quinta-feira, setembro 30, 2010
Homo sapiens...
... non urinat in ventum.
Não vá o feitiço virar-se contra o feiticeiro...
(Quanto à foto, foi o melhor que consegui fazer.)
terça-feira, setembro 28, 2010
It never entered my mind
Miles Davis morreu há precisamente dezanove anos. Durante a madrugada do dia em que partiu, a Rádio Nova, do Porto, dedicou-lhe algumas horas (seis, se não erro) de emissão.
Um ano e alguns meses antes, estivera no Porto para um concerto. Lembro-me que um amigo ganhou, num passatempo da mesma rádio, dois bilhetes para o concerto. Dirigiu um convite a um grupo de pessoas, entre as quais eu própria. Por não ter querido adiantar-me aos restantes, não tive oportunidade de ser uma (feliz) contemplada.
Corrijo: ele esteve em Portugal em 91, no mesmo ano em que morreu.
Corrijo: ele esteve em Portugal em 91, no mesmo ano em que morreu.
Antes das ruas se vestirem de seda
Antes das ruas se vestirem de seda,
De linho
E de calor,
Eram arranha-céus de ternura,
Em que tudo era demasiado alto para duas pessoas.
Entretanto, o tempo foi passando
E o edifício que outrora fora imponente,
É agora um aglomerado
De edificações tão baixas e tão aberrantes.
Hoje ocorre-me dizer que mais vale um grande amor,
Do que uma vida de paixões assolapadas
E finitas.
Quero o meu arranha-céus de volta,
Envolto em seda e linho,
Das ruas em que passas
E do calor do teu corpo colado no meu.
Nuno Travanca
De linho
E de calor,
Eram arranha-céus de ternura,
Em que tudo era demasiado alto para duas pessoas.
Entretanto, o tempo foi passando
E o edifício que outrora fora imponente,
É agora um aglomerado
De edificações tão baixas e tão aberrantes.
Hoje ocorre-me dizer que mais vale um grande amor,
Do que uma vida de paixões assolapadas
E finitas.
Quero o meu arranha-céus de volta,
Envolto em seda e linho,
Das ruas em que passas
E do calor do teu corpo colado no meu.
Nuno Travanca
Fico com pena...
... que algumas pessoas vão fechando as portas das suas casas blogosféricas sem aviso.
:(
:(
Pois...
"Nascemos e morremos sozinhos, mas o homem inventa soluções (referia-se ao amor) para nos fazer esquecer esse facto."
Estas palavras foram proferidas por um personagem de um filme (que está a passar agora no canal 2), que antes perguntara a uma mulher com quem jantava se estava à espera de um amor daqueles que "nos acerta como um raio e nos faz perder a vontade de comer e de trabalhar", dizendo-lhe, de seguida, que "esse tipo de amor não existe, foi inventado por publicitários (como ele) para vender collants."
segunda-feira, setembro 27, 2010
domingo, setembro 26, 2010
sábado, setembro 25, 2010
sexta-feira, setembro 24, 2010
Por ora...
Estão saradas todas as feridas:
as dos amores que partiram;
as dos amores que não chegaram a sê-lo;
as feridas das amizades
que se revelaram traições.
Estão apaziguados os remorsos
das palavras ditas;
das palavras caladas;
dos passos em falso.
Outros virão, com ou sem aviso...
Por ora, bastam-me estes olhos
para ver os crepúsculos,
bastam-me estas mãos com que cruzo os fios
que tecem os dias que reclamo meus
e só a mim pertencem...
as dos amores que partiram;
as dos amores que não chegaram a sê-lo;
as feridas das amizades
que se revelaram traições.
Estão apaziguados os remorsos
das palavras ditas;
das palavras caladas;
dos passos em falso.
Outros virão, com ou sem aviso...
Por ora, bastam-me estes olhos
para ver os crepúsculos,
bastam-me estas mãos com que cruzo os fios
que tecem os dias que reclamo meus
e só a mim pertencem...
Preso por ter cão, preso por não ter
Nunca sabemos quando as nossas atitudes, as palavras que proferimos ou escrevemos ou o silêncio são geradores de equívocos.
Se procuramos dar corpo ao que sentimos pelas palavras, nem sempre usamos a medida certa (o que para nós pode ser a medida certa, pode não ser a medida certa para quem nos escuta ou nos lê), nem sempre escolhemos as palavras que os outros querem ouvir de nós ou não conseguimos a sintonia necessária para que haja clareza e entendimento.
Se, pelo contrário, optamos pelo silêncio, arriscamos a que os outros tomem esse silêncio por indiferença.
O mesmo se passa com as atitudes que tomamos para nos aproximarmos dos outros: nunca sabemos que interpretação fazem dos nossos gestos mais desinteressados e inócuos.
Devaneios de uma tarde de Outono...
Bichos do monte
Uma destas manhãs, levantámo-nos cedo (menos do que seria desejável) e rumámos ao campo para ouvirmos ( e vermos, se possível) veados, por ser época da brama. A certa altura, fomos surpreendidos por dois machos que, a alguma distância de nós, lutavam para, de seguida, iniciarem uma corrida pelo monte. Alguns - poucos - quilómetros depois, no meio de um lameiro, esperava-nos uma fêmea com a cria.
Infelizmente, a minha máquina não me permitiu um registo melhor do que este que vos apresento.
quinta-feira, setembro 23, 2010
quarta-feira, setembro 22, 2010
Parabéns!
Uma paleta de cores transmontanas, um poema e um abraço para a CC... com votos de um resto de dia Muito Feliz!
setembro
agora o outono chega, nos seus plácidos
meneios pelas vinhas, um dos vizinhos passa
um cabaz de maçãs por sobre a vedação:
redondas, verdes, o seu perfume vai
dentro de quinze dias ser mais forte.
a noite cai mais cedo e apetece
guardar certos vermelhos da folhagem
e amarelos e castanhos nas ladeiras
de setembro. a rádio fala no tempo variável
que vem aí dentro de dias. talvez caia
uma chuvinha benfazeja, a pôr no ponto certo
os bagos de uva. e há poalhas morosas, mais douradas.
aproveita-se o outono no macio
enchimento dos frutos para colhê-lo a tempo.
devagar, devagar. é mais doce no outono a tua pele.
Vasco Graça Moura
agora o outono chega, nos seus plácidos
meneios pelas vinhas, um dos vizinhos passa
um cabaz de maçãs por sobre a vedação:
redondas, verdes, o seu perfume vai
dentro de quinze dias ser mais forte.
a noite cai mais cedo e apetece
guardar certos vermelhos da folhagem
e amarelos e castanhos nas ladeiras
de setembro. a rádio fala no tempo variável
que vem aí dentro de dias. talvez caia
uma chuvinha benfazeja, a pôr no ponto certo
os bagos de uva. e há poalhas morosas, mais douradas.
aproveita-se o outono no macio
enchimento dos frutos para colhê-lo a tempo.
devagar, devagar. é mais doce no outono a tua pele.
Vasco Graça Moura
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vasco g. moura
terça-feira, setembro 21, 2010
Sábios como camelos
Há muitos anos viveu na Pérsia um grão-vizir - nome dado naquela época aos chefes dos governos -, que gostava muito de ler. Sempre que tinha de viajar ele levava consigo quatrocentos camelos, carregados de livros, e treinados para andar em ordem alfabética. O primeiro camelo chamava-se Aba, o segundo Baal, e assim por diante, até ao último, que atendia pelo nome de Zuzá. Era uma verdadeira biblioteca sobre patas. Quando lhe apetecia ler um livro o grão-vizir mandava parar a caravana e ia de camelo em camelo, não descansando antes de encontrar o título certo.
Um dia a caravana perdeu-se no deserto. Os quatrocentos camelos caminhavam em fila, uns atrás dos outros, como um carreirinho de formigas. À frente da cáfila, que é como se chama uma fila de camelos, seguiam o grão-vizir e os seus ministros. Subitamente o céu escureceu, e um vento áspero começou a soprar de leste, cada vez mais forte. As dunas moviam-se como se estivessem vivas. O vento, carregado de areia, magoava a pele. O grão-vizir mandou que os camelos se juntassem todos, formando um círculo. Era, porém, demasiado tarde. O uivo do vento abafava as ordens. A areia entrava pela roupa, enfiava-se pelos cabelos, e as pessoas tinham de tapar os olhos para não ficarem cegas. Aquilo durou a tarde inteira. Veio a noite e quando o Sol nasceu o grão-vizir olhou em redor e não foi capaz de descobrir um único dos quatrocentos camelos. Pensou, com horror, que talvez eles tivessem ficado enterrados na areia. Não conseguia imaginar como seria a vida, dali para a frente, sem um só livro para ler. Regressou muito triste ao seu palácio. Quem lhe contaria histórias?
José Eduardo Agualusa, Estranhões e Bizarrocos
Continua aqui.
Os respigadores e a respigadora
Um documentário que nos recorda velhos hábitos que, por vergonha ou por força do uso de máquinas, fomos perdendo, que nos ensina a modéstia e nos transporta para realidades que, embora nos pareçam longe, estão mais próximas do que julgamos.
sexta-feira, setembro 17, 2010
Buona tarde!
Hoije, dezassete de Setembre, ye L Die de la Léngua Mirandesa. Antre las bárias atebidades, cunta-se l'apersentaçon dua berson an mirandés de Ls Lusíadas, que terá lugar lougo a la nuite, an Miranda de l Douro.
Pa ls antressados, l tradutor an Léngua Mirandesa: http://tradutormirandes.pt.vc/
Pa ls antressados, l tradutor an Léngua Mirandesa: http://tradutormirandes.pt.vc/
segunda-feira, setembro 13, 2010
domingo, setembro 12, 2010
sábado, setembro 11, 2010
Insónia
(...)
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
(...)
Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê...
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!
(...)
F. Pessoa-Álvaro de Campos
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
(...)
Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê...
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!
(...)
F. Pessoa-Álvaro de Campos
sexta-feira, setembro 10, 2010
quarta-feira, setembro 08, 2010
terça-feira, setembro 07, 2010
domingo, setembro 05, 2010
sábado, setembro 04, 2010
Boa noite...
19.
Troco contigo o rumor
de uma última carícia e escuto o silêncio
da multidão que passa para melhor ouvir o coração.
Vale a este subúrbio a árvore com miríades de flores
vermelhas,
o ténue fumo azul que se desprende das casas, a inscrição
na pedra que se vai prolongar na nossa ausência:
Omaggio Ángelo Portino, 1953. Algures,
o meu coração será o teu,
o teu silêncio o meu,
a solidão a partilha.
Amadeu Baptista, Arte do Regresso
Troco contigo o rumor
de uma última carícia e escuto o silêncio
da multidão que passa para melhor ouvir o coração.
Vale a este subúrbio a árvore com miríades de flores
vermelhas,
o ténue fumo azul que se desprende das casas, a inscrição
na pedra que se vai prolongar na nossa ausência:
Omaggio Ángelo Portino, 1953. Algures,
o meu coração será o teu,
o teu silêncio o meu,
a solidão a partilha.
Amadeu Baptista, Arte do Regresso
quarta-feira, setembro 01, 2010
Adeus férias... :(
Ainda preguiçosa para escrever, para vos ler com a atenção merecida... e até para responder a comentários.
O chuva e o cheiro de terra molhada podem ser boas deixas para voltar a este mundo blogosférico com mais energia.
Por enquanto: até logo!
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