«Quantas vezes, depois disso, ela se perguntara o que poderia ter acontecido se tivesse tentado continuar com ele, se tivesse retribuído o beijo de Richard na esquina da Bleecker com a MacDougal, partido com ele para qualquer lado ( para onde?), se nunca tivesse comprado o pacote de incenso ou o casaco de alpaca com os botões do feitio de rosas. Não poderiam ter descoberto alguma coisa...maior e mais estranha do que aquilo que tinham? É impossível não imaginar esse outro futuro, esse futuro recusado, como tendo sido vivido em Itália ou França, entre grandes salas cheias de sol e como um imenso e duradouro romance assente numa amizade tão abrasadora e profunda que os acompanharia até à sepultura e, quem sabe, talvez mesmo para lá dela. Ela podia, pensa, ter entrado noutro mundo. Podia ter tido uma vida tão intensa e perigosa como a própria literatura.»
Michael Cunningham, As Horas
Como saber o que teria sido a nossa vida, se, em determinados momentos, tivéssemos feito opções diferentes daquelas que fizemos? Não há como...
Li As Horas há uma série de anos, mas, de vez em quando, regresso ao livro, para ler umas passagens e, mais ainda, ao filme, que continua a ser um dos preferidos.