domingo, fevereiro 28, 2010

Com que então caiu na asneira...*

Há pessoas a quem não basta serem esquerdinas, terem jeito e imaginação para o desenho e para outras manualidades, como ainda tiveram a lata de nascer numa data que só acontece de quatro em quatro anos.

Assim, nina, deixas as pessoas baralhadas! Se te felicitarmos hoje, é cedo, mas se cairmos na asneira de o fazer só amanhã, sempre podes acusar-nos de nos termos esquecido de ti...

Quanto a mim, prefiro fazê-lo hoje... afinal, sendo cedo, ainda é o teu mês.

Então: Muitos Parabéns e muitas saudades aqui do "cont'nente".



Como as comunicações têm andado difíceis e os carteiros um pouco desleixados (pelo menos por cá), por enquanto a voz e a música destes mocinhos transmontanos é só o que tenho para te oferecer. :)

* O título do "post" é o primeiro verso de um poema de João de Deus sobre um aniversário.

sunday morning



Beck

Sunday morning
Brings the dawn in
It's just a restless feeling by my side
Early dawning
Sunday morning
It's just the wasted years so close behind
Watch out the world's behind you
There's always someone around you who will call
It's nothing at all


Sunday morning
And I'm falling
I've got a feeling I don't want to know
Early dawning
Sunday morning
It's all the streets you crossed, not so long ago
Watch out the world's behind you
There's always someone around you who will call
It's nothing at all


Sunday morning
Sunday morning
Sunday morning

(Lou Reed e John Cale)

A versão dos Velvet, com a voz do Lou Reed, anda por aqui...

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Ainda os amigos

Ontem liguei a um velho amigo com quem não falava desde o Verão e que, por razões várias, não vejo há mais de um ano, para o felicitar pelo aniversário.
Não falámos mais do que cinco ou sete minutos. Quisemos saber, de um e de outro lado, as coisas pequenas e imediatas: como estamos, como vai a família, o que temos feito...
De repente, dei-me conta de que já quase não me lembrava da voz dele, mas dei-me também conta de que há pessoas que não merecem que desistamos delas, ainda que nos faltem as oportunidades para as ver, ainda que a distância física e outras solicitações da vida nos mantenham afastados, ainda que se esqueçam que algum dia do ano é o do nosso aniversário...
É para ele, mesmo que não saiba nem oiça (porque desconhece o meu lado blogosférico), este tema dos Black Sabbath, um grupo que está muito longe das minhas preferências, mas que, tanto quanto me lembro, integrava (não sei se ainda é assim) as dele.



Black Sabbath: Paranoid

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Parabéns!


Para uma das minhas leitoras silenciosas, com votos de um dia Muito Feliz!

P. S. - Esta foi tirada naquele domingo de Setembro de caminhada e merenda... para te aguçar o apetite!
Assitimos às desgraças alheias pela comunicação social e, por muito que lamentemos as perdas de vidas humanas e os estragos, não conseguimos senti-las nossas. Se calhar até contribuímos para ajudar, de forma mais comedida ou mais generosa. Mas acreditamo-nos sempre imunes às tragédias de grande dimensão. Talvez por isso, nos pareçam excessivas e vãs - e até hipócritas - quaisquer palavras. Talvez por isso, optemos pelo (quase) silêncio.

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Tenho-me dado conta que,

salvo cada vez mais raras e muito honrosas excepções, os encontros com amigos só acontecem porque eu me desloco.

Não há muito para questionar...

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

You've Got To Hide Your Love Away



Para descomprimir...

O meu mau feitio... take 2

Sei que não está nas minhas mãos mudar o mundo. Ainda assim, teimo em agir como se acreditasse que posso fazê-lo. Resultado: canso-me, continua tudo na mesma (“como a lesma”) e ainda me sujeito a ouvir algo do género “Não te aborreças. Levas as coisas muito a sério. Não vale a pena...”.
Pode até não valer a pena, mas quando as questões são de trabalho, tenho alguma dificuldade em arredar pé...

Alguém quer uma dor de cabeça? Vendo-a barata...

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

pequenos prazeres

(A foto é uma experiência do meu pai, que não resultou nada mal, digo eu...)

Por vezes, não bastam o calor e o conforto. Por vezes, torna-se urgente esta chama de fogueira, que, mais do que o corpo, aquece a alma, que nos faz sentir em casa. Mais ainda, quando, lá fora, o vento gelado parece cristalizar tudo em que toca e a neve, que se fez anunciar de mansinho durante a tarde, é ainda uma ameaça.

domingo, fevereiro 14, 2010

O meu mau feitio...

Pensava, há dias, quando me cruzei com alguém que deixou as boas maneiras e a simpatia em casa, que instrução não é sinónimo de educação. A instrução, frequentemente, em vez de limar arestas, espalha uma camada de verniz que estala à menor contrariedade.
Há pessoas a quem a instrução apura a arrogância, em vez de lhes aguçar a inteligência emocional, que poderia aproximá-las dos outros pela empatia. A arrogância, por seu turno, torna-as incapazes de distinguir humildade de humilhação, inflando-lhes o ego e convencendo-as de uma superioridade em que só as próprias acreditam.
Serve tudo isto para dizer que me incomoda que algumas pessoas, alçadas nos seus tamancos (ou será andas?), se privem de cumprimentar, de esboçar um sorriso ou de segurar numa porta – ou, pior, de agradecer quando outra pessoa lhes segura na porta -, quando se cruzam com alguém. Chega a chocar-me se o mesmo se passa no local de trabalho.
Há dias, em que encaro esses incidentes com alguma ligeireza, mas há outros em que me dá vontade de perguntar, como quem se dirige a um miúdo malcriado, se não beberam chazinho na infância e que valores pensam transmitir às crianças e aos jovens dos quais são pais e educadores.
Acabo por conter o mau feitio, deixo-as com a arrogância delas e sigo o meu caminho.

where is my mind?





Estas são especialmente para uma menina que se queixou que a música por aqui anda pouco do agrado dela...

Make you feel like you're always right
But there are always two sides
It takes two to make love, two to make a life...

keep me from harm



Só porque sim...

sábado, fevereiro 13, 2010

Dar sangue

Veio do Instituto Português do Sangue o alerta para a doação de sangue durante o fim-de-semana, uma vez que  se prevê que a reserva a nível nacional não dê para mais que dois dias.
Não tendo doenças conhecidas e porque há alguns anos fiz doação, decidi contribuir.
Por não saber bem a que serviço me dirigir, telefonei para a delegação do Instituto no Porto.
Ou o senhor que me atendeu não está devidamente informado, ou o serviço funciona de facto muito mal, pois as informações que me deram são, no mínimo, absurdas: não há locais de colheita em Trás-os-Montes; a doação de sangue faz-se nos locais sinalizados (e muito específicos), de segunda a sexta-feira, em horário útil.

Alguém percebe isto?

Fica também aqui o alerta para aqueles que puderem e possam fazê-lo: dêem sangue! Não custa nada...

"Saturday" Tales of mere existence



Depois do banhinho e do habitual café de sábado de manhã, na pastelaria do costume, com a amiga de sempre, é quase assim que eu me sinto!

saturday sun



Por cá, está um "Saturday sun", mas um daqueles frios!

Bom fim-de-semana para quem passa. :)

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

É Carnaval... ninguém leva a mal!

Porque um "careto" me pediu que fizesse a divulgação e porque eu própria penso passar por Podence no domingo, fica um sugestão para estes dias de folia.

Livro Vermelho de Montserrat



O Livro Vermelho de Monserrat é um manuscrito ilustrado com iluminuras, escrito em latim e catalão. Este integra um conjunto de cânticos de peregrinação medievais, resultando o título do facto de ter sido revestido, no século XIX, com uma capa vermelha e de ter sido encontrado no Mosteiro de Monserrat (onde ainda se encontra), no final do século XIV.
Pensa-se que algumas composições sejam da autoria dos monges beneditinos, outras adaptações de canções populares. Embora se suponha ter havido mais, até aos nossos dias chegaram apenas dez composições.

(Não sei que caminho levou a gravação em cassete que alguém um dia teve a gentileza de me oferecer...)

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

terça-feira, fevereiro 09, 2010

anjos ou deuses

(S. Miguel Arcanjo, Ponta Delgada)

Anjos ou deuses, sempre nós tivemos,
A visão perturbada de que acima
De nós e compelindo-nos
Agem outras presenças.

Como acima dos gados que há nos campos
O nosso esforço, que eles não compreendem,
Os coage e obriga
E eles não nos percebem,

Nossa vontade e o nosso pensamento
São as mãos pelas quais outros nos guiam
Para onde eles querem
E nós não desejamos.

Pessoa- Ricardo Reis

street spirit (fade out)

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

quase um poema

(Imagem da Ana: Trás-os-Montes, Dez. de 2009)

Quero falar-te do silêncio
e de como, nas horas de degredo,
amor e ódio se confundem.

Quero contar-te como, nas esperas,
a alma se perde em devaneios,
como as mãos se afundam, esquecidas,
no regaço, sem vida que as eleve.

Quero ouvir-te clamar,
aos quatro ventos e aos deuses todos,
que o amor é só um jogo que eles
inventaram para iludir a solidão.

domingo, fevereiro 07, 2010

As máscaras e rituais de Carnaval

(Casa do Careto, Podence)

são o tema do Câmara Clara de hoje (a começar agora mesmo na RTP2).

optimista-céptico (a)



Algumas coisas más só acontecem aos outros e tudo tem uma solução; certas coisas boas também só acontecem aos outros.

sábado, fevereiro 06, 2010

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!


Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!


Mário de Sá-Carneiro



Dos 18/19 aos 21/22, Mário de Sá-Carneiro foi um dos meus poetas e prosaístas de eleição. Nesse período, li quase toda a sua (curta) obra. "Caranguejola" e "Quase" (um excerto na barra lateral) continuam a ser poemas recorrentes. Este "Fim", que já não ouvia nem lia há algum tempo, recordou-mo Cruzeiro Seixas, que o declamou num documentário que a RTP2 acabou de passar sobre o artista plástico e também poeta surrealista.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

sea of love

 

Este é um dos temas da banda sonora de "Juno", um filme que vi e revi nos últimos dias e que recomendo - "non solum, sed etiam"* aos pais que têm filhos adolescentes.

*"Não só, mas também!"

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Parabéns!

A bailarina

Esta menina tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.

Cecília Meireles

Conheço uma menina, que é pequenina e que quer ser bailarina (pelo menos tem feito por isso!).
Como hoje faz anos, é para ela este poema.


Há uma outra menina que também faz anos hoje. Já não é pequenina, e talvez nunca tenha sonhado em ser bailarina, mas que é uma amante incondicional da natureza, de praia e de viagens.
Na falta de melhor ideia, uma oferta singela: uma foto inédita dos pés da aniversariante, na nossa passagem por Estremoz, no Verão passado. :)

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

É tempo delas!

O pão - de aproximadamente 2kgs - é partido, "de cabo a rabo", em fatias finas. De seguida, é amolecido com o caldo que resultou da cozedura das carnes e regado com azeite "rijado" (a ferver). Ao preparado anterior juntam-se as carnes (de aves e de porco), desfiadas e partidas em pedaços muito pequenos.
Tempera-se, seguidamente, a massa com pimentão. Chega, então, o momento de, com a ajuda de uma enchedeira (uma espécie de funil), encher tripas (de vaca ou sintéticas), previamente lavadas com aguardente e atadas numa das pontas com fio de algodão.
Depois de lavadas, as alheiras são colocadas em varas (estas suspensas no tecto), próximas da lareira, para que o calor e o fumo as vão secando (o tempo de geada é o mais favorável).
Só volvidos uns dias podem ser consumidas, grelhadas na lareira - nem se lembrem de as comer fritas com ovo! Acompanhadas de grelos e de batatas cozidas (ou só com pão) são uma delícia!

terça-feira, fevereiro 02, 2010

estranhos seres... em modo "repeat"

Também hoje poderia escrever algo semelhante...

Pergunto-me: O que é que certas pessoas lucram boicotando o trabalho dos outros? Quem pensam enganar com os argumentos balofos de que se socorrem para justificar os seus actos?

Não deixa de ser curioso constatar que aquilo que em nós nos parece insignificante e discreto possa provocar a inveja e a raiva (mal disfarçadas) de pessoas que julgávamos mais fortes e capazes. Constatar que não passam de mitos (que insistem em alimentar), de edifícios de fachada exuberante, mas de alicerces frágeis, desilude-me e entristece-me.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

been smoking too long

Será que ainda é azul?

Quanto à existência do "lápis", se dúvidas havia... Ler aqui.

O rouxinol de Bernardim

O rouxinol de Bernardim
era teu ou era o meu
quando veio de madrugada
tecer seu canto no muro do jardim?
E após breve pousada
levou os séculos voando
quando perto já de ti,
vim abrir para dentro as portadas.
Ouviam-se carros nas estradas
o rouxinol desaparecia, voava.
À procura de uma árvore
destroçada sobre a terra exangue
na paisagem, vidros partidos, papéis,
galhos, jornais, a tinta a sangue.


No jardim de minha casa
há sempre uma rima de Bernardim
que canta aflita de madrugada,
como se houvesse uma levada
e essa fosse a do teu amor por mim!


José Ribeiro Marto, Pastoreio