Respiro
as margens dum tempo
sem cuidado
e o ar é frio
atravessa os sulcos
da memória
como erva ou ave
suspensa
na manhã breve
Há um rio
parado
nesse registo
um pomar
com seus aromas
altos pinheiros
minados de solidão
e distância
Aqui penso
termina o texto ázimo
da infância
Reinvento
o que dela resta
noutro idioma
e uma dor antiga
me dói no vento
Luís Serrano, Entre Sono e Abandono
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domingo, março 12, 2017
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Algumas palavras 1
Algumas palavras
entram pelo outono
anoitecidas
rasas
são palavras
que se esgotaram
por entre o que sobra
das lides domésticas
nada mais esperam
do que a água
as mós do silêncio
a pedra
Luís Serrano, As Casas Pressentidas
entram pelo outono
anoitecidas
rasas
são palavras
que se esgotaram
por entre o que sobra
das lides domésticas
nada mais esperam
do que a água
as mós do silêncio
a pedra
Luís Serrano, As Casas Pressentidas
terça-feira, outubro 19, 2010
Respiro as margens de um tempo
Respiro
as margens dum tempo
sem cuidado
e o ar é frio
atravessa os sulcos
da memória
como erva ou ave
suspensa
na manhã breve
Há um rio
parado
nesse registo
um pomar
com seus aromas
altos pinheiros
minados de solidão
e distância
Aqui penso
termina o texto ázimo
da infância
Reinvento
o que dela resta
noutro idioma
e uma dor antiga
me dói no vento
Luís Serrano, Entre Sono e Abandono
as margens dum tempo
sem cuidado
e o ar é frio
atravessa os sulcos
da memória
como erva ou ave
suspensa
na manhã breve
Há um rio
parado
nesse registo
um pomar
com seus aromas
altos pinheiros
minados de solidão
e distância
Aqui penso
termina o texto ázimo
da infância
Reinvento
o que dela resta
noutro idioma
e uma dor antiga
me dói no vento
Luís Serrano, Entre Sono e Abandono
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