quinta-feira, junho 11, 2026

Há um rumor


Há um rumor de folhagem
nas tardes lentas da infância, 
e há vozes longínquas 
que o calor estrangula. 

Sentada no silêncio, 
entregue à penumbra 
estendo as mãos, 
mas da limpidez 
e da frescura das fontes
os dedos tocam só a memória. 

De quando em quando, 
há ainda uma rã que me ensina
o desgaste das pedras,
a verdura dos limos,
há ainda o odor dos pomos 
que, debruçados,
trocam serenas palavras com a água.

Junho de 2009

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