobretudo durante a infância e a adolescência,tornámo-nos inseparáveis. Ela fez a faculdade em Lisboa, eu no Porto, contudo a distância física não nos separou. Sempre que nos reencontrávamos, o que acontecia nos diferentes períodos de férias, retomávamos as conversas. Entretanto, as contingências da vida de cada uma encarregaram-se de tornar mais espaçados encontros e conversas. Apesar disso, uma e outra nunca perdemos o hábito de ligar no Natal e nos aniversários.
Hoje, decidi fazer alguns quilómetros para rever a S., que está a passar uns dias em casa dos pais com o filho. Apesar de não nos vermos há dois anos, estivemos em amena cavaqueira, em esplanadas diferentes, durante horas. Pude constatar que a amizade e a cumplicidade não se perderam, por isso essas horas me souberam a pouco, ainda que me tenham enchido o coração.
Quando deixei a S. em casa dos pais, demos de caras com o M., um primo da S., que conheci quando ele era vizinho de uma das minhas primas, em Lisboa (há coincidências engraçadas!) e ouvia Rod Stewart em altos berros. Hoje, o M., que não via há alguns anos, tem o cabelo grisalho e mais rugas na cara, mas o tempo e alguns dissabores não conseguiram roubar-lhe o sorriso e a simpatia.
Antes de regressar a casa, passei na casa da mãe da L.. A L. é a  minha amiga mais antiga, com quem tomo café pelo menos uma vez por semana. A L. e a filha não me deixaram vir embora antes que as acompanhasse numa taça de gelado. Entretanto anoiteceu.
Fiz a viagem de regresso sob ameaça de chuva, com a visão de clarões ao longe e com a memória de alguém que costumava dizer que eu sou uma "keeper". Talvez seja de facto uma "keeper", mas nunca poderia sê-lo se algumas pessoas não o fossem também.