letras são papéis
que a chuva molha, que o fogo consome, que o vento leva, que o tempo apaga...
segunda-feira, janeiro 05, 2026
Aceitar o dia. O que vier.
sexta-feira, dezembro 05, 2025
É quase Natal
Porque o Natal está quase aí e também se faz de boas memórias...
a abrir a porta que dava para o cortinheiro
às manhãs frias.
a assomar numa nota de vinte escudos,
a cor e o aroma das tangerinas
e das laranjas, que se ofertavam ao menino.
no estendal da varanda,
a chama e o calor da fogueira que procurávamos
depois da missa do galo, quando as luzes da aldeia
se apagavam.
que repousava na sala que só se abria
para as visitas em dias de festa.
que recebi o meu primeiro relógio.
aprendi a voracidade das horas,
o efeito corruptor do tempo.
quinta-feira, outubro 30, 2025
Serralves e Peter Murphy
Na noite anterior, tinha assistido a um concerto do Peter Murphy na Casa da Música. Nessa manhã de domingo, nada melhor do que visitar Serralves e fotografar o outono no parque.
Passaram alguns anos (mais de sete) e, desde então, não regressei a Serralves nem à Casa da Música. Ao Porto, regressei muito poucas vezes.
domingo, setembro 28, 2025
Cores de outono
Ontem, foi dia de vindima e de convívio em família. À socapa, procurando não descurar o trabalho, fui captando alguns pormenores outonais.
Vale mais tarde...
Parabéns, ana e CC!
Votos de dias muito felizes.
Hoje só tenho para oferecer uma paisagem do meu paraíso e um poema do transmontano (e muito premiado) A. M. Pires Cabral.
Não me mostres nenhum norte
nem estradas para lá:
são tudo embustes.
Mostra-me antes pedras, folhas mortas
de Outono atapetando o chão das matas,
voos de libelinha rasando o sol poente,
cândidas risadas infantis.
Quero eu dizer: mostra-me coisas
daquelas que se corrompem sem pressa.
quarta-feira, junho 25, 2025
Sinais dos tempos
Com quinze anos, quase como hoje, preferia vestir e calçar tudo o que fosse prático: t-shirts ou camisas, calças de ganga, ténis ou sandálias. Usava o cabelo curto e nunca me maquilhava. Aliás, não havia nas minhas gavetas qualquer produto com o qual pudesse fazê-lo.
Acontecia o mesmo com quase todas as jovens com as quais convivia. Algumas, esmeravam-se um pouco na roupa e na maquilhagem, em dias de festa.
Penso que havia uma certa liberdade nessa forma de estar. Sobrava-nos também mais tempo. Escolher roupa, para o dia-a-dia ou para sair à noite, testar e fazer a maquilhagem roubam tempo e sossego, sobretudo porque há a preocupação de que tudo fique impecável, para nos sentirmos bem ou para causarmos impacto nos outros.
Noto que, atualmente, a norma é o contrário daquilo que fui. As raparigas começam ainda antes dos 14/15 anos a preocupar-se com a imagem. Maquilham-se diariamente, fazem as unhas como se fossem adultas e são vítimas da moda, comprando desenfreadamente roupa, calçado e acessórios, de que rapidamente se cansam, para imitar ídolos e influencers.
Vivo dividida entre a admiração que sinto por esta geração que tem gosto em cuidar da imagem, em ousar, umas vezes um pouco, outras mais, e a preocupação com esta importância que se dá em demasia à imagem e ao consumismo.
Estarei a ficar velha?
sábado, março 22, 2025
Aconteceu-me um poema
Toda a poesia
a mais obscura.
O leitor é que tem às vezes,
em lugar de sol, nevoeiro dentro de si.
E o nevoeiro nunca deixa ver claro.
Se regressar
outra vez e outra vez
e outra vez
a essas sílabas acesas
ficará cego de tanta claridade.
Abençoado seja se lá chegar.
Eugénio de Andrade, Os Sulcos da Sede
Imagens captadas em São Miguel, há alguns anos
segunda-feira, março 10, 2025
A Natureza não faz pausas...
Alheia ao que sentimos, às cores lúgubres que se instalam dentro de nós, a Primavera chega, para tingir de cor os campos.












