Contava-me, há poucos dias, uma mulher maravilhosa que conheço que, por ter sido vítima, pela segunda vez, de violência doméstica - sim, estes incidentes estão mais próximos de nós do que pensamos e vêm de pessoas que não imaginamos capazes de tais actos -, se dirigiu ao hospital da localidade onde mora. Fez o registo da praxe na urgência, onde, antes de ser vista pelo médico, lhe pediram uma quantia superior a cem euros. Inacreditável, não é?
Na tarde do dia de Páscoa, em espontânea reunião familiar, um primo dava outro exemplo de como é aconselhável não adoecer neste país: o filho, que tem quinze anos e que pratica natação de competição, num dos treinos ou numa das competições, magoou-se num pé. Foi levado à urgência, onde também solicitaram o pagamento de cento e trinta euros, que era suposto o seguro pagar, mas, até hoje, volvidos meses, tal não aconteceu.
Na sexta-feira de Páscoa, em conversa com uma amiga, esta contava-me, indignada, que, nessa manhã, uma prima fora multada pela GNR local por não ter consigo o comprovativo da última inspecção do carro que conduzia, embora tivesse colado o selo que serve o mesmo propósito. Os senhores agentes pediram-lhe, de imediato, duzentos e cinquenta euros - a quantia a pagar por não se ter feito a inspecção, não pela falta de documentos. Como a senhora não dispunha, no momento, dessa quantia nem de um cartão multibanco que lhe permitisse fazer o pagamento de imediato, teve que ir a um banco levantar o dinheiro, que entregou em mão.
Em Espanha, como por cá, os srs. agentes andam empenhados em fazer cumprir a lei, entrando no bolso dos "infractores"... se for no do vizinho, melhor! Isto para dizer que, também no período de Páscoa, um amigo que trabalha perto da fronteira, deu um saltinho a Espanha. No regresso - se não me engano -, deparou com uma cegonha no ninho, que resolveu fotografar. No mesmo instante, foi interpelado por dois polícias, que o multaram por estar a fotografar em território espanhol. Por pagar a multa no momento, teve um desconto de trinta por cento. Acreditam?
Uma correcção ao último "instantâneo" - obrigada Wandolas! -: a multa aplicada por "nuestros hermanos" não resultou do facto do implicado estar a fotografar, mas por ter parado em local indevido. Assim: nada a fazer! :(



