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terça-feira, novembro 05, 2013

Há dias...


Há um dia em que indeléveis
nos levantamos
com um copo de água vazio da noite.
Caminhamos até a uma torneira amiga
e enchemos novamente o copo.
Enquanto se verte a água que sobeja
pensamos no jogo do pião ,
nas trocas nas maternidades
e na vontade que temos em nascer
todos os dias.
É a primeira água da manhã
que nos engravida os sentidos.
Depois, apenas a mercearia persiste
e é assaltada muitas vezes por ano,
tal como a nossa juventude.

Nuno Travanca

terça-feira, setembro 28, 2010

Antes das ruas se vestirem de seda

Antes das ruas se vestirem de seda,
De linho
E de calor,
Eram arranha-céus de ternura,
Em que tudo era demasiado alto para duas pessoas.
Entretanto, o tempo foi passando
E o edifício que outrora fora imponente,
É agora um aglomerado
De edificações tão baixas e tão aberrantes.


Hoje ocorre-me dizer que mais vale um grande amor,
Do que uma vida de paixões assolapadas
E finitas.


Quero o meu arranha-céus de volta,
Envolto em seda e linho,
Das ruas em que passas
E do calor do teu corpo colado no meu.




Nuno Travanca