segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Do baú...


Soizick Meister
Magros de sentimentos
Arrastamo-nos por dias
De modorra e de silêncio.

Buscamos, na luz opaca,
Agasalho para um coração
exilado de abraços e de ternura.

Procuramos, na monótona cor,
a flor rubra, o sopro
que nos falha, a voz
que em nós finda.

Deslizamos, sonâmbulos,
pela berma do que fomos,
onde não restam seiva ou sangue,
onde já não pousam cantos
nem voos de aves.

Ali, onde as sementes
se esqueceram
de amadurecer flores.
Ali, onde nos sobram horas
e braços
para tão pouca vida.

deep, Abril de 2013

3 comentários:

Isabel Pires disse...

deep, adivinhaste que 'isto' hoje assenta-me na perfeição.
Boa semana!

Gil António disse...

Poema de uma ternura magistral. Lindo demais.
.
* Aroma da papoila ... E a outra face do sentimento *
.
Resto de dia feliz.

deep disse...

Há dias assim, não é, Isabel?
Bom fim de semana. :)

Obrigada, Gil.

Bom fim de semana. :)