sexta-feira, dezembro 31, 2010
domingo, dezembro 26, 2010
sábado, dezembro 25, 2010
sexta-feira, dezembro 24, 2010
Acabei de receber...
“ Ante o frio,
Faz com o coração
O contrário do que fazes com o corpo:
Despe-o.
Quanto mais nu, mais ele encontrará
O único agasalho possível
- um outro coração.”
Conselho do avô.
Mia Couto
in A Chuva Pasmada
Faz com o coração
O contrário do que fazes com o corpo:
Despe-o.
Quanto mais nu, mais ele encontrará
O único agasalho possível
- um outro coração.”
Conselho do avô.
Mia Couto
in A Chuva Pasmada
quinta-feira, dezembro 23, 2010
A Vida
A vida, as suas perdas e os seus ganhos, a sua
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da mão;
a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória;
a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.
Nuno Júdice, in Teoria Geral do Sentimento
mais que perfeita imprecisão, os dias que contam
quando não se espera, o atraso na preocupação
dos teus olhos, e as nuvens que caíram
mais depressa, nessa tarde, o círculo das relações
a abrir-se para dentro e para fora
dos sentidos que nada têm a ver com círculos,
quadrados, rectângulos, nas linhas
rectas e paralelas que se cruzam com as
linhas da mão;
a vida que traz consigo as emoções e os acasos,
a luz inexorável das profecias que nunca se realizaram
e dos encontros que sempre se soube que
se iriam dar, mesmo que nunca se soubesse com
quem e onde, nem quando; essa vida que leva consigo
o rosto sonhado numa hesitação de madrugada,
sob a luz indecisa que apenas mostra
as paredes nuas, de manchas húmidas
no gesso da memória;
a vida feita dos seus
corpos obscuros e das suas palavras
próximas.
Nuno Júdice, in Teoria Geral do Sentimento
Nevou... É quase dia de Natal...
(Pegadas de gato, fotografadas há minutos pela Ana)
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.
E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.
Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.
Deixo sentir a quem a quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.
F. Pessoa
Não chove. Neste momento, derrete a neve que foi caindo durante a madrugada.
Para todos quantos passam por cá, votos de um Natal muito feliz, em que não faltem, sobretudo, serenidade, saúde e boa vontade.
sexta-feira, dezembro 17, 2010
A hora da partida
A hora da partida soa quando
Escurecem o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Escurecem o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
As árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen
terça-feira, dezembro 14, 2010
At the same time
Here comes the time
For my heart to heal the past
From now and then
There will be the good and the best
Oh when your eyes and mine
Can see the same
Our love could last
Should i follow you?
Yes i remember flowers
Sent in blue skies
And you with your sweet smile
With your sweet smile
Holding me tight
You told me give your self away
And i would buy yourself
Knowing that your touch could heal my heart
I should die
I should die in your arms right now
And give it all
Give it all to you
You're my precious memory
I'm getting down on my knees
All that i've got is love for you
I should die
I should die in your arms
Oh, love is so beautiful and cruel at the same time
At the same time, at the same time
Oh your love is beautiful and cruel at the same time good at the same time
"O essencial é invisível aos olhos..."
"- Só conhecemos as coisas que prendemos a nós – disse a raposa. – Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto…
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora – disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito… São precisos rituais.
(...)
- Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos..."
Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho
domingo, dezembro 12, 2010
Poema destinado a haver domingo
(Ponta Delgada, 2008)
Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.
Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.
Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.
Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre
Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.
Natália Correia
quinta-feira, dezembro 09, 2010
«a que distância deixaste o coração?»
A presença mais pura
Nada do mundo mais próximo
mas aqueles a quem negamos a palavra
o amor, certas enfermidades, a presença mais pura
ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância da língua comum deixaste
o teu coração?»
A altura desesperada do azul
no teu retrato de adolescente há centenas de anos
a extinção dos lírios no jardim municipal
o mar desta baía em ruínas ou se quiseres
os sacos do supermercado que se expandem nas gavetas
as conversas ainda surpreendentemente escolares
soletradas em família
a fadiga da corrida domingueira pela mata
as senhas da lavandaria com um "não esquecer" fixado
o terror que temos
de certos encontros de acaso
porque deixamos de saber dos outros
coisas tão elementares
o próprio nome
Ouve o que diz a mulher vestida de sol
quando caminha no cimo das árvores
«a que distância deixaste
o coração?»
José Tolentino Mendonça
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as minhas imagens,
poesia,
tolentino de mendonça
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Quand on a que l'amour
Não sei se é do tempo, se do trabalho, que se vai fazendo lentamente, hoje fico-me pelos clássicos.
Boa tarde!
Recuerda que tú existes tan sólo en este libro...
(Soizick Meister)
Recuerda que tú existes tan sólo en este libro,
agradece tu vida a mis fantasmas,
a la pasión que pongo en cada verso
por recordar el aire que respiras,
la ropa que te pones y me quitas,
los taxis en que viajas cada noche,
sirena y corazón de los taxistas,
las copas que compartes por los bares
con las gentes que viven en sus barras.
Recuerda que yo espero al otro lado
de los tranvías cuando llegas tarde,
que, centinela incómodo, el teléfono
se convierte en un huésped sin noticias,
que hay un rumor vacío de ascensores
querellándose solos, convocando
mientras suben o bajan tu nostalgia.
Recuerda que mi reino son las dudas
de esta ciudad con prisa solamente,
y que la libertad, cisne terrible,
no es el ave nocturna de los sueños,
sí la complicidad, su mantenerse
herida por el sable que nos hace
sabemos personajes literarios,
mentiras de verdad, verdades de mentira.
Recuerda que yo existo porque existe este libro,
que puedo suicidarnos con romper una página
Luís Garcia Montero
terça-feira, dezembro 07, 2010
Wish you were here
Setembro de 1986, a seis quilómetros de Lagos. Ouvimo-la repetidamente, numa gravação em cassete.
Depois de muitas músicas e de muitos anos, arrumadas as cassetes, esta continua a ser a "minha" música, por isso não me canso de a ouvir repetidamente...
Depois de muitas músicas e de muitos anos, arrumadas as cassetes, esta continua a ser a "minha" música, por isso não me canso de a ouvir repetidamente...
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Sonic Youth - Wish fulfillment
Em especial para a maria3 e para o Eduardo, porque além de fazerem anos no mesmo dia, de serem amigos e de serem meus amigos, gostam ambos desta música.
Aproveitem para visitar a galeria de fotos do Eduardo, cujo link está na barra lateral.
I see your wishes on the wall, and that's all right with me
I see you run to make a call, hoping that there's someone free
Your life and my life they don't touch at all, and that's no way to be
We've never seemed so far
What's real? what is true?
I ain't turning my back on you
Where're you goin'? where've you been?
Making wishes, watching dreams
(...)
Algumas palavras 1
Algumas palavras
entram pelo outono
anoitecidas
rasas
são palavras
que se esgotaram
por entre o que sobra
das lides domésticas
nada mais esperam
do que a água
as mós do silêncio
a pedra
Luís Serrano, As Casas Pressentidas
entram pelo outono
anoitecidas
rasas
são palavras
que se esgotaram
por entre o que sobra
das lides domésticas
nada mais esperam
do que a água
as mós do silêncio
a pedra
Luís Serrano, As Casas Pressentidas
domingo, dezembro 05, 2010
Listening...
Jeff Buckley - "Lover You Should Have Come Over"
Logo que possa, respondo a comentários. Obrigada aos poucos que vão passando e que me fazem companhia.
sábado, dezembro 04, 2010
Bernardo Sassetti - Petit Pays
Esta noite, apesar do frio - o meu carro estava coberto de gelo quando entrei nele às 21h -, fui ver e ouvir uma orquestra actuar. Gostei da actuação e reconheço que me fez bem ter quebrado a rotina. Lamento, porém, que continue a haver pessoas que não sabem adequar o comportamento ao lugar e às circunstâncias. Atrás de mim, estavam pelo menos duas pessoas que, embora em sussurros, passaram o espectáculo a conversar. Uma delas mastigou tão ruidosamente uma pastilha elástica que eu conseguia ouvi-la mesmo quando toda a orquestra tocava - não estou a exagerar!
É verdade,
Hipatia, o Facebook está longe de substituir um blogue, ainda que ofereça também a possibilidade de publicarmos textos, músicas ou fotos e de remetermos os "leitores" para certas ligações.
Não achei qualquer graça ao H5 e levei bastante tempo - só depois de muitos convites - a criar uma conta no Facebook. Se ponderei algumas vezes pôr termo ao Letras, mais vezes me passou - e ainda passa- pela cabeça fechar a página do "Face". Antes de tudo, porque me aborrece a forma indiscriminada como conhecidos e desconhecidos se mostram empenhados em estabelecer connosco um "pacto de amizade", a maior parte das vezes com o único intuito de acrescentar a lista de amigos, não se dignando, não raras vezes, a dirigir-nos um cumprimento quando se cruzam connosco na rua, apesar de saberem muito bem quem somos. Suspeito até que certas pessoas são uma espécie de "voyeurs", sequiosos de escarafunchar a vida alheia. Além disso, ainda que tenhamos algum cuidado em limitar o acesso ao nosso perfil e, mais ainda, ao mural ou que evitemos publicar informações muito pessoais, as escolhas ou os comentários que fazemos, só por si, dizem muito de nós, mais do que muitas pessoas merecem saber. Não deixamos, de certa maneira, de escancarar as portas e janelas do nosso quotidiano e, consequente e inevitavelmente, a nossa vida.
É certo que o Facebook nos permite, muitas vezes, a partilha desinteressada ou o convívio assíduo com pessoas de quem gostamos e de quem dificilmente estaríamos tão perto de outra forma, através do próprio perfil ou pela pertença a grupos. É igualmente certo que nos dá acesso rápido a informação variada em tempo útil, sem que tenhamos de fazer grande esforço. Contudo, o imediatismo de que se reveste esta nova forma de comunicar obriga-nos a leituras superficiais, a rejeitar, frequentemente, tudo o que nos faça perder tempo ou nos exija mais esforço.
Sei que, no blogue, a exposição é maior e que aqui deixo sobejamente mais de mim, no que escrevo, nos poemas e nas músicas que selecciono para publicar, porém o facto de me "esconder" sob a pele de um nick dá-me a ilusão de que me mantenho longe de olhares indiscretos, mesmo que alguns dos meus visitantes saibam quem sou e tenha sido eu quem lhes deu "livre-acesso" para me visitarem e para, desta forma, me conhecerem um pouco mais e poderem fazer-me companhia neste espaço que, não sendo de papel, se vai fazendo (cada vez menos) de letras.
Não achei qualquer graça ao H5 e levei bastante tempo - só depois de muitos convites - a criar uma conta no Facebook. Se ponderei algumas vezes pôr termo ao Letras, mais vezes me passou - e ainda passa- pela cabeça fechar a página do "Face". Antes de tudo, porque me aborrece a forma indiscriminada como conhecidos e desconhecidos se mostram empenhados em estabelecer connosco um "pacto de amizade", a maior parte das vezes com o único intuito de acrescentar a lista de amigos, não se dignando, não raras vezes, a dirigir-nos um cumprimento quando se cruzam connosco na rua, apesar de saberem muito bem quem somos. Suspeito até que certas pessoas são uma espécie de "voyeurs", sequiosos de escarafunchar a vida alheia. Além disso, ainda que tenhamos algum cuidado em limitar o acesso ao nosso perfil e, mais ainda, ao mural ou que evitemos publicar informações muito pessoais, as escolhas ou os comentários que fazemos, só por si, dizem muito de nós, mais do que muitas pessoas merecem saber. Não deixamos, de certa maneira, de escancarar as portas e janelas do nosso quotidiano e, consequente e inevitavelmente, a nossa vida.
É certo que o Facebook nos permite, muitas vezes, a partilha desinteressada ou o convívio assíduo com pessoas de quem gostamos e de quem dificilmente estaríamos tão perto de outra forma, através do próprio perfil ou pela pertença a grupos. É igualmente certo que nos dá acesso rápido a informação variada em tempo útil, sem que tenhamos de fazer grande esforço. Contudo, o imediatismo de que se reveste esta nova forma de comunicar obriga-nos a leituras superficiais, a rejeitar, frequentemente, tudo o que nos faça perder tempo ou nos exija mais esforço.
Sei que, no blogue, a exposição é maior e que aqui deixo sobejamente mais de mim, no que escrevo, nos poemas e nas músicas que selecciono para publicar, porém o facto de me "esconder" sob a pele de um nick dá-me a ilusão de que me mantenho longe de olhares indiscretos, mesmo que alguns dos meus visitantes saibam quem sou e tenha sido eu quem lhes deu "livre-acesso" para me visitarem e para, desta forma, me conhecerem um pouco mais e poderem fazer-me companhia neste espaço que, não sendo de papel, se vai fazendo (cada vez menos) de letras.
sexta-feira, dezembro 03, 2010
quarta-feira, dezembro 01, 2010
D. Sebastião, Rei de Portugal
Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
F. Pessoa, Mensagem
Foi graças à sua loucura que ficámos, durante 60 anos, sob o domínio filipino, do qual nos libertámos no dia 1 de Dezembro de 1640.
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.
Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?
F. Pessoa, Mensagem
Foi graças à sua loucura que ficámos, durante 60 anos, sob o domínio filipino, do qual nos libertámos no dia 1 de Dezembro de 1640.
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D. Sebastião,
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restauração da independência
À semelhança dos últimos anos
algumas das prendas, assim como os embrulhos e os postais, serão de fabrico caseiro ou semi-caseiro, ainda que o tempo para me dedicar a este tipo de tarefas seja menos este ano.
Há que tentar passar umas rasteiras à crise...
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