domingo, junho 27, 2010

Pois...

«Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria. Deve haver certamente outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estarei perdido.»

Almada Negreiros

quinta-feira, junho 24, 2010

quarta-feira, junho 23, 2010

Ofertas


Não é o meu aniversário, mas recebi um presente, num embrulho lindíssimo...



Embora ainda faltem alguns meses para o Natal ("Natal é quando um homem quiser", disse o Ary), dentro desse embrulho vinha um curioso presépio...




e, a acompanhá-lo, um bonito alfinete, obra da Ana, como o embrulho. Obrigada, nina!


segunda-feira, junho 21, 2010

Biblioburro



Uma óptima lição para muitos meninos que, tendo tudo, não dão valor a nada.

Janis Joplin- Summertime



Está oficialmente aberta a "silly season"...

sábado, junho 19, 2010

Deep Blue



Música: Rodrigo Leão
Voz: Sónia Tavares

sexta-feira, junho 18, 2010

Melhor do que falar do autor

é "ouvir" a sua voz:

(Marc Chagall)

"Durante nove anos, Blimunda procurou Baltasar. Conheceu todos os caminhos do pó e da lama, a branda areia, a pedra aguda, tantas vezes a geada rangente e assassina, dois nevões de que só saiu viva porque ainda não queria morrer. Tisnou-se de sol como um ramo de árvore retirado do lume antes de lhe chegar a hora das cinzas (...). Onde chegava, perguntava se tinham visto por ali um homem com estes e aqueles sinais, a mão esquerda de menos, e alto como um soldado da guarda real, barba toda grisalha, mas se entretanto a rapou, é uma cara que não se esquece, pelo menos não a esqueci eu (...). Julgavam-na doida, mas, se ela se deixava ficar por ali uns tempos, viam-na tão sensata em todas as mais palavras e acções que duvidavam da primeira suspeita de pouco siso. Por fim já era conhecida de terra em terra, a pontos de não raro a preceder o nome de Voadora."

José Saramago, Memorial do Convento

Até sempre.

quinta-feira, junho 17, 2010

Adeus



Já foi postado há uns tempos, mas é tão bonito que não resisto a colocá-lo aqui de novo...

terça-feira, junho 15, 2010

Rotação

É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar.

Nuno Júdice, in Pedro Lembrando Inês

segunda-feira, junho 14, 2010

domingo, junho 13, 2010

Parabéns!

(Trás-os-Montes, Junho de 2009)

Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende…
A vida compra e vende
A perdição,
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!


Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás-de ser!


Miguel Torga, "Pedagogia"

Para o João, que resolveu trocar as voltas aos santos, nascendo no dia de um e arrecadando o nome de outro, com votos de um dia Muito Feliz!

sexta-feira, junho 11, 2010

quinta-feira, junho 10, 2010

vermelho 3

A música que se ouve por aí



Camané: "Sei de um rio"



Lighthouse Family: "Ain't no sunshine"

Dois registos completamente diferentes. Ouvi a primeira música enquanto fazia compras; a segunda quando vinha no carro. A primeira deixou-me ligeiramente nostálgica; a segunda iluminou um pouco este dia cinzento e chuvoso...

Lembrar o poeta

Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.

Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.


Quis voar a uma alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.

Luís de Camões

quarta-feira, junho 09, 2010

Why does it always rain on me

Chuva

Cai a chuva, ploc, ploc
corre a chuva ploc, ploc
como um cavalo a galope.


Enche a rua, plás, plás
esconde a lua, plás, plás
e leva as folhas atrás.


Risca os vidros, truz, truz
molha os gatos, truz, truz
e até apaga a luz.


Parte as flores, plim, plim
maça a gente plim, plim
parece não ter mais fim.


Luísa Ducla Soares, A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca

Oh as casas as casas as casas


Oh as casas as casas as casas as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo, Todos os Poemas

segunda-feira, junho 07, 2010

Cores e sabores de (quase) Verão

"Ela tinha brincos de cerejas nas orelhas, trazia-as assim para se mostrar a Baltasar, e por isso foi para ele, sorrindo e oferecendo o cesto (...)."
J. Saramago, Memorial do Convento

Subtileza

sábado, junho 05, 2010

Ordinary man



Obrigada ao amigo que a partilhou comigo... ;)

sexta-feira, junho 04, 2010

Zurros

(Na última Sábado)

Só há uns dias percebi que o burrico que, de vez em quando, alguém põe a pastar num campo nas traseiras da minha casa não é o responsável pelos zurros que me chegam da rua, sobretudo nos fins de tarde.

quinta-feira, junho 03, 2010

João Aguiar (R.I.P.)

Sóbrio na escrita, discreto na vida, João Aguiar é um dos escritores portugueses contemporâneos que integra a minha lista dos eleitos. Cheguei à sua obra, há muitos anos, pela  leitura de A Voz dos Deuses, um romance histórico, que tem como figura central Viriato e cujo narrador é um ficcional companheiro do bravo lusitano. Com Os Comedores de Pérolas, O Dragão de FumoA Catedral Verde viajei até Macau, acrescentando-se em mim um fascínio por este território, que nascera na adolescência quando me apresentaram duas portuguesas que vivíam lá. Foi também João Aguiar que me "apresentou" Solitão, o Navegador Solitário, que sucumbiu ao materialismo, depois de uma paixão avassaladora pela professora de Português, que partilhou com ele o seu gosto pela música erudita e pela literatura. Pelas palavras do escritor, revisitei os amores de Pedro e Inês, em Inês de Portugal. Outros títulos da sua obra "dormem" na minha estante. Talvez esteja na altura, numa justa homenagem ao escritor, de os ler.

Que descanse em paz e que os deuses - e os homens - não se esqueçam dele, para que a sua voz não se cale.