segunda-feira, junho 19, 2006

memórias de fim-de-semana

(Imagem de Luís Pedro)
No final da tarde, um sol tímido deu lugar a nuvens negras que, em pouco tempo, se desfizeram numa chuva impiedosa que trouxe consigo vento e trovoada.
Nesse justo momento, saí de casa, peguei no carro e conduzi em direcção à serra. Fechei os vidros, liguei a música. Nas bermas, as árvores executavam involuntárias danças, rendidas aos caprichos do vento, que, vinte minutos depois, serenava. No cimo da serra, uma névoa espessa ocultava a paisagem que, em dias límpidos, extasia o olhar e lembra Caeiro: "Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo.../ Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer, / Porque eu sou do tamanho do que vejo / E não do tamanho da minha altura...".
Percorri o estreito caminho, ladeado de frondosos castanheiros, que leva à aldeia. Cheguei quando a noite se instalava. A chuva parara. No ar pairava um agradável cheiro a terra molhada, que aspirei a plenos pulmões.
Em casa, alguém tivera a feliz ideia de fazer uma fogueira. O fogo aquece o corpo, mas aquece também a alma, por isso, apesar de estarmos em Junho e de o Verão se ter anunciado, aproximei-me.

15 comentários:

  1. O melhor fogo é o que nos aquece quando temos frio. Mesmo que o frio seja de Junho, quando a Primavera nos sabe a Outono, e o quotidiano vem gélido como o Inverno.

    ResponderEliminar
  2. Aqui está um texto que convida à meiguice :) E que tal um chá, perto dessa fogueira, depois da chuva e do cheiro a terra molhada?

    ResponderEliminar
  3. Fechei os olhos e fui contigo... lindo!

    Um texto muito bonito, verdadeiramente...

    Desejo-te ima boa semana. Bjo.

    ResponderEliminar
  4. Bebi cada palavra com se fosse o mais doce néctar dos deuses... estou sem palavras.

    ResponderEliminar
  5. Até deu para sentir o calor da fogueira de tão quentinhas e aconchegantes foram as tuas palavras. Obrigada.

    ResponderEliminar
  6. Me encantó lo que escribiste. Un abrazo amigo.

    ResponderEliminar
  7. Obrigada a todos pelas palavras simpáticas.
    Aquilo que escrevi não é mais de que uma tentativa de, pelo recurso a palavras muito simples, transmitir algumas sensações que experimentei no Sábado passado.
    Assobio, sê benvinda.
    Hipatia, não tomei um chá, mas, em sua substituição, uma sopa quentinha...

    Beijinhos para todos e votos de boa semana.

    ResponderEliminar
  8. e espero que tenha sido um bom serão!

    ResponderEliminar
  9. Deves viver num local rodeado de paisagens edílicas, já que o teu texto nos transporta para o sonho de um fim de dia bem passado, tendo por companhia a natureza com todos os seus cambiantes e atractivos, da qual já nem nos lembramos bem de tanto cimento e alcatrão que nos rodeia.
    Gostei imenso do teu texto, por isso.

    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  10. nada mais reconfortante do ke chegar a casa :)) esta noite tive frio mas não tive fogueira nem nada parecido eheheh

    obrigada pelo email, está tudo bem. eu continuo por aki e por aí...

    beijo*

    ResponderEliminar
  11. Boleia, o serão foi em amena cavaqueira com a família.

    Nilson, de facto vivo num lugar em que a Natureza ainda está muito presente. Do meu quarto, posso ouvir o chilrear dos pássaros ou o som dos grilos.Da varanda virada a nascente, vejo uma tira da serra; se andar aproximadamente 20 minutos de carro, estou no alto dessa mesma serra, onde é difícil não acreditar que a terra é redonda.

    Gala, fico contente que tenhas passado por cá. Quando me falta o calor de uma fogueira, encontro uma alternativa: meto-me debaixo do chuveiro, com água quentinha... isso conforta-me um pouco.

    Bjs para todos e boa semana.

    ResponderEliminar
  12. Belo texto, que me fez lembrar os natais na aldeia dos meus avós...

    ResponderEliminar
  13. como te entendo... o carro, a noite, a música.

    afasta a solidão e estámos sós, nessas alturas.


    Bjo

    ResponderEliminar
  14. lindo, lindo.. lindo..
    tão lindo.. tão so very deep...

    ResponderEliminar