sábado, fevereiro 28, 2009

Muiiitoooos Parabéns!!

Dizem que não se deve festejar o aniversário de alguém antes da data... Que fazer, então, quando o aniversariante faz anos a 29 de Fevereiro e não estamos em ano bissexto? Felicitamos a pessoa no dia seguinte... dirão os mais supersticiosos. Se assim for, estamos em Março... e, na verdade, a pessoa em causa pertence a Fevereiro e não abdica do "seu" mês... Podemos sempre tentar captar aquela fracção de segundo que separa um mês do seguinte. Mas como fazê-lo?!
Parece que não me resta alternativa:
Menina, faço votos que tenhas um dia sereno, com alguns raios de sol (se a chuva por aí der tréguas), o carinho e a presença dos amigos (os de longe e os de perto).
Porque és única e porque sei da tua admiração por estes senhores, aqui está o meu presente virtual (o outro vai a caminho):

bom fim de semana! :)

(Marc Chagall)
Procuro-te Procuro a ternura súbita, os olhos ou o sol por nascer do tamanho do mundo, o sangue que nenhuma espada viu, o ar onde a respiração é doce, um pássaro no bosque com a forma de um grito de alegria. Oh, a carícia da terra, a juventude suspensa, a fugidia voz da água entre o azul do prado e de um corpo estendido. Procuro-te: fruto ou nuvem ou música. Chamo por ti, e o teu nome ilumina as coisas mais simples: o pão e a água, a cama e a mesa, os pequenos e dóceis animais, onde também quero que chegue o meu canto e a manhã de maio. Um pássaro e um navio são a mesma coisa quando te procuro de rosto cravado na luz. Eu sei que há diferenças, mas não quando se ama, não quando apertamos contra o peito uma flor ávida de orvalho. Ter só dedos e dentes é muito triste: dedos para amortalhar crianças, dentes para roer a solidão, enquanto o verão pinta de azul o céu e o mar é devassado pelas estrelas. Porém eu procuro-te. Antes que a morte se aproxime, procuro-te. Nas ruas, nos barcos, na cama, com amor, com ódio, ao sol, à chuva, de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te. Eugénio de Andrade, As Palavras Interditas

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

é o que dá

ver ou rever filmes. Ontem foi "Mar Adentro", por isso (e não "só porque sim") "Negra Sombra"; hoje foi "Match Point", daí este "Una Furtiva Lagrima".

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

só porque sim...

Poema musicado de Rosalía de Castro. O original, em galego, aqui.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

mimos

Quando cheguei a casa para jantar, encontrei um saco pendurado na porta. Dentro, havia dois mimos: um desenho, da filha, e uma caixinha com aletria (lá se vai a linha!), da mãe, e uma breve nota de ambas. Podemos querer mais?
Obrigada meninas! A aletria está óptima e o desenho é muito bonito! :)

atitudes

Por vezes, acontece-nos aproximarmo-nos de duas pessoas que conversam e, por percebermos que o assunto não é pessoal, entramos também na conversa. Contudo, a certa altura, apercebemo-nos que não há reacção. A nossa boa vontade faz-nos acreditar que os dois interlocutores não reagem por distracção, por isso tentamos de novo. Como continuamos invisíveis, damo-nos então conta de que o que julgávamos distracção não é mais do que desprezo ( pela nossa pessoa e pela nossa opinião) ou a arrogância dos que se julgam superiores. Se formos ingénuos, persistimos; se, pelo contrário, ganharmos vergonha na cara e amor-próprio, saímos pé ante pé.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

sobre a amizade

Talvez haja uma pitada de Eros no fundo de todas as relações humanas. (...) O Eros da amizade não precisa do corpo... longe disso, incomoda mais do que excita. (...) A amizade, pensava eu, é a relação mais nobre que pode haver entre os seres vivos humanos. É curioso, os animais conhecem-na também. Existe amizade, altruísmo, solidariedade entre os animais. Encontrei centenas de exemplos disso no mundo animal. Entre pessoas vi menos exemplos. (...) As simpatias que vi nascer entre pessoas diante dos meus olhos, acabaram por se afogar nos pântanos do egoísmo e da vaidade. A camaradagem, o companheirismo, às vezes, parecem amizade.
Sándor Márai, As velas ardem até ao fim

são servidos?

Por cá, no dia de Carnaval é usual comer-se o que claramente faz mal: enchidos, pé e orelha de porco cozidos, que acompanham com casulas* (ou cascas) e batatas também cozidas, de preferência em potes de ferro, na fogueira. Hoje não faltámos à tradição.
* As casulas são feijões secos dentro da vagem. Depois de cozidas, comem-se com a própria vagem.

domingo, fevereiro 22, 2009

é carnaval, ninguém leva a mal

Em Podence, aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros, o Carnaval começou hoje. Além dos tradicionais Caretos, animaram a festa a Fanfarra de Vale da Porca, os Latos de Bagueixe, os Bombos de Ala, assim como alguns Caretos de Vale de Porco (Mogadouro) e dois Gigantones (de que desconheço a proveniência).

Nesta festa, as verdadeiras vítimas são as raparigas, que os Caretos perseguem e chocalham com violentos movimentos de cintura. Ainda que tivesse tentado, não consegui escapar-lhes!

Os que ficaram até à noite, puderam degustar uma merenda com petiscos transmontanos, oferecidos aos visitantes pela organização. Como vim embora antes das 18h30, a hora prevista para o início, só pude sentir o cheiro de alguns desses petiscos já nos grelhadores.

sábado, fevereiro 21, 2009

boa noite!

presas e predadores

Em todos os poderes humanos existe um ligeiro e quase imperceptível desprezo por aqueles que dominamos. Só podemos dominar inteiramente almas humanas, se conhecemos, compreeendemos e desprezamos muito discretamente aqueles que são forçados a render-se.
Sándor Márai, As velas ardem até ao fim

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

mimos

Quando cheguei a casa para almoçar, dei com um pacote postal na soleira da porta. Não faço anos, não me recordava de ter encomendado alguma coisa... Peguei nele e, antes ainda de ler o remetente, reconheci a caligrafia de uma amiga querida. Dentro, além de um postal ilustrado da localidade onde vive, em que redigira umas breves linhas, um cachecol de um fio macio, de fabrico caseiro. "Foi feito com muito carinho.", escreveu. Eu sei que foi... não conhecesse eu a bondade dela há mais de vinte anos! São gestos assim que tornam pequenas aquelas pessoas que só se sentem grandes a diminuir-nos, a virar contra nós os nossos pontos fracos. Depois de uma prova da mesquinhez e da maldade humanas que tive no fim da manhã, um mimo veio mesmo a calhar! Talvez não chegues a ler este texto... De qualquer forma: obrigada, amiga!

Variações sobre O POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO de Alexandre O'Neill

Os ratos invadiram a cidade povoaram as casas os ratos roeram o coração das gentes. Cada homem traz um rato na alma. Na rua os ratos roeram a vida. É proibido não ser rato. Canto na toca. E sou um homem. Os ratos não tiveram tempo de roer-me os ratos não podem roer um homem que grita não aos ratos. Encho a toca de sol. (Cá fora os ratos roeram o sol). Encho a toca de luar. (Cá fora os ratos roeram a lua). Encho a toca de amor. (Cá fora os ratos roeram o amor). Na toca que já foi dos ratos cantam os homens que não chiam. E cantando a toca enche-se de sol. (O pouco sol que os ratos não roeram). Manuel Alegre Os ratos continuam por aí...

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

tradições

(Imagem daqui)
Uma sugestão para estes dias de Carnaval: vinde até Trás-os-Montes!
Tempo primaveril, gastronomia e actividades tradicionais parecem-me razões mais do que suficientes para justificar uma viagem.
Outras dicas aqui.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

sim e não

1. Não calço 35... calço um pouco mais. Delicada, mas nem tanto!
2. Sim, há uns anos aprendi russo com um professor que regressou ao seu país e é hoje correspondente da RFM.
3. Não. Nasci no hospital. Foi a única fase da vida em que dormi num hospital.
4. Sim, já vivi com aproximadamente 2oo pessoas (e todas raparigas!) ao mesmo tempo... numa residência universitária!
5. Sim, já me apontaram uma arma, numa das muitas viagens que fiz de comboio pela linha do Douro. Na estação de Ermesinde, sentou-se um homem à minha frente. Embora eu estivesse a ler, ele tentou meter conversa de todas as maneiras. Até talvez à Régua, foi-me contando a sua história de vida, que incluía uma raiva visceral pela mulher de quem estava a divorciar-se. A certa altura, abriu um saquinho amarelo e azul que tinha consigo e começou a tirar alguns brindes - porta-chaves, esferográficas com publicidade, ..., sacando, por fim, de uma arma, enquanto me pedia que não tivesse medo porque não estava carregada. "Quer ver, quer ver?", disse, enquanto apertava o gatilho. Curiosamente tive menos medo do que teria hoje.
6. Sim, quando tinha uns quatro anos levantei-me, calcei uns sapatos novos e voltei a deitar-me.
7. Não, nunca fui guarda-redes. Quando jogava futebol na escola só dava caneladas, por isso os rapazes enfureciam-se se calhava na equipa deles (deve ser por isso que ainda hoje alguns não vão muito à bola comigo!).
8. Sim, o meu tipo de sangue só me permite receber de pessoas com o mesmo tipo.
9. Sim, assustei-me quando percebi que os meus amigos tinham razão quando me diziam que havia uma pessoa, na rua onde eu morava, que era parecidíssima comigo.
Pronto! Aí têm a verdade.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

desafio

(Imagem da net)
A Hipatia desafiou-me a fazer 9 afirmações sobre mim, não correspondendo 3 delas à verdade. Cabe-me, além disso, adivinhar as três "inverdades" dela e nomear nove pessoas que dêem continuidade à corrente.
1. Calço número 35. 2. Aprendi russo com um correspondente da RFM. 3. Nasci em casa 4. Já vivi com aproximadamente 200 pessoas, ao mesmo tempo. 5. Já me apontaram uma arma. 6. Já me deitei com os sapatos calçados. 7. Já fui guarda-redes. 8. Só posso receber o meu tipo de sangue. 9. Já me assustei com uma pessoa muito parecida comigo.
Das nove afirmações da Hipatia, parecem-me não ser verdadeiras a 1., a 4 e a 8... bem, mas tudo é possível!
Os nomeados são:
Como é óbvio, não nomeio pessoas que me conhecem bem.

sábado, fevereiro 14, 2009

buonas nuites

(Foto da J.)
Não vi os pauliteiros, mas vi o rio e as ruas. De tanto ver e ouvir espanhóis, quase me esqueci de que estava em Portugal. Apesar do sol, o frio sentia-se, como sempre, mais do que aqui.

Porque hoje é sábado

Há manhãs de sábado que são plácidas e refrescantes. Há os almoços mais longos de sábado e os jornais mais volumosos aos sábados. (...) Há um ócio do sábado que permite valorizar o estilo de vida. O lado bom da vida. Confesso que não acredito verdadeiramente na felicidade, mas acredito em momentos de felicidade. A felicidade absurda de acordarmos bem-dispostos. O vento no cabelo. Uma comédia romântica. As montras. Os transeuntes. Um café com natas. Se Deus está nos detalhes, a felicidade também. E o sábado é um dia de detalhes. Sobretudo para os que gozam o sábado, coisa que não é universal e ancestral. (...) Um desvio cómico que esvazia por momentos a tensão acumulada. É isso: o sábado é o comic relief da semana. Mergulhemos então no sábado como numa piscina pouco funda que nos deixa embaraçosamente acima da água. E brinquemos com isso. (...) Entro no espírito do sábado: nada de melancolia.

Pedro Mexia, Nada de Melancolia

Um dos meus momentos de felicidade é aquele em que tomo um café com a minha amiga mais antiga (depois dos meus irmãos e dos meus primos).
Este post é para ti, menina, a minha companheira dos sábados de manhã.
Um obrigada muito especial à Ana que me enviou o texto.

pormenores

Hoje resolvi saudar o sol, colocando na lapela uma flor que esta menina fez e me ofereceu. A intenção não era que reparassem em mim, mas parece ter resultado, pois quase todos com quem me cruzei - homens incluídos - elogiaram a minha flor. Acho que vou pô-la mais vezes...

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

um sinal

Era já noite mas eu corria corria cegamente pela página fora. Ou era talvez a rua. Corria para um encontro não sei ao certo de quê nem de quem. Um nome um rosto um corpo nu deitado no abismo. Mas era uma estrela que me guiava. Era um sismo era um vento. Ou talvez a palavra. Ou talvez a palavra. E por isso eu corria loucamente pela noite dentro. Manuel Alegre, Livro do Português Errante

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

terça-feira, fevereiro 10, 2009

regressar aos velhinhos

Cantiga, partindo-se Senhora, partem tão tristes meus olhos por vós, meu bem, que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. Tão tristes, tão saudosos, tão doentes da partida, tão cansados, tão chorosos, da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida. Partem tão tristes, os tristes, tão fora de esperar bem, que nunca tão tristes vistes outros nenhuns por ninguém. João Roiz de Castelo-Branco, Cancioneiro Geral de Garcia de Resende Este Inferno de Amar Este inferno de amar – como eu amo! Quem mo pôs aqui n’alma… quem foi? Esta chama que alenta e consome, Que é vida – e que a vida destrói. Como é que se veio atear, Quando – ai, se há-de ela apagar? Eu não sei, não me lembra: o passado, A outra vida que dantes vivi Era um sonho talvez… foi um sonho. Em que a paz tão serena a dormi! Oh! Que doce era aquele olhar… Quem me veio, ai de mim! Despertar? Só me lembra que um dia formoso Eu passei… Dava o Sol tanta luz! E os meus olhos que vagos giravam, Em seus olhos ardentes os pus. Que fez ela? Eu que fiz? Não o sei; Mas nessa hora a viver comecei… Almeida Garrett , Folhas Caídas O Amor O amor, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p'ra ela, Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há-de dizer. Fala: parece que mente Cala: parece esquecer Ah, mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse Pr'a saber que a estão a amar! Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala, Fica só, inteiramente! Mas se isto puder contar-lhe O que não lhe ouso contar, Já não terei que falar-lhe Porque lhe estou a falar... Fernando Pessoa, Poesias Inéditas

domingo, fevereiro 08, 2009

o eco

(Adão e Eva de Dürer)
Tão tarde. Adão não vem. Aonde iria Adão?! Talvez que fosse à caça; quer fazer surpresas com alguma caça branca lá da floresta. Era p'lo entardecer, e Eva já sentia cuidados por tantas demoras. Foi chamar ao cimo dos rochedos, e uma voz de mulher também, também chamou Adão. Teve medo. Mas julgando fantasia chamou de novo: Adão? E uma voz de mulher também, também chamou Adão. Foi-se triste para a tenda. Adão já tinha vindo e trouxera as setas todas, e a caça era nenhuma! E ele a saudá-la ameaçou-lhe um beijo e ela fugiu-lhe. Outra que não Ela chamara também por Ele. Almada Negreiros, Frisos

sábado, fevereiro 07, 2009

como as crianças

(Einstein por Arthur Sasse, 1951)
Os ossos crescem e desgastam-se, o cabelo ganha fios brancos, no rosto os vincos multiplicam-se, acumulamos experiências, mas, na verdade, não deixamos de ser crianças. Não importa a idade que o nosso B. I. regista. Temos caprichos e amuamos se não podemos satisfazê-los. Não esperneamos, mas dizemos palavras e fazemos juízos de que depois nos arrependemos. Sacrificamos o essencial para adquirirmos brinquedos de que nos aborrecemos em pouco tempo. Deixamo-nos enlear nas teias do ciúme e da inveja - não deitamos a língua de fora a quem supostamente nos trai, mas difamamos e desprezamos. Somos, como as crianças, simplistas na avaliação dos outros, usando apenas duas medidas: o "feio" e o "bonito". E, como crianças habituadas a ter demais, encantamo-nos com a mesma velocidade com que nos desencantamos, banalizando o sentido de algumas palavras que nomeiam os afectos mais nobres.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

terça-feira, fevereiro 03, 2009

o medo amoroso

e se o medo fosse desejo desmedido de te ver, de ficar só contigo junto de um mar escuro a vida inteira ... se o remo que percute fosse o bem que me foi dado e fosse o sinal, o grito que abafei, a hora que perdi leve dentro de um tempo que o tempo cancelou ... se eu não fosse a voz que te chama e te acompanha dentro de dias iguais, ... por quais caminhos ainda procuraria os teus passos prudentes, o teu chamamento ... se só por medo eu berrasse: "Amo-te!" ... Elio Pecora

em tons de cinzento

"Twenty Years", Placebo

Não sei se é deste tempo cinzento e chuvoso... hoje deu-me vontade de ouvir isto.

Crescem os dias sem mais intenção Que decrescerem no findar de Junho, Para depois ferverem de lonjura E empequenecerem de distância. Crescem os dias para serem outros Dias por dentro do olhar mirrado. Crescem os dias para serem falhos Dias por fora do seu grito absorto. Crescem, decrescem, como se a rotina Insulada, qual bicho naufragado, Fosse uma eternidade de dois ciclos Num cerco sem saída nem entrada. Crescem, decrescem... E o olhar consente Ser escravo da bruma do relógio, Até ao dia em que, já não crescendo, Se tornam paz e corpo e justa hora. José Martins Garcia Alguma informação sobre o poeta aqui.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Com um brilhozinho nos olhos

Infame, esta é especialmente para ti! Temos que organizar um daqueles encontros para partilharmos poesia e ficarmos, até altas horas, a dar uma de "tête a tête"...

A letra aqui.

domingo, fevereiro 01, 2009

(Trás-os-Montes, Novembro de 2007)
Pouco hei-de saber dos pássaros e das cores
nestes dias cinzentos de melancolia.
As árvores não repousam sob os olhos
com que as vejo transgredirem para sempre
o plano irreal da eternidade.
Na felicidade do azul prescruto a breve
fragmentação da natureza, os verdes inequívocos,
a sorte dos vermelhos, os amarelos inimagináveis
desta praia em que o mistério flui
para outra treva de mais silentes horas.
Em tudo ignoro e reconheço inviamente
o translúcido poder do infinito.
Amadeu Baptista, Arte do Regresso
(Recebidas por e-mail)