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domingo, julho 01, 2018
quinta-feira, junho 14, 2018
quarta-feira, outubro 04, 2017
Quando as palavras não chegam
A mim faltam-me as palavras (e as lágrimas). A Marta escreveu as palavras que podiam ser, se não todas, em grande parte, minhas.
Um dia, talvez consiga escrever tudo o que me vai na alma e no coração, amigo, confidente e companheiro de muitas horas.
terça-feira, julho 25, 2017
Palavras dos outros
«na verdade, apesar de tanto saber que ele exibia, foi apenas tristeza que lhe deixou, abandono e descrença. não é coisa bonita de se fazer acompanhar na vida.»
Quando as palavras nos faltam, há sempre alguém que encontra as certas para que possamos dizer o que sentimos. Obrigada, ana.
quinta-feira, março 09, 2017
Também eu
... conheço algumas,
da geração dos meus pais, que viveram e ainda vivem para a família, que são, como a avó Josefa do Saramago, traves da casa, silenciosas e resignadas.
Por vezes, oiço os filhos elogiar-lhes a força, o sacrifício de uma vida, mas são os mesmos que continuam a ocupá-las para que eles possam ter uma vida mais confortável e de certos mimos que só as mães sabem fazer daquela maneira. Os mesmos que lamentam a sorte dessas mulheres não são capazes de um gesto generoso que as liberte e as faça sentir mais do que escravas dos maridos, dos filhos, dos netos, da casa.
Infelizmente, apesar de vivermos em pleno século XXI, num país supostamente evoluído, convivo com mulheres da minha geração que, exercendo uma profissão, que lhes ocupa tempo fora e dentro de casa, continuam, em certa medida por opção, porque não souberam dizer «não» a tempo, a ser escravas da casa, do marido, dos filhos. São mulheres "modernas", que se preocupam com a aparência, que vestem de forma juvenil, que tomam café com as amigas a correr, porque em casa as espera um cesto de roupa para passar ou o jantar para fazer. São essas mulheres que se lamentam que surpreendo, não raras vezes, a apontar o dedo àquelas que procuram ter uma vida diferente e que "têm a sorte" de que os maridos as "ajudem". Nem umas têm azar, porque, frequentemente, são responsáveis por esse "azar", nem as outras têm sorte, têm só aquilo que deveria ser tão natural que não merecesse comentários e reflexões ou a necessidade de se celebrar um Dia da Mulher.
domingo, fevereiro 12, 2017
Talvez valha a pena pensar nisto...
«Afirmar o interior do país e o meio rural como uma realidade folclórica, exótica, ligada exclusivamente ao passado, é um insulto. Se existe agora, neste momento, então é presente. Se há quem ande de carroça hoje, então hoje também se anda de carroça. Não é possível levar uma vida no passado, acorda-se sempre no dia em que se está. Defender que a realidade do interior não é contemporânea transporta a visão tendenciosa e preconceituosa de que o nosso tempo é intrinsecamente urbano.»
José Luís Peixoto
O resto do texto aqui.
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José Luís Peixoto
quarta-feira, fevereiro 08, 2017
As circunstâncias podem mudar uma pessoa?
«As circunstâncias podem mudar uma pessoa? Talvez residualmente. Mas, na verdade, somos aquilo que somos. Depois há a vida, para que possamos descobrir o que é isso, afinal.
Vou contar-lhe uma história. Quando tinha para aí uns 10 anos fui avaliar-me à frente de um espelho. Franzi o sobrolho, os olhos, a cara, e logo nesse momento pude contar onze rugazinhas. Ainda hoje tenho essas mesmas rugas no mesmo sítio. Já me sentia velha quando era mais nova. E agora que sou mais velha, sinto-me ainda uma menina. Todos nós somos assim. Somos os velhos em que nos íamos transformar quando ainda éramos novos.»
Meryl Streep [numa entrevista ao Expresso]
sábado, julho 02, 2016
"Instórias" alheias
Adoro esta "Instória" do Carriço.
Encosto o dedo à tua fotografia e repito o passeio domingueiro pela marginal do teu corpo. Devagar, assim obriga o trânsito de sentimentos que me provocas. Contorno a faixa costeira a respirar a maresia tranquilizante do teu cabelo sem ondulação. A areia molhada que é a pele dos teus ombros devolve-me o brilho que reconheço como sendo o do teu olhar. Curvo à esquerda, o dedo a derrapar para o teu pescoço, e entro no percurso acidentado que é a fina cordilheira das tuas vértebras. Ainda mais devagar, assim obriga a topografia, uma subida a custo, o dedo a vencer a oposição da gravidade, uma descida cuidadosa, o dedo a fazer o que pode para demorar. Continuar a descida significa entrar no vale abrigado das tuas omoplatas e, na ausência dos sulcos vertebrais, embalado pela paisagem que se vai revelando, ganhar velocidade até perder o fio à meada das palavras. Perder-me. Mas perder-me nunca foi uma preocupação. Essa foi sempre e toda perder-te.
terça-feira, janeiro 12, 2016
Palavras que gostaríamos de ter escrito
E existes tu
Há talvez um verso que não volte a encontrar, há talvez uma
palavra que não volte a dizer, há talvez uma cor que não veja jamais, há talvez
uma árvore em que não toque de novo. E existes tu, que sem encontrar, encontro,
sem dizer, digo, sem ver, vejo, sem tocar, toco. A cada dia, a cada hora, a tua
ausência se adentra mais em mim. Um dia, ela será eu. E eu, ser-te-ei.
Texto surripiado daqui. (Espero que o autor me perdoe o "roubo".)
domingo, dezembro 20, 2015
Palavras que gostaria de ter escrito
se soubesse escrever assim:
«Explicaram-me que a intimidade faz-se de dádiva interior, de cumplicidade, de interesse mútuo. Por isso, a intimidade é o primeiro requisito para haver amizade e para haver amor.
Se não disseres nada sobre ti, sobre o que gostas e o que não suportas, sobre o que te faz sentir bem e do que sentes falta, sobre como te organizas em termos práticos, ninguém vai perceber quem tu és e não terás pessoas.»
O texto completo aqui.
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quinta-feira, dezembro 10, 2015
Resposta às tuas e às minhas perguntas
A propósito da "Desiderata", a Raquel partilhou comigo o link para este texto tão bonito, que a própria escreveu.
Não tenhas medo de leões nem de professores de matemática.
Todos os dias come um pouco de sol e um pouco de verde.
Planta várias árvores.
Sobe às árvores mas não apoquentes os pássaros nos ninhos.
Deixa o sol entrar mesmo se tiveres de fechar os olhos.
Preserva a transparência e o silêncio.
Usa barbatanas porque debaixo de água podes voar.
Lê muitos livros e joga ping-pong.
Lê a Mafalda do Quino e o Corto do Pratt.
Embarca em todas as viagens dentro e fora do teu corpo.
Atenta nas cores do Outono. Novembro também é um mês bom.
Procura todos os dias uma pequena alegria e se não encontrares nenhuma dança.
Chora sem medo e em casos de incêndio.
Bebe chá sempre com companhia, pelo menos de um gato.
Se tiveres tempo tem um cão.
Podes comer chocolate todos os dias se tiver no mínimo 80% de cacau.
Aprende a gostar do vento, de favas e de ópera. São muitas as coisas de que não se gosta à primeira e há músicas antigas de que vais gostar muito mais.
Separam-nos quase quatro décadas e, quando tiveres a minha idade, se eu ainda existir, não te esqueças de me contar o que sentes dentro do corpo, à flor da pele e debaixo dos pés, sempre que ouves os Verdes Anos na guitarra do Carlos Paredes.
Não abuses de ti nem de ninguém.
Descobre o significado íntimo das palavras.
Tenta aprender todas as línguas do mundo.
Sê estrangeiro de ti.
Sê tenaz no amor mas não insistas no amor nos corações errados.
Sê o que quiseres, com a condição de seres feliz.
Por definição desliga a televisão.
Tem noção que não precisas de matar para viver, basta plantar e semear, todavia treina e mantém afinada a pontaria.
Respeita a lentidão das lesmas.
Experimenta pintar, e se como eu fores mesmo mau mas te der prazer, pinta e está-te nas tintas para os outros e para o resultado.
Como regra: não percas tempo, anda depressa mas respira devagar.
Percebe, a cada segundo, a velocidade a que bate o teu coração.
Guarda que a única coisa que é para sempre é morrer.
Urgente é apenas a alegria, o amor e a ferida.
Diz que não gostas quando não gostas.
Nunca te esqueças da delicadeza e que uma pedra é uma pedra é uma pedra.
Olha que a esperança nem sempre é uma menina de confiança e desistir pode ser uma grande vitória.
Evita viver a crédito, não te permitas ser refém de meros objectos e grava, escreve na mão para lembrar, tatua se necessário, que não há coisa de maior preço do que o teu tempo.
Procura a companhia dos teus poetas preferidos.
Faz amigos sob a condição do encanto e da ternura.
Não acredites em muitas coisas inexplicáveis.
Desculpa as asneiras dos teus pais, tu sabes mais.
E espero, eu sentada à tua espera, que nunca falte aos dias dos meus olhos o barulho do teu sorriso.
Raquel Serejo Martins
Raquel Serejo Martins
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Raquel Serejo Martins
quarta-feira, dezembro 09, 2015
Procuro-te
Procuro-te
Nos rascunhos das
manhãs
Nos fios
caídos das tardes
Nas lajes frias
das noites
Procuro-te
Em todos os
rebordos das horas
Vivas
Suspensas
Derramadas na
tristeza do silêncio
Procuro-te
Entre os papéis
amarrotados
Nas folhas por
escrever
Na tela de beijos
Na imensidão do
teu mar
Encontra-me
No grito das
minhas mãos
No arrepio da pele
Na imensidão do
meu mar
terça-feira, dezembro 08, 2015
Todos nós seremos passado
Todos nós seremos passado,
Um dia.
E seremos recordados
Entre sorrisos,
Dos amigos,
Que repetirão a nossa última anedota
Ou lembrarão a última vez que os fizemos rir.
Um dia.
E seremos recordados
Entre sorrisos,
Dos amigos,
Que repetirão a nossa última anedota
Ou lembrarão a última vez que os fizemos rir.
Todos nós seremos passado,
Um dia.
E as coisas boas prevalecerão
Sobre todas as más
Que também fizemos
De propósito ou não!
Um dia.
E as coisas boas prevalecerão
Sobre todas as más
Que também fizemos
De propósito ou não!
Todos nós seremos passado,
Um dia.
E até os inimigos
Sorrirão
Quando recordarem
A ultima sacanagem que lhes fizemos
E alguns até dirão
Um dia.
E até os inimigos
Sorrirão
Quando recordarem
A ultima sacanagem que lhes fizemos
E alguns até dirão
Era um gajo porreiro…
Aquele cabrão!
Aquele cabrão!
Da autoria do João, um amigo que publica no Facebook e em O Blogue que ninguém lê!. Não resisti a desviá-lo.
segunda-feira, junho 22, 2015
e depois há aqueles dias
e depois há aqueles dias, em que a brisa
refresca os medos
a lama forma lagos no coração
em que se adormece em sonos claros
que ainda não compreendemos
As palavras de uma amiga e um desenho de Miguelanxo Prado
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domingo, maio 17, 2015
Palavras alheias
Mareantes do vento
Crescemos na nudez das rochas
crescemos e desmaiamos
conforme as marés
Vertemo-nos líquidos
em caudais de sons
ardidos no sal
no delírio da espuma
por todo o corpo
Crescemos na substância das pedras
com asas muito leves
Não somos barco de carregar velas
somos mareantes do vento
Eufrázio Filipe (Aqui)
Crescemos na nudez das rochas
crescemos e desmaiamos
conforme as marés
Vertemo-nos líquidos
em caudais de sons
ardidos no sal
no delírio da espuma
por todo o corpo
Crescemos na substância das pedras
com asas muito leves
Não somos barco de carregar velas
somos mareantes do vento
Eufrázio Filipe (Aqui)
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segunda-feira, novembro 17, 2014
A fazer um esforço para descomplicar
«Pouco te importa aquilo que os outros pensam de ti quando acreditas em ti. O que importa é provares a ti mesmo que não tens de provar nada a ninguém. O que importa é continuares firme no teu caminho em nome não da obstinação, mas da determinação, da tua força e da tua fé. O que importa é saber que se falhares o mundo não acaba e que as pessoas que realmente gostam de ti e te aceitam como és vão estar lá [sempre, sempre, sempre] para ti, para te carregar ao colo de todas as vezes que o teu mundo desmoronar. O que importa é que ao longo do teu caminho consigas aprender a rir de ti. A ser leve perante a vida, a relativizar, a descomplicar, a desconstruir, a descobrir em ti o gosto pela simplicidade. O que importa de verdade é que continues a sentir essa incessante vontade de ser feliz, esse impulso bonito que te motiva a acordar todos os dias e a dar a ti e aos outros o melhor que carregas no peito. O que importa de verdade é que saibas, é que tenhas a certeza absoluta, que só depende de ti seres mesmo, mesmo feliz.»
Texto surripiado daqui
quarta-feira, outubro 08, 2014
fábula opticamente incorrecta
escrevo o teu nome vezes sem conta ou digo as sílabas em silêncio
habituei-me a escrevê-lo só para mim por saber que ninguém o leria
acordo com o teu nome e essas letras não me abandonam todo o dia
mas tudo isto é um erro: não devia ser possível apaixonar-me assim
sei agora que o olimpo é um sítio imperfeito e os deuses algo falíveis
se assim não fosse, cupido teria ido mudar as lentes – e acertado em ti
josé luís
Texto desviado daqui, com o consentimento do autor.
terça-feira, setembro 23, 2014
quarta-feira, janeiro 25, 2012
Quando nos dá para as arrumações...
... pode acontecer esbarrarmos com as palavras dos outros.
O poema que, de seguida, transcrevo foi escrito, há muitos anos, por um amigo. Desconheço se publicou este e outros poemas que me deu a ler. Encontrá-los foi uma boa surpresa. Espero que, se por algum acaso, ele chegar aqui, não se zangue com esta minha ousadia.
O poema que, de seguida, transcrevo foi escrito, há muitos anos, por um amigo. Desconheço se publicou este e outros poemas que me deu a ler. Encontrá-los foi uma boa surpresa. Espero que, se por algum acaso, ele chegar aqui, não se zangue com esta minha ousadia.
A margem do silêncio
floresce, muda, nas sombras.
Na hora
incerta em que
o orvalho fecunda
(as palavras
mordidas em sobressalto).
Silêncio flor silêncio
Silêncio flor silêncio
E a vertigem do abismo
assalta-me... pela manhã.
N. B.
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sábado, maio 08, 2010
Palavras dos outros...
... que nos calham bem...
Como "longos dias têm cem anos", talvez nunca seja tarde.
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