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sexta-feira, março 16, 2018

Está ela mesma


Imagem recebida por email

Uma espécie de resposta ao post da ana.

sexta-feira, fevereiro 03, 2017

Canto



Passa um pouco da meia-noite, a madrugada ainda agora começou e hoje, como ontem, há um pássaro que trina, como se quisesse anunciar o nascer do dia.

quinta-feira, novembro 24, 2016

Homem


Leonardo Da Vinci, "Homem Vitruviano"

Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.

António Gedeão, Movimento Perpétuo

Rómulo de Carvalho nasceu num dia 24 de Novembro (1906). Em sua homenagem, em 1997, instituiu-se em Portugal o Dia Nacional da Cultura Científica, que se comemora no aniversário cientista.

quarta-feira, novembro 18, 2015

Puerta


Porque me lembra as portas que fotografo...

quinta-feira, outubro 15, 2015

Em protesto


(Jacek Yerka, "The walking lesson")

Sabe agora que não devia ter desprezado os sinais dos relógios. Devia ter percebido que um relógio quando pára está em protesto. No seu caso, os três relógios de pulso que tinha a uso foram amuando, um após o outro. Até o relógio da cozinha se solidarizou, atrasando-se alguns minutos.Os relógios param, toda a gente sabe isso. Já tinha acontecido com alguns deles outras vezes. Nada de novo. A novidade está no facto de se terem unido em protesto. Queixaram-se que o pulso dela não batia como antes. Reivindicavam, portanto, melhores condições de trabalho. Explicou-lhes que o responsável não era o pulso, mas o coração. Prometeu-lhes que faria tudo para que não tivessem motivos para queixas. Disse-lhes que começaria por comprar pilhas e que, logo que possível, arrumaria o coração, alimentá-lo-ia para garantir o seu funcionamento pleno.

quarta-feira, agosto 12, 2015

Traçado urbanístico

Miguelanxo Prado, Paisagem Urbana

Tal como qualquer cidade
também nós escondemos
turvos itinerários, edifícios arruinados,
escuras vielas de rancor ou desejo,
arrabaldes de medo ou parques para o amor,
cantos em penumbra onde ocultar segredos,
praças que nunca visitamos
e aborrecidos museus onde expor lembranças
que não interessam a ninguém.
A nós
também nos habitam cidadãos terríveis:
funcionários do tédio,
mensageiros de moto levando para muito longe
o pequeno embrulho — primoroso e com laço —
dos remorsos.
Viajantes que passam por nós
com as suas malas a caminho de outros corpos
e sobretudo
transeuntes alheios à nossa própria vontade,
incivis e teimosos;
têm nomes ridículos
tal como os sentimentos amor, rancor ou medo
e especulam — como vulgares comerciantes —
com o preço
por metro quadrado do nosso coração.

Sílvia Ugidos, Poesia Espanhola, Anos 90
(trad. Joaquim Manuel Magalhães)

sábado, julho 04, 2015

Pequenos prazeres


(Evgueniy Monahov, "Manhã de domingo"

Assistir a um concerto de um grupo que, ainda que não se aprecie muito, faz lembrar velhos tempos, cantar as músicas cujas letras sobram na memória, entrar num bar e dançar até doerem os pés, fazer uma caminhada até casa, com o Sol a nascer, na companhia de uma das amigas do peito, ser-se surpreendido pelo cheiro do pão acabado de sair do forno, entrar na padaria, comprar um pão, chegar a casa, cortar uma fatia, barrá-la com manteiga e saboreá-la com uma chávena de cevada bem quente... são pequenos prazeres que tornam os dias e a vida um pouco maiores, porque melhores.